<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159</id><updated>2012-01-04T01:03:22.585-02:00</updated><category term='chuvapaulistana'/><category term='personagens'/><category term='pessoal'/><category term='snapshots'/><category term='fora do ninho'/><category term='cronicas'/><category term='futebol'/><category term='alheios'/><category term='geral'/><title type='text'>Chuva Paulistana</title><subtitle type='html'>Ah! Este orgulho máximo de ser paulistanamente!(Mário de Andrade)</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>60</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-4148640086609722895</id><published>2011-07-22T13:30:00.001-03:00</published><updated>2011-09-01T14:45:43.751-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fora do ninho'/><title type='text'>De Moskestraat</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&amp;nbsp; Putte é um vilarejo meio belga meio holandês. Fica espremida entre uma pequena floresta, e uma zona de floricultura. É bem pequena e não aparece nos mapas da fronteira. Na verdade, sequer apareceria nos mapas da vila, se eles existissem. &amp;nbsp;Passa um trem ali, vindo de Roterdã a caminho da Antuérpia a cada 30 minutos. Tempo suficiente para conhecer o local ficar entediado e esperar o próximo trem.&lt;br /&gt;&amp;nbsp; A parte neerlandesa da aldeia contém: Um restaurante anexo à estação e ao escritório central(perceba, alguém um dia não só julgou necessário que se administrasse a vila, como providenciou uma SEDE para tal) uma linha cheia de bandeiras demarcando onde acaba o país, quatro cemitérios(o que, comparado ao tamanho da população local, leva a crer que, ou a região passou recentemente por um apocalipse zumbi, ou está no topo da lista holandesa de "1001 lugares para conhecer depois de morrer") , seis carros, dois cavalos, uma vaca(!) e uma mesquita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp; Uma mesquita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp; No lugar mais irrelevante do planeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp; Não é muito grande, e na verdade não é nem mesmo bonita (embora graças à iluminação e equipamento certos, tenha ficado bastante impressionante no folheto turístico), mas ainda assim é uma mesquita e tem até um minarete. E vai me servir de partida para uma pequena reflexão sociológica de boteco. Prepare o estômago:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp; Aparentemente, qualquer ser humano médio com um Q.I. razoável é capaz de reconhecer um forasteiro em segundos. E com raríssimas exceções, em qualquer lugar do mundo, as pessoas tendem a gostar de turistas. É disso que se trata o sorriso amistoso dos velhinhos pescando no canal da vila. Eles tentam falar inglês, perguntam palavras básicas na sua lingua, andam com você até o restaurante, te dizem o que comer, mostram a casa deles, te explicam porque odiar franceses e outras amenidades do tipo. Por um curto período, serão as pessoas mais receptivas que você já conheceu na vida.&amp;nbsp; Quem é você ou de onde vem, tanto faz nesse contexto, desde que você apenas aceite os queijos e siga viagem.&lt;br /&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp;Mas os &amp;nbsp;muçulmanos não eram simplesmente visitantes. Eles já eram uma porcentagem significativa da população nas grandes cidades e começaram a se espalhar por vilarejos como aquele no interior do país. E foi aí que as origens passaram a fazer diferença e os problemas começaram. Entenda, essas pessoas estão aqui há muitas gerações, morando na mesma casa de seus tataravós e, muito provavelmente, usando os mesmos móveis. A vida dessa gente se movimenta mais ou menos na mesma velocidade de um contra ataque palmeirense. Tenho a impressão de que se um dia um raio derrubar uma arvore, ela permanecerá lá indefinidamente e daqui 100 anos vão chamar o lugar de “árvore caída straat" ou algo assim. &amp;nbsp;E daí chegam essas pessoas, vindas de um lugar tão distante quanto diferente, e constroem uma mesquita ali no fim da rua(que não é muito grande nem bonita mas que é uma mesquita e tem até um minarete), &amp;nbsp;e em meses a vila passa por um processo de mudança que levaria séculos em outros tempos. É razoável imaginar que exista um pequeno choque cultural com a população local.&lt;br /&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; Não é sobre religião, nem etinia, é sobre valores. Existe por ali um orgulho exacerbado da própria história e cultura. As pessoas não cedem um único centímetro daquilo que acreditam que as faz únicas, como povo. A ponto de fazer de um país minúsculo, como a Bélgica, uma confusão política que já vai pra mais de um ano sob governança provisória, e uma cidade pequena como Bruxelas, viver dividida entre dois povos que preferem assistir o país se desintegrar lentamente a aceitar uma unidade nacional que pra nós brasileiros(salvo um ou outro imbecil) soa tão óbvia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp;E como se não bastasse, ainda tem a tradição. Porque, se as coisas funcionam bem do jeito que são há milênios, quem convenceria essas pessoas de que não continuariam bem por mais alguns?&lt;br /&gt;&amp;nbsp; Eu sei, você vai dizer que são assim os novos tempos e que o mundo está mudando mas...e daí? Em Putte se penduram sacolas do correio na beira do trilho. É como se todo mundo ali fosse o ratinho Hem de "Quem Mexeu no Meu Queijo"(não me olha com essa cara, eu sei que você já leu quando não tinha ninguém vendo) Se desse pra colocar a habilidade de adaptação de um lugar numa régua cuja escala máxima fosse, sei lá, Jerry Seinfield, Putte estaria em Danilo Gentili.&lt;br /&gt;&amp;nbsp; Agora, imagine que existam vários lugares assim por toda a Europa. Mais que isso, imagine que a Europa inteira seja uma Putte continental. Acrescente a isso uma meia dúzia de racistas/facistas de verdade, alguns políticos oportunistas e dois grandes atentatos da Al Qaeda: O resultado é uma crescente população &amp;nbsp;muçulmana em choque direto com uma islamofobia cada vez maior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp;Parece um caldeirão em ebulição, certo? O futuro parece tenebroso, certo? Mas, olhe outra vez e perceba que esse copo jamais vai transbordar. Em determinado momento, essas pessoas vão simplesmente deixar de ser forasteiras. Tudo ainda é muito recente, os atuais estão em sua segunda, no máximo terceira geração, essas coisas levam tempo. Quero dizer, a mesquita vai continuar indefinidamente lá, no fim da rua. Ela não é muito grande e nem mesmo bonita mas é uma mesquita e tem até um minarete, ninguém de Putte pode ignorar isso. Aliás ninguém na Europa pode fingir que essas pessoas são invisiveis. Eles chegaram para ficar. Eles andam pelas ruas, fazem compras, pagam impostos e acima de tudo, VOTAM. As cruzadas acabaram la nave continua e em algum momento, o Islã não mais será um corpo estranho na Europa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp;Até lá, a mesquita de Putte(que não é muito grande e nem mesmo bonita, mas é uma mesquita e tem até um minarete) já terá se tornado parte da paisagem e a vila voltará à sua irrelevância habitual que por esses lados, a história mostra, é o jeito mais eficiente de se estar em paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-4148640086609722895?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/4148640086609722895/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=4148640086609722895&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/4148640086609722895'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/4148640086609722895'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2011/07/de-moskestraat.html' title='De Moskestraat'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-2837944240812956213</id><published>2011-06-16T22:51:00.004-03:00</published><updated>2011-06-16T23:29:41.138-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fora do ninho'/><title type='text'>Expresso Noturno</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Gwam8VWaBJk/TfqytC694cI/AAAAAAAAAJk/4dnSv6cQpRA/s1600/IMG_0882.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://3.bp.blogspot.com/-Gwam8VWaBJk/TfqytC694cI/AAAAAAAAAJk/4dnSv6cQpRA/s400/IMG_0882.jpg" width="368" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;i&gt;-Meme o que?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;-Memmingen, senhor.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;-E onde fica Meligeni?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;-Memmingen, senhor. Fica na Alemanha.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;-Dá pra ser mais específica?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;-É toda a informação de que disponho senhor. Olha, você precisa decidir agora, o embarque se encerra em 5 minutos.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;-Eu tenho alternativa?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;-Portão 12 senhor. Boa viagem.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp; Eu, que já estava naquele estágio em que você simplesmente vira pro lado e concede qualquer informação não solicitada, importunava o estranho ao meu lado com a história do meu bilhete pro único voo cancelado em Dublin e de como eu precisava urgentemente olhar um mapa e descobrir pra onde diabos estava indo. Ela ouviu e quando pousamos me contou que estava na mesma situação. Ou pior, já que eu estava de férias e ela, tentando voltar pra casa.&lt;br /&gt;&amp;nbsp; Não era uma beleza estonteante. Quero dizer, todos os seus traços, considerados individualmente, eram extremamente bonitos, mas seu rosto como um todo dava a impressão de que ele havia sido feito apressadamente sem consulta ao manual. Provavelmente a palavra mais adequada seria "atraente".&lt;br /&gt;&amp;nbsp; Eu fui atrás de um jeito de sair dali e ela foi descontar a frustração em alguém - pelo que entendi. No balcão de informações eu tive uma ideia real do quão longe estava de onde deveria estar: Dois trens locais até pegar um expresso noturno que só chegaria em Berlin na manhã seguinte. Eram duas da tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp; Quando a encontrei novamente, no guichê da companhia aérea, um funcionário se encolhia visivelmente diante de seu olhar fuzilante e piscava assustado toda vez que ela batia no balcão. Ela não falava em tortura, mas fazia parecer que não era uma opção totalmente descartada. De qualquer maneira, conseguiu o documento de reembolso que pleiteava e veio na minha direção acenando com o prêmio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;-O trem só parte em três horas. Vou andar por aí. Me acompanha?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp; Memmingen parece uma cidade cinematográfica do Projac pra alguma adaptação mambembe dos irmãos Grimm na novela das 6. Uma praça central com um mercado (chamada, veja você, marktplatz) rodeada por grandes casas brancas de arquitetura germânica clássica com heróis pintados nas laterais. Mais ao fundo, alguns prédios de apartamento e um longo e suave aclive com ruas estreitas e casas de enxaimel bonitas, mas simples, amontoadas até um planalto, onde fica o aeroporto.&lt;br /&gt;&amp;nbsp; Ela fotografava tudo. Era o que fazia pra viver, aliás. Australiana, vivia feito nômade pela Alemanha até encontrar em Berlin o único lugar onde poderia sobreviver de arte. Alugou um apartamento na Friedrich-Heine pra ficar próxima a seus iguais e o transformou em atelier. Eventualmente aproveitava uma dessas promoções de voo pra conhecer o resto da Europa. Aparentemente tinhamos ido a Dublin pelos mesmos motivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;-Ficar bêbada e me destruir.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;-Isso me soa familiar...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp; O começo tinha sido difícil. O sotaque que misturava alemão e australiano estava além do que permitia minha pobre compreensão do idioma. Por isso ficava calado a maior parte do tempo. Do ponto de vista dela, talvez eu fosse só o primeiro exemplar de brasileiro tímido de que se teve notícia. Mas do meu ponto de vista, o diálogo foi:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;- Eu vou oujjusdunds e no sábado se você quiser euajeushjuase e minha exposição é no domingo eu vou jhkjsdfkherh. Em todo caso você pode sdjkjejkalkjeiuw. O que acha?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;- Claro! Porque não?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;- Legal!&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp; Por conta disso andávamos em 3: eu ela e um bloco que gelo inquebrável e intrometido.Da minha parte já tinha até me conformado com a conversa de elevador mais longa da história da humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp; Até que na primeira conexão, um policial me pediu o passaporte. Quando devolveu, comentou sorrindo que era a primeira vez que via um passaporte brasileiro em sei lá quantos anos na função. E ainda soltou um "gracias". Ora, nós somos milhares por aqui, mesmo nos lugares mais improváveis eu nunca passei mais de dois dias sem ver algum maldito fã de sertanejo. Nunca ter visto um brasileiro significava uma vida absurdamente limitada e rotineira sem talvez nunca ter saído daquela cidadezinha minúscula do interior. Acho que foi naquele momento - enquanto fingia interesse na história do time local e seu zagueiro brasileiro (que devia gostar de sertanejo também) - que decidi que não podia deixar ela se perder. Não pelo jeito como ela fechava os olhos enquanto sorria (um pouco por isso também) mas porque eu não queria ser como ELES.&lt;br /&gt;&amp;nbsp; Era possível senti-los nas ruas. Os irrelevantes. Os comuns. Os silenciosos. Aqueles que tinham sido abandonados pelo destino e pela história. O povo das notas de rodapé, cuja única força estava em algum lugar do outro lado da sua imensa fraqueza, cujas crenças eram tão instáveis e comuns quanto as suas aspirações. E o povo da cidade - não os que moravam nas casas brancas da Marktplatz, mas os outros. As histórias nunca eram sobre eles. As histórias não estão, de modo geral, interessadas em carimbadores que permanecem sendo carimbadores e pobres cozinheiros gordos, cujo destino é morrer um pouco mais pobres e muito mais gordos.&lt;br /&gt;&amp;nbsp; Essas pessoas eram as que faziam tudo funcionar, que preparavam as refeições, varriam o chão e recarregavam os estoques à noite, eram os guardas de imigração, os conferentes de trem, os balconistas de informações. Eram a loira de trança no balcão da cervejaria e o dono do último pub aberto na madrugada, o carteiro de alguma nowhere town e o chaveiro da rua vazia. Eram parte da paisagem. Eram os rostos na multidão cujos desejos e sonhos, por mais complacentes que fossem, não tinham nenhuma consequência. Eles eram os &lt;b&gt;invisíveis&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;i&gt;E eu aqui - &lt;/i&gt;pensei comigo&lt;i&gt; - tentando enganar a sorte.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era disso que se tratava, não? Ser mandado para o fim do mundo e ficar feliz por isso!&lt;br /&gt;&amp;nbsp; Não era só atravessar um país de trem, havia uma outra viagem bem mais importante acontecendo ali e sorte era perceber. Que não havia nada em Berlin maior que os pequenos bares da bavária, e as cervejas de vending machines, e o volume baixinho das conversas no escuro, e a minha vida, e a vida dela, e as confissões entre semi estranhos e seus cochilos em ombro mutuo, e todo aquele sentimentalismo clichê do expresso noturno.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Sorte era perceber que não conseguiria, ainda que pudesse, imaginar ninguém melhor pra me acompanhar &amp;nbsp;naquelas quase 20 horas. E que naquela manhã em Dublin eles me mandaram pra onde eu precisava ir. Porque se o fim do mundo era aquilo, se o fim do mundo era com ela, então o fim do mundo era exatamente onde eu deveria estar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp; Uma história. Isso é tudo o que você precisa pra vagar sua cadeira na vala comum dos iguais: uma boa história. Uma boa história e um bom final, é claro. As pessoas não se perdem no final das histórias. Elas se perdem no dia seguinte, depois da lista de próximos lançamentos, depois da orelha com a biografia do autor. Enquanto sobem os créditos ou quando entram os comerciais, logo após alguém na mesa mudar de assunto, é nesse momento que as pessoas ficam ocupadas demais e perdem telefones, endereços e interesse. Mas até lá já existiram os ímpetos de sinceridade que essas cervejas fortes alemãs costumam provocar e declarações mútuas de insanidade madrugada adentro. &lt;br /&gt;&amp;nbsp; E é tudo o que importa. Uma boa história pra contar depois, dessas que ninguém vai acreditar, dessas terminam com promessas e reticências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp; Ela sabia disso também, claro que sabia. É a única explicação pra ter me puxado na estação de Berlin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;-Olha, faz isso depois, vem primeiro pra minha casa...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-2837944240812956213?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/2837944240812956213/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=2837944240812956213&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/2837944240812956213'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/2837944240812956213'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2011/06/expresso-noturno.html' title='Expresso Noturno'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-Gwam8VWaBJk/TfqytC694cI/AAAAAAAAAJk/4dnSv6cQpRA/s72-c/IMG_0882.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-6567715101824913537</id><published>2011-05-29T18:00:00.001-03:00</published><updated>2011-06-17T23:07:58.556-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fora do ninho'/><title type='text'>Erin go Bragh</title><content type='html'>&amp;nbsp; Menos por curiosidade e mais pela incapacidade de dizer 'não', estávamos em um vilarejo chamado Tuamgraney na outra costa do Ulster, perto de &amp;nbsp;Scarriff. O companheiro de viagem que me arrastou pra lá era Christopher, um inglês de Leeds que vinha, aparentemente há bem pouco tempo, estudando a língua irlandesa. Desde Dublin ele entrava na minha frente antes que eu começasse a falar e se comportava como uma espécie de tradutor numa mistura de inglês e gaélico provavelmente bem ruim, a julgar pela recepção das pessoas. O mais interessante é que ele parecia ser o único a não perceber e continuava insistindo naquilo alegando que deixava os locais mais receptivos. Por receptividade ou não, o motorista do ônibus teve ao menos a decencia de apontar a direção da vila quando nos largou na estrada.&lt;br /&gt;&amp;nbsp; Receptividade, aliás, não era a ordem do dia. &amp;nbsp;O conceito de hospitalidade em Tuamgraney se resume a ignorar cuidadosamente cada novo visitante. Além da cota tradicional de indiferença, turistas ingleses ainda tinham direito a um generoso pacotinho de desprezo dos simpáticos nativos.&lt;br /&gt;&amp;nbsp; Não que o lugar recebesse muitos turistas ultimamente, é bem verdade.&lt;br /&gt;&amp;nbsp; Era, na verdade, um desses lugares que só existem para que as pessoas saiam de lá. O mundo está cheio deles: povoados remotos, cidadezinhas castigadas pelo vento na encosta, cabanas isoladas em montanhas frias, cuja única importância na história consiste em ser um lugar totalmente ordinário onde algo extraordinário começou a acontecer. Muitas vezes, nesses lugares, nada existe além de uma placa para indicar que,contra todas as possibilidades ginecológicas, nasceu alguém importante um dia. E essa era a maior prova de que os deuses celtas deviam curtir uma boa piada. Acontece que nasceu ali, Edna O' Brien, respeitada por feministas por seus romances de forte teor sexual na católica e radical Irlanda dos anos 60, venerada pela rasa direita brasileira por dizer que Chico Buarque era uma fraude, e conhecida pelo resto do mundo como autora da única biografia decente de James Joyce.&lt;br /&gt;Saiu daí, aliás, a confusão. Por algum motivo não muito claro, confundiu-se criação e criatura e folhetos turísticos começaram a vender a imagem de Tuamgraney como a cidade onde nasceu o genial autor de Ulisses. Imagino as caras de &amp;nbsp;surpresa quando o pequeno vilarejo se viu invadido por onibus e mais ônibus vindos de Dublin, cheios de estudantes magricelas e garotas com boina de aviador, ávidos por serem ignorados pelos amistosos habitantes locais.&lt;br /&gt;Mas além da capacidade de beber como se não houvesse fígado, o que parece manter a sanidade irlandesa é a fantástica habilidade de conformismo. Não que os Tuamgranenses compactuassem com o falso boato de que o maior escritor da história da Irlanda tenha nascido ali, mas também não se esforçaram muito em desmenti-lo. Assim, no final da James Joyce Street, em frente à James Joyce Square, uma charmosa construção abriga o pequeno mas organizado memorial a, vejam só, James Joyce.&lt;br /&gt;&amp;nbsp; Fora isso não há mais nada na cidade. Quero dizer, QUASE nada. Porque onde houver uma vila, onde houver um irlandes, onde houver a tristeza de cair e ter de levantar mais vezes que qualquer outro povo no mundo, onde houver algum orgulho entre trevos e Lepechams, estará também aquele que se tornou base da civilização nesta parte do mundo: o Pub.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp; Antes de entrarmos, Chris foi bem específico "você fala comigo e eu falo com eles ok?". Ainda tentei argumentar que a coisa toda era uma má idéia desde o início e que ele precisava praticar mais antes de tentar mas meu inglês (escola Joel Santana) não permite um leque muito grande de argumentação. E de qualquer maneira, eu já havia concordado com idéias bem piores aquele dia(chegar até ali, por exemplo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp; Lá dentro, havia um casal almoçando na única mesa ocupada, um velho bebendo no balcão e o barman/cozinheiro, que solenemente fingiu que não estávamos ali. Com a autoridade da cavalaria britanica cobrando impostos , Chris bateu com as costas do dedo no balcão e disse alguma coisa no idioma que ele jurava ser irlandês.&lt;br /&gt;&amp;nbsp; Ninguém entendeu, na verdade. O velho riu, o casal virou com curiosidade, mas o garçon, partindo do pressuposto de que qualquer um que atravessasse aquela porta estava a fim de beber algo, tirou dois pints de cerveja.&lt;br /&gt;&amp;nbsp; Chris segurou o copo dele olhando pra mim com ar de vitória. Preferi não comentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Sugeri que comessemos. Então, nosso intrépido poliglota despejou sobre o homem uma nova leva de seu mal articulado esperanto celta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele ficou em silêncio por um momento, olhando pra gente com um misto de pena e indiferença. Depois respondeu com um seco "pode falar inglês aqui."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saboreei, vingado, o silencio mais constrangedor da história da humanidade e pedi o que o casal comia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O barman trouxe dois pratos do que, em respeito à cultura local, chamarei de comida. Muito tempo atrás, o Éire tinha vasta agropecuária e, a julgar pela quantidade de restaurantes com plaquinhas "celtic food", uma cozinha bem desenvolvida também. Aí vieram os ingleses e arrasaram tudo e só sobraram as batatas. Pois os irlandeses transformaram o nobre saponaceo em símbolo nacional e inventaram centenas de maneiras de misturar batata com batata. Mas aí apareceu um fungo nas batatas que dizimou mais da metade da população. Aí eles desistiram da comida e se concentraram na cerveja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cerveja que aliás, o velho parecia beber como água e uma pequena multidão de copos vazios se acumulava na sua parte do balcão. Olhou pra nós com uma expressão de quem só agora reparou nossa existencia e ergueu a caneca: "foda-se a sua rainha" disse rindo. Chris sorriu de volta, um sorriso desconfortável, mas com uma vantagem de uns 15 dentes em relação ao velho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Aparentemente, era o check in ideal para o primeiro (e definitivo) penny de atenção que nos seria dedicado naquele lugar esquecido e, no fim das contas, seria mais incrível do que a visão de um velho bebado 13h de uma terça feira deixava transparecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;continua...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-6567715101824913537?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/6567715101824913537/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=6567715101824913537&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/6567715101824913537'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/6567715101824913537'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2011/05/erin-go-bragh.html' title='Erin go Bragh'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-1683851434919853091</id><published>2011-05-10T15:57:00.000-03:00</published><updated>2011-05-10T15:57:51.156-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fora do ninho'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='snapshots'/><title type='text'>Caldeira</title><content type='html'>No Brasil é possivel fazer coisas com carne que um boi mediano jamais imaginaria. Mas na Bélgica não há muita carne disponível, menos ainda em Oostende, na costa. Desenvolveram ali uma cozinha baseada em frutos do mar do norte mas não sei. Isso pra mim não é COZINHAR. Trata-se apenas de se manter vivo da forma mais agradável possível. Ao que parece, exceto pelos peixes, as pessoas em Oostende não tem nada muito comestível pra colocar à mesa ou pelo menos o que eu considero comestível(coisas com no máximo duas asas ou nadadeiras, por exemplo, ou no máximo quatro patas). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não havia muita coisa desse tipo em Oostende. É como se os cidadãos daqui simplesmente raspassem o fundo do mar com uma rede e fervessem o que quer que surgisse nela.&lt;br /&gt;A questão é que um cozinheiro em Oostende era capaz de pegar o que encontrasse num punhado de lama, umas folhas mortas e uma pitada de ervas de nomes impronunciáveis e fazer um almoço digno de ser vendido por uns 10 euros no pequeno mercado central.&lt;br /&gt;E você pode andar por lá, cutucar uns moluscos, conversar por mimica com algumas senhoras donas de barraquinhas que por alguns sorrisos oferecem estranhos ensopados ou mariscos para provar. Eu nunca tive medo de comer coisas estranhas, até porque a última vez que me lembro de alguma ter me feito mal foi um sashimi que, de tão velho, estava prestes a ressucitar e ter a dignidade e o bom senso de se jogar fora sozinho. Eu provei de tudo. Oostende, a cidade onde tudo virava comida, finalmente encontrou o apetite que merecia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas aí havia essa tenda. Muito tosca, no final do mercado, separada de todas as outras e aparentemente vazia. Não tinha placa nenhuma do lado de fora mas uma panela grande borbulhando levemente no fogo. Tijelas rústicas de barro tinham sido empilhadas ao lado da panela. De vez em quando alguém ia até ali e tirava uma concha do que quer que fosse e largava umas moedas no prato ao lado. &lt;br /&gt;Olhei dentro da panela. Algumas coisas inindentificáveis vinham até a superfice e depois afundavam de novo. A coloração geral era marrom. As bolhas se formavam, cresciam e estouravam de modo viscoso com um ‘blop’ orgânico. Tudo poderia estar acontecendo naquela panela. Poderia haver uma geração espontânea de vida.&lt;br /&gt;Eu ja havia provado tudo pelo menos uma vez(algumas coisas, varias vezes) Mas chega um momento na vida, em que é preciso usar o senso de auto preservação. Há momentos em que é preciso dizer não.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-1683851434919853091?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/1683851434919853091/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=1683851434919853091&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/1683851434919853091'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/1683851434919853091'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2011/05/caldeira.html' title='Caldeira'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-579581332730595102</id><published>2011-05-02T09:06:00.000-03:00</published><updated>2011-05-02T09:06:37.118-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fora do ninho'/><title type='text'>Tá suave!</title><content type='html'>&amp;nbsp; Eu não sei nem qual foi a última vez que ouvi essa expressão. Quer dizer, foi ontem, mas a ultima vez antes dessa deve ter sido mais ou menos quando montei uma bicicleta pela última vez. Minutos antes eu estava pedalando em meio a uma pequena batalha interna entre a viagem longa, o red bull e uma dor na coxa que me sugeria que a coisa toda de modo geral era uma péssima idéia. &amp;nbsp;Na distração, passei direto numa bifurcação(é...) e acabei enganchando a roda na guia. Não foi uma queda muito grande. Grande mesmo foi a vergonha de subir a avenida principal da cidade com a roupa rasgada carregando uma bicicleta cuja roda lembrava uma escultura do Franz Weissman, e um “fucking tourist" escrito na testa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp; O dono do rent-a-bike era tudo que não se esperava de um estabelecimento daquele tipo. Com cabelo espetado jaqueta jeans encardida e calça apertada, era basicamente um sósia do Kurt Russel num show de calouros, mas com uma noção de estilo que parou por volta de 1977. Ao que parece só falava holandês e parecia bem ameaçador quando me apontou o dedo. Fiquei observando a unha roxa de sujeira a alguns centímetros de meu rosto (como arma ofensiva ela tinha uma cotação bastante alta, especialmente se fosse algum dia usada na preparação de comida) e imaginando o que estaria fazendo quando decidiu vender o bar punk pra mudar de ramo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp; Depois ele me mostrou o valor que eu supostamente deveria pagar pela roda retorcida e eu não entendi se era uma multa ou uma proposta de sociedade. Mal me deu tempo de responder e foi atender outro cliente, mas aí ELA apareceu. Adriana - ja tinha se identificado como brasileira quando pegou meu passaporte - veio sorrindo do fundo e falando português.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp; -Tá suave, ele tá brincando. Tem seguro é só pagar outro aluguel.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp; Na outra ponta do balcão vi ele se segurando pra não rir, provando que babaquice é um patrimônio universal.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp; -Acontece direto. Da próxima vez você pede uma com espaço pra mochila, fica menos desajeitado de andar.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp; Me prometeram que o estresse todo da ida ia valer a pena e que eu ia amar isso aqui, mas menos de quatro horas depois de desembarcar eu já estava cansado, ralado e sendo acachapado por um maldito punk sujo nesse coletivo de arroto que eles aqui chamam de idioma. Não sei vocês mas a mim não parecia um jeito promissor de começar as férias.&lt;br /&gt;Porém um sorriso consolador, um cabelo bicolor, uma voz quase infantil e uma gíria deliciosamente antiquada mudaram tudo.&lt;br /&gt;E agora tá suave. =)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;To até pensando em voltar lá hoje pra saber se minha nova musa tem uma bicicleta com espaço pra mochila ou, quem sabe, um coração com espaço pra mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-579581332730595102?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/579581332730595102/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=579581332730595102&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/579581332730595102'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/579581332730595102'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2011/05/ta-suave.html' title='Tá suave!'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-7086407602159763582</id><published>2011-03-15T16:19:00.000-03:00</published><updated>2011-03-15T16:19:58.268-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cronicas'/><title type='text'>Sobre a ignorância.</title><content type='html'>&amp;nbsp;&amp;nbsp;Eu tinha uma certa empatia por ele. Quero dizer, imagino que os administradores do centro cultural que o contrataram não devam ter sido muito específicos sobre suas atividades. Algo como "só fique parado. Se acontecer alguma coisa, improsive".&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Talvez por isso quando lhe fiz uma pergunta ele se mostrasse tão impaciente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;-Por favor, quando começa a apresentação do Bortolotto?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Ficava de pé na entrada do lugar, segurando um radinho, ouvindo um desses programas de futebol. Aquele uniforme de segurança obviamente não lhe caía bem. Na verdade, alguém perfeitamente capaz de envergar bem uma camisa daquele tamanho era perfeitamente incapaz de assumir um posto de segurança e eu chuto que essa deve ter sido a causa da demissão do portador original da farda. Me olhou de cima a baixo. Não foi um olhar longo, só o tempo exato para, na opinião dele, deixar claro toda sua aversão a pessoas que pedem informação. Depois retomou a posição original e continuou observando a rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;i&gt;&amp;nbsp;-Sei nada de horto não senhor. - disse, já sem olhar pra mim - Pergunta pra moça lá dentro.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;-Mas não tem ninguém lá dentro.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Olhou pra mim outra vez. Parecia perdido com a resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;-T...T...Tenta no segundo andar, ela deve estar lá.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;-Já olhei, trancado.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;-E o mural?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;-Nada lá.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A julgar pela sua expressão de desespero, eu acabava de leva-lo a um novo quarto escuro de sua mente. Dava pra ouvir o barulho da fechadura trancada quando ele piscava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;-Moço e...e...eeeu sou novo aqui...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não respondi. Ele tentou de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;i&gt;-Espera um pouquinho que a moça já deve voltar&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;-Ok.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Quem poderia culpa-lo? Ignorancia é a ordem do dia, não? Dia desses por exemplo a NASA deu uma coletiva para reporteres do mundo inteiro anunciando que uma bactéria num lago tóxico sobrevivia de um jeito que eles achavam impossível. E que isso trazia novas questões sobre o que poderia se considerar essencial à vida.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Uma convocação geral para o dizer que o que era antes não é mais, &amp;nbsp;há muito mais para procurar e se sabe ainda menos do que se sabia. E que isso é extremamente excitante!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Tudo era tão mais simples em outros tempos. O universo encontrava-se cheio de ignorância por toda parte, e os cientistas o exploravam como garimpeiros agachados diante de um riacho nas montanhas, buscando o ouro do conhecimento em meio aos cascalhos da insensatez, às areias da incerteza e aos insetos da religião.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Vez por outra um deles se levantava e dizia algo como “Eureka!” ou “É isso! Descobri a Terceira Lei de Boyle!”. Todo mundo admitia que não sabia onde estava pisando. O problema é que a ignorância se tornou mais interessante, sobretudo a grande e fascinante ignorância sobre assuntos enormes e importantes como a matéria e a criação. As pessoas pararam de construir suas casinhas de sensatez no caos do universo e começaram a se interessar pelo caos em si - em parte porque era muito mais fácil ser especialista no caos, mas principalmente porque rendia ótimas letras de música.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;E, em meio ao caos, a ciência deixou de tentar fazer coisas úteis(como procurar a maldita borboleta que anda causando tempestades pelo mundo) e sairam por aí dizendo que era impossivel saber alguma coisa e que na verdade não havia nada que se pudesse chamar de realidade e que essa era a parte legal. Aliás, você sabia que talvez existam dezenas de pequenos universos por toda parte mas ninguém os vê porque eles estão curvados para dentro de si? Fala se isso não valeria um Grammy pro Arcade Fire?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E aí toda uma nova classe de interjeições foi elaborada com o único objetivo de evitar qualquer contato pessoal desnecessário que acabe por, deus o livre, diminuir o tamanho de nossa tão valiosa ignorância. Nada que não possa ser respondido com "pois é" "né?" "anham" e afins pode ser digno de nota. Funciona magnificamente por esses lados.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Cento e cinquenta anos depois da invenção do elevador as pessoas desenvolveram um vocabulário tão vasto que extrapolou o seu interior e se tornou um modo comum de iteração social em grandes cidades como SP. Quero dizer, ninguém te aborda no cafézinho da firma com um “Ta sabendo? A proporção, em massa, dos elementos que participam da composição de uma substância é sempre constante e definida pelo volume e pressão, independente do processo químico pelo qual é obtida.” Como alguém responderia isso sem tornar a conversa PESSOAL demais?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E enquanto eu esperava alguma coisa acontecer, essa centenária tradição era competentemente exercida pelo guardinha que nada sabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;i&gt;-Joga bola esse Lucas heim!&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- Ô...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;i&gt;&amp;nbsp;- Puts que nó cego…subiu na guia com uma vaga desse tamanho!&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- Né…&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;i&gt;&amp;nbsp;- Viu o negócio lá no Japão?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- Anham...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Eu gostei do jeito dele. É alguém que definiticamente sabe viver melhor que eu nessa cidade ignorante, nesta época ignorante. Quero dizer, eu poderia acampar ali na porta e ao final de uma semana ainda não saberia seu primeiro nome. Ao menos ele não tentava me convencer de algo(Ou que algo não existia, outra obsessão destes dias).&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Era o dia errado do show e a “moça lá de dentro” já tiha ido embora. Mas quem poderia saber, não é verdade? Quem sabe de qualquer coisa nessa cidade? Lá pelas estepes cinzentas de Pinheiros, nem mesmo a mais absurda das hipóteses soaria absurda. Por aqui, ao que parece, só se tem uma certeza inabalável:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;-Parece que vai chover hein?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;-É...&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-7086407602159763582?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/7086407602159763582/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=7086407602159763582&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/7086407602159763582'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/7086407602159763582'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2011/03/sobre-ignorancia.html' title='Sobre a ignorância.'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-8070597239015510742</id><published>2011-02-02T13:48:00.001-02:00</published><updated>2011-02-02T22:52:36.917-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='chuvapaulistana'/><title type='text'>457</title><content type='html'>&lt;div class="im" style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Helvetica Neue', Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;"A 25 de Janeiro do Ano do Senhor de 1554 celebramos, em paupérrima e estreitíssima casinha, a primeira missa no dia da conversão do Apóstolo São Paulo, e, por isso, a ele dedicamos nossa casa&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;!"&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial;"&gt; &amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;b style="font-family: arial;"&gt;Trecho do diário de José de Anchieta.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="font-family: arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: arial;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Acho que essa cidade existe bem à beira da realidade. Ela é cheia de coisinhas sem importância que eventualmente conseguem atravessar para o outro lado. Por isso mesmo, as pessoas em São Paulo levam as coisas a sério. Como as histórias.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: arial;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Porque histórias são importantes.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: arial;"&gt;&amp;nbsp;As pessoas pensam que dão forma à história quando na verdade é justamente o oposto. A história costuma mudar as pessoas que pensam estar mudando-a. Porque a história não nasceu ontem, se é que vocês me entendem.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: arial; font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;As histórias existem, independente de seus participantes. Se você sabe disso, esse conhecimento é poder. Essas grandes fitas vibrantes de espaço-tempo modelado, agitam-se e desenrolam-se pela cidade desde muito antes de os jesuítas chegarem. E evoluíram. Histórias mais fracas se perderam no tempo, mas as mais fortes continuam por aí, engordando a cada vez que são recontadas.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: arial; font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Sua simples existencia, caro leitor, forma um desenho tênue, porém insistente no caos do universo. As pessoas deixam sulcos profundos o suficiente para que outras pessoas sigam da mesma maneira futuramente e ISTO é a história. Novos atores repetem o trajeto e os sulcos ficam mais profundos.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: arial; font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;É disso que se trata São Paulo. Pessoas, e suas histórias, identicas às anteriores. Rotinas que se reeditam há 457 anos e seguirão assim porque há 11 milhões de pessoas afundando os sulcos da realidade. Em literatura chamam isso de casualidade narrativa. Significa que a história, uma vez iniciada adquire uma forma. Ela capta as vibrações de todas as outras versões já vividas.&amp;nbsp;Por isso a história vive se repetindo o tempo todo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="im" style="font-family: arial; font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: arial; font-size: small;"&gt;&amp;nbsp; Partindo desse princípio, é justo dizer que a cidade é uma espécie de parasita. Todas as histórias se moldam em torno dela. Eu tive um amigo que largou tudo e mudou pro interior da Bahia resmungando que isso aqui estava “sugando”&amp;nbsp;ele. Faz sentido. Parte do conceito de se morar em SP é isso. É inconscientemente entregar sua vontade, sua força, sua criatividade e principalmente, o controle sobre sua própria história, a um nada abstrato que é a própria história da cidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: arial; font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;O curioso é que ainda assim as pessoas se orgulham dela. Declaram seu amor, fazem poemas e até batizam blogs em homenagem à sua condição meteorológica.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: arial; font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;Se você sacou o tamanho dessa dualidade é aqui onde, com sorte, esse texto pode fazer algum sentido. Observe:&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: arial; font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Tudo aquilo que você viveu em função da História Maior escrita desde&amp;nbsp;1554 permaneceu por aqui, sua própria versão repetida história.&amp;nbsp;Logo, você também se torna parte daquilo que o consome, certo?&amp;nbsp;Portanto, essa relação de&amp;nbsp;mútua&amp;nbsp;dependência&amp;nbsp;te faz também parte indissolúvel da cidade. Sei lá em que buraco de calçada eu vou praguejar contra a história de alguém&amp;nbsp; e sabe-se lá também como andam tratando minha por aí.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: arial; font-size: small;"&gt;&amp;nbsp; Vocês eu não sei, mas foi a isso que celebrei na semana passada. Porque eu não simplesmente moro aqui. Eu reivindico orgulhoso minha contribuição à formação dessa pocilga. Fato é que, &amp;nbsp;por toda essa intersecção temporal que falhei miseravelmente em explicar,&amp;nbsp;&amp;nbsp;me sinto parte de São Paulo e tenho tanto orgulho disso como tenho de ser quem sou.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: arial; font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-8070597239015510742?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/8070597239015510742/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=8070597239015510742&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/8070597239015510742'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/8070597239015510742'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2011/02/457.html' title='457'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-5935974552779206512</id><published>2010-11-23T21:06:00.002-02:00</published><updated>2011-02-02T13:42:02.724-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cronicas'/><title type='text'>Ultimate Dumbing Championship</title><content type='html'>&amp;nbsp;Eu vivo dizendo que pra ser instrutor de academia é preciso ter a constituição física de um touro e processos mentais equivalentes. Mas a conversa que eu&amp;nbsp;tinha na fila do supermercado com um ex instrutor beirava o surreal. Veja como é ruim ser grande e forte: ele reclamava da demora no caixa rápido e fez uma -&lt;br /&gt;na falta de melhor definição - anedota, com caixa rápido/caixa lento, e eu covardemente olhei para o chão escondendo a vergonha, quando na verdade poderia&amp;nbsp;te-lo avisado do avançado estágio de sua deficiencia mental.&amp;nbsp;&amp;nbsp;Me pergunto quantas outras pessoas podem ter passado pela mesma situaçao e se eu não era, em parte, responsável por ele acreditar que ser imbecil era uma atitude socialmente aceitável.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Mas até aí tudo bem, era só um momento desagradável Seinfieldiano. Só que ele me olhou com aquela cara e as coisas saíram de controle.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Era a cara de quem&amp;nbsp;obviamente superestima a própria capacidade cognitiva e acredita que teve uma idéia genial. Ao longo da história, pessoas estúpidas fizeram aquela mesma&amp;nbsp;expressão e o resultado invariavelmente envolvia toda sorte de alarmes e sirenes..e em alguns casos, pessoas correndo e guerras começando. Aquele sorriso&amp;nbsp;mongolóide era o prenuncio da inevitável merda vindoura.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Dizem que a estrada para o inferno está pavimentada de boas&amp;nbsp;intenções. Não é bem verdade. A estrada que leva ao Inferno está pavimentada de atendentes de call center, gerentes de RH e gente estúpida com ideias geniais. Se o mundo é justo, o Tinhoso passa&amp;nbsp;com uma cortador de grama sobre eles quando fica entediado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe um truque que se faz com uma ervilha e três copinhos que é muito difícil de acompanhar, e uma coisa parecida está para acontecer. A velocidade do&amp;nbsp;texto será reduzida para permitir que se acompanhe a prestidigitação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---- ---- ---- ---- ----&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O caixa rápido do supermercado consiste em dois caixas enfileirados para compras menores que 15 volumes. Nosso amigo Einstein está com um carrinho cheio&amp;nbsp;mas acho que já ficou claro aqui que o ele e o resto do mundo sofrem de&amp;nbsp;mútuo&amp;nbsp;problema de compreensão, certo? Pois bem, sigamos…&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; No primeiro caixa há uma negona de quase 2 metros de altura e sorriso contagiante. Aquele tipo de gente que faz o seu dia melhor só por existir, não&amp;nbsp;importa quão ruim ele tenha sido. A ela, chamaremos de Caixa 1.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Logo ao lado, está aquele a quem chamaremos de Adversário, Anjo do Poço Sem Fundo, Dragão da maldade, Duque do inferno, Filho da Mentira, Pai da Cretinice, Senhor da Indolência, ou simplesmente, Caixa 2.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Na porta, um japonês gordinho de meia idade com um colete escrito "segurança". Na real as únicas&amp;nbsp;características&amp;nbsp;fisicas de um segurança que ele parece possuir são a capacidade de permanecer imóvel de pé por horas e um razoável controle da bexiga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Observem com cuidado. Lá vão os copinhos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A idéia genial do gigante acéfalo à minha frente consistia em dividir as comprar entre Caixa 1 e Caixa 2, com a esperança de que assim fosse tudo mais rápido. As poucas conexões neurológicas que ele é capaz de realizar não o fizeram notar que havia mais gente na fila.Caixa 2 ainda terminava de passar as compras do cliente anterior quando percebeu a ação dele e resolveu ser babaca também: Misturou as compras do gigante com as do cliente anterior, que obviamente protestou. Gigante, que neste momento enchia a esteira da Caixa 1, foi até lá ver o que ocorria e uma pequena discussão se iniciou. Caixa 2 afirmava que não sabia(mentira) quais eram as compras de quem e que ele não deveria dividir em dois caixas pra evitar esse tipo de confusão. Ao que Gigante respondia, já num tom mais alto de voz, que se o caixa rápido fosse mesmo rápido isso não seria necessário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi aí que aconteceu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Na cerimonia divina de 2010(*), quando os envelopes forem abertos, a frase “Se o senhor não fosse um idiota ” proferida em alto brado por Caixa 2, certamente figurará entre as indicadas para o premio de mais inoportuna do ano. O próprio Gigante pareceu compartilhar desta tese, pois desferiu um violento tapa no ouvido do interlocutor.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Caixa 2 quase caiu com o baque, revirou os olhos, sua boca abriu e fechou mas a voz optou sabiamente por não sair. O grandalhão ainda proferiu alguns&amp;nbsp;impropérios antes de ser acalmado por Caixa 1. Ai o segurança japonês, que também não era nenhum&amp;nbsp;físico&amp;nbsp;nuclear, aplicou uma gravata na pilha de esteróides e a confusão recomeçou. Na verdade, &amp;nbsp;depois de duas ou três cotoveladas ele já considerava seriamente largar o emprego no supermercado e ir plantar Cogumelo do Sol em Mogi, mas apesar dos golpes nosso obstinado herói&amp;nbsp;nipônico&amp;nbsp;continuou pendurado no pescoço do Juggernaut. Com uma voz de quem já calculava o preço de um lote no vale do Paraíba, gritou pra chamarem a polícia. Outras pessoas, inclusive o imbecil do Caixa 2 que começou tudo, partiram pra tentar segurar o monstro.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;Da minha parte, decidi que meia duzia de cervejas e uns pacotes de miojo não eram caso de primeira necessidade e da forma mais discreta possível, fui me dirigindo à saída, a tempo de ver o policial da base na praça correndo pro local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Na volta ainda fiquei pensando que deve haver algo muito errado numa sociedade que confere certa "superioridade moral" a cretinos como Caixa 2, só porque pretensamente são "corajosos" ao arriscar a própria integridade física pra dizer o que pensam sobre terceiros. Superior sou eu amigo, que assisto tudo caladinho e só reclamo a uma distancia segura! Pra que levar um safanão na orelha se tenho internet em casa? Visite o setor de traumatologia de um hospital e você encontrará uma grande quantidade “gente sincera”. No fundo é só impulsividade, necessidade de auto afirmação e testosterona. Essa pseudo “honestidade” não tem nenhum efeito prático para além dos hematomas. Já no twitter, posso ser sincero e corajoso no conforto de meu sofá.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Tenho fé que um dia a humanidade aprende!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(*) Dizem (&lt;a href="http://chuvapaulistana.blogspot.com/2010/05/mala-suerte.html"&gt;inclusive neste blog&lt;/a&gt;) que o deuses, sejam lá quais forem, jogam com a vida das pessoas. Eu tenho uma nova teoria. Acho que os deuses se divertem&amp;nbsp;sim, ás custas dos mortais mas apenas deixando-os em paz. Se nos observam com atenção, sempre foram fascinados pela habilidade humana de dizer exatamente a&lt;br /&gt;coisa errada na hora mais errada possível. E não falo de frases como “é perfeitamente seguro” ou “cão que ladra não morde” mas de frases bem mais simples com&amp;nbsp;efeitos equivalentes ao de um bulldozer sobre um pé de alface. Todo ano esses deuses se reunem para premiar as atitudes mais estupidas da humanidade.&lt;br /&gt;Eventualmente, quando já estão&amp;nbsp;bêbados, aproveitam pra definir os futuros ganhadores da megasena ou alvos de raios.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-5935974552779206512?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/5935974552779206512/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=5935974552779206512&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/5935974552779206512'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/5935974552779206512'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2010/11/ultimate-dumbing-championship.html' title='Ultimate Dumbing Championship'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-9129468735977555114</id><published>2010-10-20T15:48:00.005-02:00</published><updated>2010-10-25T17:06:26.667-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cronicas'/><title type='text'>Doce rancor</title><content type='html'>Anos depois a reconheci no metrô. Foi totalmente por acaso, &amp;nbsp;não sabia nem que morava em São Paulo agora. Carioca, era a última conexão com uma vida que&amp;nbsp;parecia nunca ter sido a minha. Da casa da matriz, dos onibus noturnos, do drum and bass. A última vez que tive notícias, pelo irmão, tinha se mudado pra algum &amp;nbsp;lugar obscuro da Europa nem perguntei pra que.&amp;nbsp;Se formou finalmente em psicologia e parecia bem.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Umas semanas e uns telefonemas depois, sentava do lado oposto da mesa e dissertava sobre alguma coisa desinteressante que tinha a ver com o monotrilho.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Do que me lembrava não mudou muito, na verdade. Falava de um jeito mais arrogante, talvez, mas não chegava a ser incomodo. Ah e ganhou uns kilos, mas eu&amp;nbsp;não ando lá em condições de atirar a primeira pedra.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Em algum momento antes mesmo de o garcon parar de me ignorar, o papo já tinha caído na minha vida. Eu não percebi na hora que a intenção inicial era&amp;nbsp;justamente essa.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;-Sei lá, parei de correr pra conseguir tudo de uma vez. Eu tava ficando louco e frustrado.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;-Frustrado é inevitável, sim. Mas não te imagino correndo com nada.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;-Haha eu corria muito naquela época.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;-Olha...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Na lingua espanhola, colocam um ponto de interrogação de ponta cabeça para avisar que você está prestes a receber uma pergunta. Aquele era um “olha” que&amp;nbsp;avisa que você está prestes a receber uma rajada de AK47.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- Tá eu sei que andei meio procrastinador - respondi, ignorando o perigo iminente&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;-Nem acho que é isso. Sempre acontece alguma coisa. Tem sempre um problema te impedindo. Você é medíocre e tem medo de deixar de ser. Seu medo é que faz&amp;nbsp;de você tão pequeno. &amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;-Não é. Eu sempre gostei de tudo planejado. Eu sou muito prudente e...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;-Prudencia, procrastinação você &amp;nbsp;pode dar o nome que quiser Rique, voce pra mim é um cuzão. Sempre foi. Com a mudança, com a faculdade, comigo… com o que&amp;nbsp;mais acontecer.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;-Esse é seu parecer pessoal ou profissinal? - repondi tentando sorrir. Tenho certeza que deve ter sido um sorriso equivalente áquele do &amp;nbsp;Holyfield na luta com o Tyson&amp;nbsp;enquanto, coberto de sangue, fingia ignorar um pedaço de sua orelha na mão do juiz.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;-Pessoal. Eu não dou consultas grátis.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E assim, depois de um silêncio constrangido, o jantar, foi diminuindo a velocidade em conversas casuais e incoerentes sobre os velhos tempos. Pouco menos&amp;nbsp;de três anos tinham se passado mas parecia uma vida. Três anos nessa cidade SÃO uma vida. E acrescente a isso a capacidade ruminante dela. O que o complexo&amp;nbsp;sistema digestivo de um camelo faz com comida, ela faz com ofensas. Uma resposta atravessada, uma despedida que não chegou a acontecer, um presente que ela&amp;nbsp;nunca entregou, tava tudo lá, pronto pra ser trazido de volta e pacientemente remastigado, cruelmente estocado em cada resposta. Ela seria capaz de me&amp;nbsp;ofender falando sobre o tempo. Era a personificação da mágoa.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E, olha, ela tinha material. Sempre foi boa ouvinte, talvez por isso tenha tornado essa sua profissão (aliás taí uma qualidade injustamente ignorada. Todo&amp;nbsp;mundo sabe que a maioria das pessoas não ouve. Quando alguém está falando, aproveitam o tempo para pensar no que dirão em seguida. Ouvintes verdadeiros&amp;nbsp;sempre foram reverenciados nas culturas orais e recompensados pela raridade de seu valor. Ha um bom orador em cada esquina e qualquer um pode citar 15&amp;nbsp;grandes escritores. Mas um bom ouvinte é dificil de se encontrar. Ou, pelo menos, de se encontrar duas vezes). Mas de tanto me ouvir talvez ela tenha&amp;nbsp;reunido argumento suficiente pra pensar no que gostaria de dizer.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Divertido e acalentador. Nessa loucura metropolitana as relações se tornam cada vez mais descartáveis e é agonizante a&amp;nbsp;facilidade com que as pessoas se perdem umas das outras. Ser esquecido é como perder uma pequena parte de si mesmo. Por outro lado, um rancor forte o&amp;nbsp;suficiente para atravessar os anos e o Atlantico, é uma dessas pequenas coisas que fazem a vida valer a pena. &amp;nbsp;Se alguém te odeia com dedicação maior que essa, &amp;nbsp;sinceramente, amigo, você venceu na vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;i&gt;- Sabe, nunca tinha pensado nisso. Acho que você tem razão.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;- Né…&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Virou o olhar pra janela e ficou um tempo observando o movimento na rua, quem sabe pra esconder a decepção. Talvez isso lhe rendesse mais alguns anos&amp;nbsp;preparando a tréplica.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;É só uma teoria, claro, mas acho que tudo se resume a crença. O que quero dizer é que a forma como as coisas terminaram a magoaram de tal forma que ela&amp;nbsp;tinha todo um discurso pronto que, ela acreditava, me humilharia e a vingaria.ela tinha FÉ nisso. Não precisava de uma confirmação.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E aí estava o problema.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;No fundo no fundo ela não esperava realmente o reencontro. Porque a crença na verdade é um fim em si. É só uma forma das pessoas se sentirem melhor.&amp;nbsp;Convenhamos, a fé não PRODUZ nada ( a despeito do que dizem as escrituras sagradas, quando se trata de, por exemplo, mover montanhas, a gravidade&amp;nbsp;costuma ser consideravelmente mais eficiente que a fé).&lt;br /&gt;&amp;nbsp;E era a fé que a cegava. Ela jamais entenderia a beleza daquele momento, jamais saberia o tamanho da minha&amp;nbsp;gratidão...&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;-Tá sorrindo de que?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;-É muito, muito, bom reve-la…&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E talvez os acontecimentos recentes tivessem mesmo provocado alguma alteração na natureza da realidade, porque, enquanto comiamos, pela primeira vez na&amp;nbsp;história, um bem-te-vi cantou na Avenida Santo Amaro.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ninguém ouviu por causa do ruído do tráfego, mas que estava lá, estava =)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-9129468735977555114?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/9129468735977555114/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=9129468735977555114&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/9129468735977555114'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/9129468735977555114'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2010/10/doce-rancor.html' title='Doce rancor'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-6109229252989258978</id><published>2010-09-22T14:22:00.003-03:00</published><updated>2010-10-06T13:17:35.217-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cronicas'/><title type='text'>A justiça do acaso.</title><content type='html'>&amp;nbsp;&amp;nbsp;Foi lá pelo meio do ano passado se não me engano. Eu tinha tirado férias num desespero de mudar de emprego que era comovente. Tipo epopéia mesmo.&amp;nbsp;E numa dessas entrevistas eu a conheci. Foi das mais traumaticas experiências da minha vida (com exceção talvez de uma ocasião em que acordei sentado&amp;nbsp;numa calçada da alameda franca sem celular e sem carteira, depois de ter sido expulso do extinto clube Atari mas o spoiler dessa história já é&amp;nbsp;suficientemente bizarro pra contar o resto).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Se apresentou como "diretora de recursos humanos" e entrou na sala acompanhada de uma mocinha que parecia ser bem simpática. Apresentou-a como&amp;nbsp;"es-ta-gi-a-ria-em-trei-na-men-to" com um prazer quase sexual ao enfatizar a função café com leite da pobrezinha, que parecia algumas silabas mais franzina&amp;nbsp;após a apresentação.&amp;nbsp;Ela me olhava de um jeito que fazia parecer que responder suas perguntas era mera formalidade, que ela simplesmente arrancaria a verdade da minha&amp;nbsp;mente enquanto tentava me concentrar no calendário em cima da mesa. O olhar dela era tão poderoso que me admirava não caíssem pequenos blocos de concreto cada vez que ela encarava a parede atrás de mim.&amp;nbsp;Foi tão taumático que ouvir dela que não tinha o perfil ideal para a vaga foi quase que um alivio pois significava que eu tinha alguma perspectiva de sair vivo daquela sala.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Coisa de uma semana depois ela tava num desses jornais do inicio da tarde numa sessão que dava "dicas profissionais" (o que é meio&amp;nbsp;paradoxal, uma vez que deve ser unanimidade entre as empresas a opinião de que assistir televisão à tarde ao invés de trabalhar provavelmente não seja a atitude profissional mais recomendada) e quem aparece como a "especialista" em alguma coisa? Ela! Com o mesmo estilo austero e confiante que me lembrava...transbordando credibilidade.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Lance é que eu tava tão confiante que essa moça lia minha mente que quase corri pra cozinha fazer um capacete de papel alumínio &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Cf1v8sIzJpQ/S9ZY5cgxQUI/AAAAAAAAAyY/8LleVoWk7zU/s1600/signs2.jpg"&gt;a&amp;nbsp;la Joaquin Phoenix em Sinais&lt;/a&gt;&amp;nbsp;pra terminar de assistir a matéria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Mas no fundo, no fundo, eu sou um otimista. Se há alguma coisa que me sustenta nos tempos difíceis é a profunda e&amp;nbsp;definitiva&amp;nbsp;certeza de sair relativamente ileso e de que o universo ou o acaso, cuidarão de mim no final.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E o mundo meus amigos, o mundo é ainda menor do que você pensa, o mundo é um banheiro de kitnet no Copam você pode acretidar.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E o acaso é implacavel. Implacável!&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Imagine por acaso eu estava na balada, meses depois, e por acaso ela tá dançando do meu lado. E por acaso eu conhecia de vista algumas pessoas do grupinho de amigos dela e por acaso ela não me reconheceu, veja você que demoninho do mal é esse tal de acaso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Sabe aquela prática comum em locais onde pessoas se comunicam (leia-se qualquer cidade exceto Curitiba) de oferecer sua bebida pra quem está na mesma roda que você? Entenda, não é uma obrigação aceitar, é apenas um ato de sociabilidade. Ela por exemplo tinha a opção de recusar todas as vezes que ofereci, o que me exclui de qualquer responsabilidade pela postura dela depois de pouquissimo tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Tudo no universo existe em função do nome. Mude o nome e você muda a coisa. É claro que, entre um e outro, há uma enorme burocracia e uma infinidade de&amp;nbsp;outros elementos envolvidos. Mas, paracosmicamente, é só isso mesmo.Agora por exemplo a "diretora de Recursos Humanos" era "a tia da balada".&lt;br /&gt;Em termos práticos, aquilo significava que de uma bela mulher de fala segura, postura ereta e jeito arrogante, ela estava reduzida a&amp;nbsp;uma semi baranga num vestido que transitava impunemente entre o vulgar e o cafona e que obviamente desconhecia os proprios limites etílicos dançando como se&amp;nbsp;sua idade fosse na verdade o hiato entre esta noite e a última vez que tentara aquilo em público.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Eu não posso mensurar o quanto era divertido, amigos. Não por me sentir vingado (talvez um pouco, sim) ao imaginar a ressaca moral em que ela&amp;nbsp;estaria envolvida no dia seguinte, mas por perceber que até a "especialista da TV" pode muito bem ser tão ridicula quanto você ou eu quando destituida de sua proteção hierárquica corporativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Eu lembrei dessa história porque, limpando minha caixa de e-mails ontem, achei o convite para uma festa (que eu nem fui) em comemoração ao aniversário da&amp;nbsp;empresa e anexo vinha um artigo escaneado sobre DICAS DE COMPORTAMENTO em festas de empresa. Eu ia dissertar sobre como achava babaca convidar alguém a uma&amp;nbsp;festa e anexar um código de conduta(sobretudo um que recomende comedimento no consumo de bebidas alcoolicas), e como aquilo era tão chato quanto aqueles papeizinhos em convite de casamento com “a &amp;nbsp;lista de presentes encontra-se&amp;nbsp;na…”. IA &amp;nbsp;meus amigos eu IA porque descobrir o autor do artigo no final, me fez rir como não ria desde o rebaixamento do Corinthians.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Descobrir o autor do artigo me fez aprender uma lição pra vida. De que tudo que você precisa quando as coisas forem mal, é ridicularizar alguém. Não quero&amp;nbsp;bancar o babaca auto ajuda, mas, vai por mim, quando tudo mais perder o sentido, quando nem toda tequila do mundo for suficiente, quando nenhuma perspectiva&amp;nbsp;de futuro lhe parecer satisfatória e a dor for insuportável, não se desespere! Corra pra balada e trate de entupir de vodka a primeira recrutadora de&amp;nbsp;recursos humanos que encontrar.&lt;br /&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-6109229252989258978?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/6109229252989258978/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=6109229252989258978&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/6109229252989258978'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/6109229252989258978'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2010/09/justica-do-acaso.html' title='A justiça do acaso.'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-2166823091906176100</id><published>2010-09-10T12:50:00.004-03:00</published><updated>2010-10-06T13:18:56.629-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cronicas'/><title type='text'>Um canalha em três atos.</title><content type='html'>Pra ler ouvindo: &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=rrv-f2zfyvA"&gt;Chromeo - Don't turn the lights on&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=pqYEtcEpl_0"&gt;Sobre bolinhos&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Primeiro ato - Cinismo&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ouviu-a falar alguma coisa antes de ligar o chuveiro. Não entendeu o que era e também não se importava. Conhecia a figura havia coisa de um ano, nunca teve&amp;nbsp;paciência pra conversar por muito tempo e provavelmente não teria agora. Não eram 10 horas e a manhã seria longa.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Preferia a personagem que ela incorporara&amp;nbsp;na noite anterior: um vestidinho curto cujo conteúdo encontrava-se convenientemente carente e excepcionalmente receptivo...&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Terminara com o namorado dias antes e sorria mais que de costume(por pura obrigação social, é bem verdade). O ex tinha deixado as coisas dela numa sacola&amp;nbsp;velha na tarde anterior, o que garantiu um saudável descenso em seu ego (em situações normais insuportavelmente inflado). A despeito dos contorcionismos faciais pra simular indignação enquanto ela contava, entendia perfeitamente o cara. Menos por solidariedade de gênero e mais por ela ser quem era. Do tipo&amp;nbsp;que colocava as próprias fotos de fio dental no facebook (com tags personalizadas).&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ele bebeu descontroladamente aquela noite, antes dela aparecer. Primeiro porque a noite estava uma merda, e segundo porque parecia que ia piorar. Quando&amp;nbsp;ela ignorou os amigos e foi direto cumprimentá-lo, entendeu imediatamente o que estava acontecendo e o que poderia acontecer se fizesse tudo direitinho. Agora só precisava relaxar, tentar parecer sóbrio e ser o hipócrita que sabia ser...&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Era um cara comum, não era bonito. Só tinha chance porque elevava o cinismo ao status de virtude. É claro que aquele tipo de coisa - de dizer exatamente o&amp;nbsp;que as pessoas queriam ouvir - falhava miseravelmente a longo prazo ele sabia. Mas, merda! Era só um bêbado cheio de testosterona numa noite de rara sorte. E&amp;nbsp;se você não puder justificar todo tipo de atitude cretina com o fato de ser só um bêbado cheio de testosterona numa noite de rara sorte, então a sorte era&amp;nbsp;absolutamente dispensável, a testosterona ficava pra academia e podia passar a noite inteira à base shweppes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Segunto ato &amp;nbsp;- Constrangimento&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Maquinava uma boa desculpa para mandá-la embora, quando ela saiu do banheiro enrolada com a toalha apenas no cabelo, o que o fez mudar de idéia&amp;nbsp;momentaneamente. Pra falar a verdade, era óbvio que ela pensou na cena toda e fez de um esforço parecer sexy, mas não tinha a classe que julgava ter e&amp;nbsp;exalava todo o sex appeal de uma propaganda de Catuaba Selvagem. Tudo bem, era mais do que suficiente pra uma manhã de domingo; ele não ia reencenar o Ultimo&amp;nbsp;Tango em Paris, afinal. A real é que qualquer conversa acabava, invariavelmente, em queda livre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pra que esse aquário? Você tinha peixe?&lt;br /&gt;&lt;i&gt;(Não. Eu criava gado)&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;-Tinha, um Betta.&lt;br /&gt;-Hmm ti fofo! Qual era o nome dele?&lt;br /&gt;-Tem que dar nome pra peixe?&lt;br /&gt;-Tem né! E cadê ele?&lt;br /&gt;&lt;i&gt;(escondido embaixo do sofá!)&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;-Morreu.&lt;br /&gt;-De que?&lt;br /&gt;&lt;i&gt;(bateu um papo contigo e perdeu a fé na vida)&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;-A moça que limpa aqui disse que foi fome. Prefiro acreditar que foi solidão.&lt;br /&gt;-Pode ser...e esse ap tem uma energia pesada né.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;(Oh god! feng shui de boteco a essa hora da manhã?!)&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;-Ah eu não acho.&lt;br /&gt;-Tem muito preto.&lt;br /&gt;-Não gosto de coisa colorida.&lt;br /&gt;-Compra outro?&lt;br /&gt;-Outro apartamento?&lt;br /&gt;-Outro betta. Deve ter no e-bay.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;(claro, eles vão entregar enrolado num jornal. Don Corleone mandou lembranças)&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;-Acho que não vai ter não moça.&lt;br /&gt;-Menino tem de tudo no e-bay. Eu compro até clembuterol lá.&lt;br /&gt;-Esse treco não é proibido?&lt;br /&gt;-No e-bay tem de tudo.&lt;br /&gt;-É perigoso, moça. Tu fica uns 20 minutos numa taquicardia do cacete. Periga até sofrer uma parada cardíaca&lt;br /&gt;-Ah, 20 minutos é pouquinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E sorriu. Cara, ela era linda. O cabelo, as tatuagens, o cruzar de pernas, o sorriso, até o jeito patético de tentar parecer sensual tinha sua beleza...&amp;nbsp;Vinte minutos não era pouco. Se ela pudesse passar vinte minutos sem dizer nenhuma estupidez, ele pediria pra ela nunca ir&amp;nbsp;embora.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Utopia, claro. &amp;nbsp;Agora por exemplo, os peixes a haviam feito se lembrar de uma cachorra que teve quando adolescente. A Loba. E ele se perguntou que&amp;nbsp;tipo de gente chama uma cocker spaniel de Loba, e porque ele precisava ouvir aquilo. Mas não dizia nada, só sorria e fazia cara de quem se interessava&amp;nbsp;imensamente por biografias caninas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;- Olha, eu acho que meu pai vem aqui hoje. Acabou de me mandar uma mensagem - disse, olhando para um celular delator, que permanecia criminosamente apagado&amp;nbsp;e silencioso. Ela percebeu.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;- Sei. Bom, é melhor eu ir indo então. Também tenho um dia cheio.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;(cheio, sei, cheio de fossa pelo ex, sorteve na frente da televisão com alguma comédia romantica)&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;- Ok então. Não me leva a mal né? É que faz tempo que ele não me visita.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;- Magina, tudo bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Tinha uma coisa no olhar que o fez se sentir mais relaxado: Decepção. Ai sim! Sua zona de conforto. Não que fosse exatamente confortável, mas pela primeira&amp;nbsp;vez, desde que acordara, sentia-se atuando dentro de sua especialidade. De tao recorrentes, olhares de decepcao faziam com que ele sentisse que as coisas&lt;br /&gt;estavam em seu devido lugar. E ficou ainda mais fácil com ela vestida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Terceiro Ato - Bolinhos&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Enquanto esperava o elevador na volta, pensou na falsidade daquilo tudo. Ele não era exatamente bonito e deveria se sentir agradecido pela oportunidade de&amp;nbsp;decepcionar alguém do nível dela, mas só fez piadinhas crueis com tudo o e ela falava. E o que era ele, afinal? O que fazia dele melhor, mais capaz ou sequer&amp;nbsp;mais inteligente que ela? Não que se arrependesse. Ah não! &amp;nbsp;Ela ja tinha pincelado clemb na conversa, mais meia hora daquilo e ia discutir arroz integral.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Mas aquele tipo de auto consciencia era novo pra ele. Carregava uma explicação inconvenientemente plausível. O que vez por outra lhe tirava o sono, o que&amp;nbsp;tinha medo de dizer em voz alta o que nao confessaria nem se alternativa fosse uma manha de ressaca com a a genia do vestido curto. O que ha mais tempo do&amp;nbsp;que poderia lembrar o transformara num canalha mentiroso e hipocrita. Mas que era de um obvio tao ululante mas tao ululante que valia somente para fins de&amp;nbsp;registro:&amp;nbsp;ele &lt;b&gt;nunca&lt;/b&gt; seguiu em frente de verdade, nunca virou a pagina nunca superou o fim e nunca permitiu que nada ficasse sério demais desde então. E o&amp;nbsp;motivo por que vinha adiando tão boba conclusão era que nao tinha a menor idéia de como proceder, simples assim.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Talvez fosse o caso de procurar alguma dignidade no e-bay.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Mas isso podia ficar pra depois. Tinha jogo importante no Morumbi aquela tarde e era melhor evitar o transito...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-2166823091906176100?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/2166823091906176100/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=2166823091906176100&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/2166823091906176100'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/2166823091906176100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2010/09/um-canalha-em-tres-atos.html' title='Um canalha em três atos.'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-2402944417709105087</id><published>2010-08-31T12:05:00.004-03:00</published><updated>2011-02-07T13:20:10.638-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pessoal'/><title type='text'>Por um bom porre. Por uma boa vida.</title><content type='html'>“&lt;i&gt;E a gente vai tomando, que tambem sem a cachaca ninguem segura esse rojao&lt;/i&gt;.“ (Chico)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia em que ela foi embora eu tomei meu melhor porre. E isso não é uma divagação melancólica &amp;nbsp;e tá bem longe de ser algum tipo de confissão romântica. É mais como uma constatação factual, do tipo &amp;nbsp;BBC Ciencia ( Daquelas matérias aleatórias que começam todas com "Pesquisa comprova que..." e fazem você se perguntar se um cientista se sente realizado profissionalmente ao descobrir, após meses de pesquisa, que ingleses de 25 a 30 anos e estatura média produzem 1,5 vezes mais vitamina D aos sábados) e talvez tão inútil quanto mas eu não encontrei maneira melhor de introduzir o assunto.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Já tem coisa de um ano (talvez mais, por motivos óbvios fiz questão de não guardar a data exata) e agora dá pra falar disso com o distanciamento necessário. Eu tinha saído do trabalho direto pro boteco sozinho porque no fundo sou um tradicionalista e quis cumprir o ritual clichê do kickado na mesa do bar. Eu vou chegar na razão do título, mas antes, realize a cena da pessoa alterada sozinha na mesa do canto, assistindo um jogo qualquer da série B do brasileiro. Nos vemos depois do trecho itálico. Até lá!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Provavelmente alguma coisa no limão lá pela quinta tequila o fez perder a conta das seguintes. Pra facilitar a contagem, a garçonete não limpava a mesa e uma pequena e acusadora pilha de copos dava a impressão de que um drunk poker com uma quantidade ilegal de participantes havia acontecido por ali.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;Levantou e, naquele exato momento, o motorista do Movimento de Rotação e Translação da Terra deve ter sido fechado por um motoboy maluco e pisou no freio de uma vez. Fato é que o chão se mexia caoticamente.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Abriu as pernas de maneira ridícula pra não cair e esperou o bar parar de balançar. Puxou a cadeira num movimento que não chegava a ser consciente, vindo de um cérebro fragilizado demais para demonstrar mais que um vago interesse nos procedimentos básicos, e sentou rapidamente, antes que a gravidade percebesse o que estava acontecendo. As pessoas da mesa ao lado ja olhavam com certa atençao e provavelmente faziam comentarios maldosos. Acendeu um cigarro esperando a gravidade perder o interesse nele e tentou outra vez, agora com relativo sucesso.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A garçonete perguntou "você tá bem?" com a naturalidade de quem faz essa pergunta várias vezes ao dia. My bad, a resposta dele envolvia ironia, lingua enrolada e os peitos dela. Ela o ajudou a se sentar de volta e ele podia repetir o a ironia, podia diverti-la com a lingua enrolada, pode simplesmente agradecer, mas preferiu repetir o comentário babaca a respeito dos peitos. (absolutamente verdadeiro, é bem verdade, pero colossalmente desnecessario).&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ela sorriu. Nao era um sorriso frio. Ele ja havia recebido muitos sorrisos frios antes. Nao. Aquilo era o equivalente facial a um campo de trabalhos forçados na Sibéria. Era o tipo de sorriso que separa homens de meninos. Era a expressão de quem pretedia colocar, senão um ponto final, ao menos uma vírgula em sua existência. Era o modo mais sutil que ela encontrou de lhe confidenciar como adoraria esquarteja-lo com um alicate de unha.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Eu fiquei tão atormentado com aquilo que saí sem nem esperar o troco(mentira, eu esqueci mesmo. Que atire a primeira pedra quem nunca fez o número do "bebado rico". Além do mais, o bar ficava numa pequena elevação e eu duvido que tivesse condições de subir as escadas novamente). Mas voltando pra casa eu só conseguia pensar naquele maldito sorriso. Na crueldade que ele tentava simular e em como parecia existir uma espécie de linguagem facial específica que parecia funcionar como código social. Eu falo disso num próximo post mas, percebe a beleza da mudança de foco?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Poucas horas antes eu tinha perdido o chão e parecia que nunca mais ia parar de cair, sabe? &amp;nbsp;Quero dizer, eu perdera algo muito importante e àquela altura eu deveria estar em um momento de contemplação depressiva, questionando valores, éticos, morais, profissionais e ideológicos.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Mas ao invés disso, eu fazia conjecturas filosóficas, sobre a careta forçada de uma garçonete(feia) de uma espelunca qualquer da Liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Eu sempre lembro dessa história quando pretendo exemplificar essa relação com o&amp;nbsp;álcool. Não to dizendo que preciso disso pra viver mas admitindo que a vida fica muito mais simples quando vista do lado certo do balcão.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Eu tenho notado que há um&amp;nbsp;certo culto da classe média paulistana (sobretudo da minha idade) aos anti depressivos. Eu juro que entendo.&amp;nbsp;Porque olha, não sei que ilusão venderam pra você mas a vida adulta às vezes pode ficar bem dificil, sobretudo em São Paulo. Essa cidade SUGA a gente, sabe? É um monstro indomável. É o bully sociopata da quinta série. A cidade vai apontar pra você e rir, vai te espancar sem aviso no pátio da escola e vai roubar seu lanche às vezes.Tem gente que aguenta, tem gente que foge e tem gente que quebra.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Eu posso dizer com absoluta convicção que vivo muito bem por aqui. Apesar de concordar que possa ser um jeito imediatista e inútil de resolver um problema (dia seguinte você acorda com o mesmo problema E dor de cabeça) ninguém disse que a intenção era soluciona-lo. No fundo, quem reza no altar da fluoxetina, ou quem toma lá seu pileque só quer esquecer os problemas por um momento pra não enlouquecer e aí quem sabe tentar viver de maneira minimamente digna por aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Por mais paradoxal que possa parecer, minha sanidade mental depende daquilo que a tira eventualmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-2402944417709105087?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/2402944417709105087/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=2402944417709105087&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/2402944417709105087'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/2402944417709105087'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2010/08/por-um-bom-porre-por-uma-boa-vida.html' title='Por um bom porre. Por uma boa vida.'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-824461456153104668</id><published>2010-08-02T23:17:00.012-03:00</published><updated>2010-08-03T09:09:45.635-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pessoal'/><title type='text'>Escreva o título aqui:</title><content type='html'>&lt;i&gt;Blogar lentamente é o re-estabelecimento da máquina como agente da expressão humana, ao&amp;nbsp;invés de seu chicote e de seu recipiente. É a suspensão voluntária da roda de hamster&amp;nbsp;girando à velocidade da luz ditando as regras da blogagem altamente efetiva. É uma&amp;nbsp;imposição de temporalidades assíncronas, onde nós não digitamos mais rápido para alcançar&amp;nbsp;o computador, onde a velocidade de recuperação não necessita do mesmo passo do consumo,&amp;nbsp;onde boas e más obras são criadas em seu devido tempo. É a resposta silenciosa à&amp;nbsp;sociedade consumista do século XXI que impinge maior importância ao volume que à&amp;nbsp;qualidade da informação.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trecho acima é parte do "&lt;a href="http://toddsieling.com/slowblog/?page_id=10"&gt;Manifesto do Slow Blogging&lt;/a&gt;" e eu só colei aqui pra dizer que&amp;nbsp;todos temos nossos preconceitos, em maior ou menor grau, mas todos temos. Eu por exemplo&amp;nbsp;admito profundo preconceito com gente que fala "sociedade consumista do século XXI",&amp;nbsp;gente que chama rega bofe de "comitê" e gente que participa do &lt;a href="http://www.movimentonn.org/"&gt;MNN&lt;/a&gt;. No fundo acho que to&amp;nbsp;falando do mesmo grupo, mas é o primeiro estereótipo que me vem à mente assim de cara.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E porque eu to dizendo isso? Primeiro porque o blog é meu, claro e é magnifica essa&amp;nbsp;coisa de poder dizer o que quiser. Depois porque eu queria poder explicar porque eu&amp;nbsp;passei esse tempo sem postar. A explicação é que não tem explicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;No ápice da minha arrogância (causada por TRÊS pedidos de regularidade no post abaixo), e pelo "fenomeno corinthians" (quando não posto nada meus seguidores aumentam, quando posto&amp;nbsp;com regularidade, eles diminuem) pensei em evocar o "writter's block" pra justificar a&amp;nbsp;falta de atualizações mas vi o filme do Capote ontem e saquei que estou a cerca de 8 ou 9&amp;nbsp;reencarnações de me tornar um "writter", para então (se por um acaso o amor da minha vida&amp;nbsp;assassinar 4 pessoas a sangue frio e me convidar pra ser testemunha de sua execução)&amp;nbsp;adquirir&amp;nbsp;o direito de ter um "block".&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Também não vou repetir nenhum desses clichês manjados do tipo "&lt;a href="http://twitter.com/#search?q=sem%20tempo%20pra%20nada"&gt;to sem tempo pra nada&lt;/a&gt;" porque quem me segue no twitter sabe que não é bem verdade. Nem vou dizer que me faltava assunto porque 93% das pessoas que dizem que falta assunto na verdade são&amp;nbsp;babacas sem conteúdo que inventam estatísticas para validar argumentos vazios.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Não, nada disso. O motivo deste post &amp;nbsp;era genial, original, inesquecível e ia me transformar em&amp;nbsp;uma referência do pensamento contemporâneo. Eu me tornaria um mito da nova era e&amp;nbsp;transformaria vocês em pioneiros do conhecimento. &amp;nbsp;Quando aquelas neo-intelectualóides da FAAP&amp;nbsp;comentassem com vocês sobre a importância de Ricardo Siqueira para o entendimento do mundo em que vivemos,&amp;nbsp;vocês, caros leitores, soltariam risadinhas sarcasticas e contariam como&amp;nbsp;conheceram o unico vencedor de 4 prêmios Nobel quando ele era apenas um blogspoter de avatar gray&amp;nbsp;sepia&amp;nbsp;pagando de personagem de Hero no Facebook(---&amp;gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Mas esqueci o que ia dizer no caminho do trabalho pra casa, o que me faz pensar quantas&amp;nbsp;pessoas podem ter perdido a cura do câncer enquanto se irritavam com uma velhinha contando&amp;nbsp;moedas no caixa do metrô.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que eu garanto com certeza é que a minha carteirinha do MNN ainda não chegou e, a&amp;nbsp;despeito de toda cretinice que eu já tenha cometido (para maiores informações, consultar&amp;nbsp;ex namorada(s) ) eu nunca fiz nem nunca faria nada tão cretino quanto aderir ao Slow Blogging.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Era preguiça, sabe...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-824461456153104668?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/824461456153104668/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=824461456153104668&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/824461456153104668'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/824461456153104668'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2010/08/escreva-o-titulo-aqui.html' title='Escreva o título aqui:'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-3076371153423210760</id><published>2010-07-06T01:13:00.011-03:00</published><updated>2010-07-06T18:01:12.851-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='snapshots'/><title type='text'>Ponto e Contraponto</title><content type='html'>&lt;b&gt;Ponto&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;Era um esqueleto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Um esqueleto de pele bronzeada esticada quase a ponto de romper sobre os ossos delicados de seu crânio. O esqueleto tinha cabelos louros e compridos e lábios perfeitamente delineados. Parecia o tipo de pessoa que as mães apontam resmungando "Tá vendo? Isso é o que vai acontecer com você se não comer legumes!"&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ela passeava entre as prateleiras e se sentia desejada, com aqueles olhos afundados em órbitas gloriosamente ensombrecidas.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Parecia um cartaz da campanha contra a fome, mas vestindo M Officer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Contraponto&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Usava um vestido preto extremamente constrangedor. Não por mostrar mais do que os 10ºC&amp;nbsp;daquela noite permitiam, mas pela instantanea aversão que a visão provocava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Para além da aversão, mostrava dois aspectos exagerados de personalidade: era mais gótica que a aparente idade permitia ser e estava exatos 38 cheese burgueres mais fofa que uma musa renascentista.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Na verdade não parecia ter sido avisada de nenhum dos dois. Dava até pra traçar um perfil estereotipado:&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Gostava de ler Edgard Alan Poe e desconfiava de que ela própria tinha um lado oculto&amp;nbsp;não-explorado. Para ampliar seus aspectos mediúnicos, usava muita jóia de prata e sombra&amp;nbsp;verde nos olhos. Achava que parecia elegante e romântica, e de fato pareceria se perdesse&amp;nbsp;mais uns quinze kilos. Estava convencida de que tinha anorexia, porque toda vez que se olhava no espelho via uma pessoa gorda.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Quando me percebeu observando, cerrou os olhos e me fitou com o que parecia ser o seu "olhar de mistério".&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Foi tragicômico.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-3076371153423210760?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/3076371153423210760/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=3076371153423210760&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/3076371153423210760'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/3076371153423210760'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2010/07/ponto-e-contraponto.html' title='Ponto e Contraponto'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-2530228639634425079</id><published>2010-07-02T14:39:00.000-03:00</published><updated>2010-07-02T14:39:29.098-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='futebol'/><title type='text'>Acabou...</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/TC4kDBKivqI/AAAAAAAAAHg/cu-gb0Cp4IY/s1600/kaka-lamenta-a-derrota-para-a-holanda-e-a-eliminacao-brasileira-na-copa-do-mundo-1278087657979_615x300.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="312" src="http://3.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/TC4kDBKivqI/AAAAAAAAAHg/cu-gb0Cp4IY/s640/kaka-lamenta-a-derrota-para-a-holanda-e-a-eliminacao-brasileira-na-copa-do-mundo-1278087657979_615x300.jpg" width="640" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Teorema&lt;/b&gt;: O futebol é uma caixinha de surpresas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Demonstração &lt;/b&gt;[&lt;i&gt;Voeller&lt;/i&gt;]: Por&lt;i&gt; Reductio ad absurdum&lt;/i&gt;, suponha que o melhor time sempre vence a copa do mundo. Então o Brasil não teria ganho 5 vezes; teria ganho todas. &lt;i&gt;Quod erat demonstrandum&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-2530228639634425079?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/2530228639634425079/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=2530228639634425079&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/2530228639634425079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/2530228639634425079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2010/07/acabou.html' title='Acabou...'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/TC4kDBKivqI/AAAAAAAAAHg/cu-gb0Cp4IY/s72-c/kaka-lamenta-a-derrota-para-a-holanda-e-a-eliminacao-brasileira-na-copa-do-mundo-1278087657979_615x300.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-8217236963151616943</id><published>2010-06-22T00:57:00.008-03:00</published><updated>2011-12-21T16:32:44.269-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pessoal'/><title type='text'>Cinquenta</title><content type='html'>&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-8217236963151616943?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/8217236963151616943/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=8217236963151616943&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/8217236963151616943'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/8217236963151616943'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2010/06/eu-completei-enfim-50-postso-blog-tem-4.html' title='Cinquenta'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-566837341767761280</id><published>2010-06-18T09:35:00.006-03:00</published><updated>2010-06-18T11:57:47.865-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='alheios'/><title type='text'>Rest in Peace</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://durodrigues.files.wordpress.com/2009/10/jose-saramago.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="311" src="http://durodrigues.files.wordpress.com/2009/10/jose-saramago.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Sobre a nudez forte da verdade o manto diáfano da fantasia, parece clara a sentença, clara, fechada e conclusa, uma criança será capaz de perceber e ir ao exame repetir sem se enganar, mas essa mesma criança perceberia e repetiria com igual convicção um novo dito, Sobre a nudez forte da fantasia o manto diáfano da verdade, e este dito, sim, dá muito mais que pensar, e saborosamente imaginar, sólida e nua a fantasia, diáfana apenas a verdade, se as sentenças viradas do avesso passarem a ser leis, que mundo faremos com elas, milagre é não endoidecerem os homens de cada vez que abrem a boca para falar.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;José Saramago (16/11/1922 - 18/06/2010)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-566837341767761280?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/566837341767761280/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=566837341767761280&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/566837341767761280'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/566837341767761280'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2010/06/mestre.html' title='Rest in Peace'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-3408330306582904071</id><published>2010-06-16T15:30:00.006-03:00</published><updated>2010-06-17T18:57:34.881-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='chuvapaulistana'/><title type='text'>Cronica de uma tarde infeliz (parte 2)</title><content type='html'>&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;i&gt;nota para outsiders: Embu-Guaçu, ou apenas Embu é uma cidade a 58 km da capital paulista, ainda na região metropolitana, com acesso pela rodovia Régis Bittencourt(BR 111) que se liga ao trecho sul do Rodoanel(SP-21) recém inaugurado.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://chuvapaulistana.blogspot.com/2010/06/cronica-de-uma-tarde-infeliz-parte-1.html"&gt;&lt;b&gt;PRIMEIRA PARTE AQUI&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Eu costumo dizer que a cidade não nasceu. Ela aconteceu, simplesmente. O sistema de tráfego de São Paulo é muitas centenas de vezes mais complexo do que qualquer um imagina. Isto não tem nada a ver com forças ocultas. Tem mais a ver com situação social, geografia, história e urbanismo(ou a falta dele). Às vezes(e só às vezes), isso funciona de modo vantajoso para as pessoas, embora elas nunca fossem acreditar. Isso, claro, quando não chove. Acontece que sempre chove. E choveu àquela tarde. Esta parte sim, uma desagradável cortesia dos demoninhos supracitados.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;São Paulo não foi projetada para carros. Indo mais direto ao ponto, ela não foi projetada para pessoas. Isso criou problemas, e as soluções que foram implementadas se tornaram os problemas seguintes, cinco ou dez anos depois.&lt;br /&gt;A mais recente solução é o rodoanel, uma rodovia que forma um círculo ao redor da cidade. Até o momento os problemas haviam sido praticamente básicos: coisas como a obsolescência de algo antes de sua construção ser finalizada, filas einsteinianas que acabavam se fechando em torno de si mesmas e a ausência de um plano B, pro caso da caríssima obra não surtir o efeito desejado.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Mas neste dia em específico, uma caminhão de sei-lá-o-que-corrosivo-e-inflamável havia tombado na entrada da anhanguera, esparramando litros e litros de sei-lá-o-que-corrosivo-e-inflamável pela pista. A concessionária devia estar retirando o sei-lá-o-que-corrosivo-e-inflamável de canudinho. Porque só isso poderia explicar a interdição por quase uma hora de TODAS as pistas do sentido São Paulo da larga (e cara, não canso de lembrar) rodovia. E depois disso eu ainda teria de enfrentar a Marginal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Carros, teoricamente, são um método fantasticamente rápido de se viajar de um lugar a outro. Carros em São Paulo, por outro lado, são uma fantástica oportunidade de se ficar absolutamente parado. Na chuva, e no pôr-do-sol, enquanto ao seu redor a sinfonia cacofônica de buzinas fica cada vez maior e mais exasperada, o inferno se instala em cada automóvel deste estacionamento publico...&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E 3 horas depois de sair de Embu, o Fulano, que já tinha virado um daqueles irmãos que a gente ganha nas adversidades (tenho horror a acampamentos mas imagino que pessoas que se perdem no mato desenvolvem amizade semelhante) me deixou enfim na bela e pacata provincia sino-niponica da Liberdade (o floreio é só pra dar uma dimensão da felicidade de chegar em casa).&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A companhia até que foi bem agradável, sabe? Ele até perguntou se podia colocar um cd, o que provavelmente me salvou de ouvir alguma coletanea de Sertanejo Universitário no repeat.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Na verdade, ele estava ouvindo um album com "O Melhor da Bossa Nova", mas não se deve tirar nenhuma conclusão disso porque todos os cds deixados num carro por mais de um semestre se metamorfoseiam em álbuns com "O Melhor da Bossa Nova".&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Em algum momento entre Samba do Avião e Desafinado, eu peguei no sono. O vislumbre seguinte era extra corporal, uma visão aérea, quase um Google Maps mental:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;O fim do mundo estava chegando e as pessoas corriam para a salvação em algum lugar o mais longe possivel de Embu-Guaçu, a cidade maldita (essa parte meu subconsciente deve ter roubado de um filme chinês HORRIVEL que assisti dia desses). O rodoanel não existia; pelo menos não em termos espaciais humanos. A fila de carros que não estavam cientes disso, ou que tentavam encontrar rotas alternativas para fora de São Paulo, estendia-se até o centro da cidade, de todas as direções. Não haviam rotas alternativas, não haviam viadutos, tuneis ou corredores de onibus. Pela primeira vez em sua história, São Paulo estava completamente paralisada. A cidade inteira estava imersa em um imenso engarrafamento.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Não fosse um sonho, obviamente pensaria que o melhor a fazer era descer e procurar a pé um bar aconchegante e beber até ficar completa e profundamente fora de sintonia com o mundo enquanto esperava o fim dele chegar.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O problema é que quase mil novos carros por dia e o noticiário da manhã me fazem crer que talvez, TALVEZ, a cidade esteja mesmo despreparada para o caos iminente. Se um motorista cheio de cafeína, bolinhas brancas e regulamentos de transporte é capaz de parar um dos principais gargalos de entrada da cidade imagine o que acontece DENTRO dela? O que acontece quando os corredores colapsam? O que acontece quando 2 milhões de felizes beneficiados do IPI reduzido decidirem colocar suas máquinas na rua? O que acontece quando não houver mais espaço nem acima nem abaixo do solo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Não imagino que o inferno tenha a competencia e criatividade de inventar algo pior que isso. Na verdade, tenho certeza que naquela noite, a comitiva &amp;nbsp;infernal em visita enviou pelo malote corporativo um relatório para o "andar de baixo" com um memorando: Caras, aprendam!&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Talvez o armagedom chegue com quatro cavaleiros, pestes, fome, guerra e milhões de kilômetros de motoristas impacientes tentando voltar pra casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ps. É meu segundo vislumbre do apocalipse(o primeiro foi &lt;a href="http://chuvapaulistana.blogspot.com/2010/04/o-inferno-de-nipon.html"&gt;num restaurante japonês&lt;/a&gt;) e tenho medo de que no terceiro acabe dando atenção àquele cara do greenpeace parado na esquina da Brigadeiro com a Paulista(embora eu sempre desconfie de sujeitos brancos de cabelo rastafari).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-3408330306582904071?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/3408330306582904071/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=3408330306582904071&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/3408330306582904071'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/3408330306582904071'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2010/06/cronica-de-uma-tarde-infeliz-parte-2.html' title='Cronica de uma tarde infeliz (parte 2)'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-5898905915988577661</id><published>2010-06-11T13:25:00.001-03:00</published><updated>2010-06-11T13:25:58.588-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='alheios'/><title type='text'>Começou!</title><content type='html'>&lt;i&gt;Um país inteiro pára por causa do futebol, mas não pára para resolver o problema da fome... Este sim é o verdadeiro ópio do povo! Faz esquecê-lo de que são explorados, subdesenvolvidos...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;Estou torcendo para o Brasil perder! Assim, o povo voltará á realidade e verá que a vida não é feita de gols, mas de injustiças... Nossa realidade não é tão bela como uma jogada como esta de Pelé invadindo a grande área inglesa e...Penalti! Penalti! Juiz filho da puta! Penalti seu safado!&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Henfil, no Pasquim em 1970&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-5898905915988577661?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/5898905915988577661/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=5898905915988577661&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/5898905915988577661'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/5898905915988577661'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2010/06/opio-do-povo.html' title='Começou!'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-5348473185962239730</id><published>2010-06-09T01:32:00.009-03:00</published><updated>2010-07-13T13:39:38.057-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='snapshots'/><title type='text'>Just Look Around</title><content type='html'>Não me pergunte o que eu estava fazendo lá, mas a rua Vergueiro, esta noite, era um zoológico humano. Um microcosmo da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Se você quer imaginar São Paulo, imagine uma patricinha adolescente, seu cachorro e seus amigos. E um verão que, pra ela, jamais terminou(mesmo quando o termometro marca 12 graus).&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E se você quer saber como será o inverno imagine uma bota... não, imagine um tênis, um all star, cadarços arrastando no chão, chutando uma pedrinha. Imagine uma prostituta de cabelo bicolor, &amp;nbsp;cheirando a vodka e cigarro vagabundo, com um jeito cadenciado de andar, num constante estado de letargia. Imagine um assobio sem melodia, transformando uma canção popular infeliz numa massa de insensibilidade. Imagine um gordinho de mochila, mais bebado que eu, tentando encontrar o caminho pra estação Vergueiro, minutos antes de descobrir que o metrô já fechou. Imagine uma figura, meio anjo, meio demônio, inteiramente humana, vestindo uma minisaia, uma jaqueta de camurça e um sorriso cansado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagine uma cidade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;imagine uma vida...uma vida que segue rigorosamente estática, como se não existisse "o tempo".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-5348473185962239730?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/5348473185962239730/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=5348473185962239730&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/5348473185962239730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/5348473185962239730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2010/06/rua-vergueiro.html' title='Just Look Around'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-5210645486761138905</id><published>2010-06-01T13:29:00.002-03:00</published><updated>2011-11-04T14:43:32.353-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cronicas'/><title type='text'>Crônica de uma tarde infeliz (parte 1)</title><content type='html'>&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Não foi uma tarde escura e tempestuosa.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Deveria ter sido, mas sabe como é o tempo. Para cada cientista louco que teve uma conveniente tempestade justo na noite em que sua Grande Obra está&amp;nbsp;terminada, dezenas ficaram vagando sem objetivo sob as estrelas tranqüilas enquanto São Pedro conta as horas extras.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Mas não deixe o tímido sol (com chuva no final do período, temperaturas caindo a cerca de cinco graus. Patricia Madeira, da Climatempo para o CBN São&amp;nbsp;Paulo) lhe dar uma falsa sensação de segurança. Só porque é uma tarde relativamente tranqüila não quer dizer que forças negras não estejam à espreita. Elas estão à espreita o tempo todo. Elas estão em toda parte. &amp;nbsp;Sempre estão. Esse é o xis da questão. E se o telefone tocar e lhe perguntarem como está de&amp;nbsp;atividade para hoje, elas saírão de seu esconderijo e pularão sobre você com a ferocidade de uma leoa faminta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como tá de comidinha pra hoje*.&lt;br /&gt;- Ah tá tranquilo. Por?&lt;br /&gt;- Fulano tá indo pra Embu. Interessante ter alguém da área técnica com ele**. Pra dizer se é possivel fazer o que os caras estão pedindo.&lt;br /&gt;- Po tudo é possivel chefe. - arrisquei, disfarçando pânico com excesso de café - Problema é só o tempo.&lt;br /&gt;- Ele passa aí quando estiver saindo. Até mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E desligou antes que eu pudesse protestar.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Meu mais novo companheiro de viagem foi solidário, disse que sabia o quanto aquilo era inútil e tentaria tornar a reunião o mais curta possivel; com sorte&amp;nbsp;eu estaria de volta a São Paulo antes da hora do rush. Não foi o que aconteceu afinal, mas o respeito por ter tentado.&amp;nbsp;Era o mamute do dia o que se podia fazer? O conta do bar não perdoa. No meu mundo, qualidade de vida é uma coisa que acontece apenas aos finais de semana e feriados.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E lá estava eu na maldita reunião.&amp;nbsp;É claro que minha presença naquela sala era tão necessária quanto a de &lt;a href="http://blogdojuca.uol.com.br/wp-content/uploads/2010/05/SANCHEZ.jpg"&gt;Andres Sanchez&lt;/a&gt; no mundo. Mas eu me esforçava pra sorrir das piadas cretinas e&amp;nbsp;intervenções ridículas (sabem o que é pior que um sujeito q se denomina "analista de mídias sociais" com mais de 50 anos de idade? Um sujeito que se&amp;nbsp;denomina "analista de mídias sociais" com mais de 50 anos de idade que acredita ter 25) enquanto procurava desesperadamente uma conexão wi-fi desbloqueada.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Já passavam das 5 da tarde e eu não podia imaginar àquela altura que vivia a parte menos desagradável do dia. Quando aquilo acabasse, ainda teria de&amp;nbsp;enfrentar a volta pra casa. E é aí que os problemas DE FATO iriam começar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;continua...&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Meu gerente se refere a trabalho como "comidinha". Esta é só uma das coisas desagradáveis que posso falar sobre ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;** Tenho preguiça de gerente que fala "área técnica". Menos por isso denotar uma completa falta de entendimento da própria equipe e mais pela generalidade&amp;nbsp;da expressão. Tanto o diretor de engenharia da Itaipu Binacional, como o assistente de iluminação do Brasileirinhas nº5 fazem parte da área técnica. Por&amp;nbsp;falta de emprego melhor do termo, sempre entendi "área técnica" como aquele quadrado à beira do campo de onde o treinador grita "pega pega pega" e "vai vai&amp;nbsp;vai".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-5210645486761138905?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/5210645486761138905/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=5210645486761138905&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/5210645486761138905'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/5210645486761138905'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2010/06/cronica-de-uma-tarde-infeliz-parte-1.html' title='Crônica de uma tarde infeliz (parte 1)'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-2658991965790728016</id><published>2010-05-25T12:24:00.002-03:00</published><updated>2010-05-25T12:30:16.375-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='alheios'/><title type='text'>Guia do Mochileiro das Galáxias</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/S_vq1DJs9jI/AAAAAAAAAG0/ztqJcRRusIY/s1600/diadatoalha.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://2.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/S_vq1DJs9jI/AAAAAAAAAG0/ztqJcRRusIY/s320/diadatoalha.jpg" width="273" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;"Muito além, nos confins inexplorados da região mais brega da Borda Ocidental&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;desta Galáxia, há um pequeno sol amarelo e esquecido.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Girando em torno deste sol, a uma distância de cerca de 148 milhões de&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;quilômetros, há um planetinha verde-azulado absolutamente insignificante, cujas formas de&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;vida, descendentes de primatas, são tão extraordinariamente primitivas que ainda acham que&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;relógios digitais são uma grande idéia.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Este planeta tem   ou melhor, tinha   o seguinte problema: a maioria de seus&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;i&gt;habitantes estava quase sempre infeliz. Foram sugeridas muitas soluções para esse&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;i&gt;problema, mas a maior parte delas dizia respeito basicamente à movimentação de pequenos&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;i&gt;pedaços de papel colorido com números impressos, o que é curioso, já que no geral não&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;i&gt;eram os tais pedaços de papel colorido que se sentiam infelizes.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;E assim o problema continuava sem solução. Muitas pessoas eram más, e a maioria&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;i&gt;delas era muito infeliz, mesmo as que tinham relógios digitais.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Um número cada vez maior de pessoas acreditava que havia sido um erro terrível da&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;i&gt;espécie descer das árvores. Algumas diziam que até mesmo subir nas árvores tinha sido uma&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;i&gt;péssima idéia, e que ninguém jamais deveria ter saído do mar.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;E, então, uma quinta-feira, quase dois mil anos depois que um homem foi pregado&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;i&gt;num pedaço de madeira por ter dito que seria ótimo se as pessoas fossem legais umas com&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;i&gt;as outras para variar, uma garota, sozinha numa pequena lanchonete em Rickmansworth, de&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;i&gt;repente compreendeu o que tinha dado errado todo esse tempo e finalmente descobriu como&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;i&gt;o mundo poderia se tornar um lugar bom e feliz. Desta vez estava tudo certo, ia funcionar, e&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;i&gt;ninguém teria que ser pregado em coisa nenhuma.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Infelizmente, porém, antes que ela pudesse telefonar para alguém e contar sua&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;i&gt;descoberta, aconteceu uma catástrofe terrível e idiota, e a idéia perdeu-se para todo o&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;i&gt;sempre.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Esta não é a história dessa garota.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;É a história daquela catástrofe terrível e idiota, e de algumas de suas conseqüências.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;É também a história de um livro, chamado &lt;b&gt;O Guia do Mochileiro das Galáxias"&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Esta é a introdução da melhor série que já li na vida, do genial &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Douglas_Adams"&gt;Douglas Adams&lt;/a&gt;, morto em maio 2001.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;E pra você que viu #diadatoalha no TTBr e não entendeu nada: &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Towel_Day"&gt;Towel Day&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-2658991965790728016?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/2658991965790728016/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=2658991965790728016&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/2658991965790728016'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/2658991965790728016'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2010/05/guia-do-mochileiro-das-galaxias.html' title='Guia do Mochileiro das Galáxias'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/S_vq1DJs9jI/AAAAAAAAAG0/ztqJcRRusIY/s72-c/diadatoalha.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-6793175308842955599</id><published>2010-05-24T11:34:00.001-03:00</published><updated>2010-05-24T11:46:01.973-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pessoal'/><title type='text'>Eu, você e a vodka</title><content type='html'>&lt;i&gt;&amp;nbsp;- Eu devia estar meio Neruda ontem né?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;- Sinceramente? Tava mais pra Wando.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Tente imaginar um mundo com um enorme buraco no formato de "noite passada". Pois bem. É minha memória. Passei as ultimas horas tentando lembrar qualquer coisa mas nada me veio. Então, por mais que seu relato seja um pouco assustador, fico com ele e não ouso tentar justificar qualquer coisa.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Lembro de você e uns amigos aqui em casa e lembro de uma quantidade colossal de um certo destilado cossaco. Lembro de ir pra rua e acredito que foi neste momento que acabou a tinta da impressora no departamento da memória de curto prazo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Lembro de acordar, hoje, e você olhava pra mim. E pensei na hora que, não importa o que eu tenha de sacrificar, não importa o que eu tenha de fazer, não quero ter de encarar aquele olhar decepcionado novamente.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Agora a pouco o vizinho passou pela minha porta proferindo algumas especulações grosseiras sobre o modo de vida de minha progenitora. Foi meio patético mas desconfio ter feito algo pior ontem. É sabado. São 11 da noite e desliguei o celular porque não quero sair hoje. &amp;nbsp;Talvez eu só precise de uma boa noite de sono. Gosto do talvez no inicio das frases porque ele me tira a responsabilidade de mante-las depois. Provavelmente eu te decepcionaria muito menos se minhas frases ontem contivessem mais talvezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falando em precisar, eu poderia passar o noite inteira neste exercicio de imaginar o que talvez eu precise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Talvez eu precise de alguém que preencha este branco de tantas horas e tenha a bondade de me poupar das partes mais constrangedoras. Talvez eu precise de alguém que entenda o que aconteceu e que me conheça bem, ou pelo menos bem o suficiente pra não perder tempo emitindo julgamentos (gosto mais quando emitem piadas). Talvez eu precise de alguém que dance comigo quando eu estiver fazendo cosplay de zumbi do Resident Evil na pista. Talvez eu precise de alguém que me dê uma direção quando nada mais fizer sentido e me carregue pra casa enquanto eu jogo squash com os muros da rua (eu era a bola). Talvez eu precise de alguém que me apoie quando eu estiver obviamente errado e me defenda dos mendigos que eu chamei pra briga. E, quando coisas como bom senso, noção, auto preservação e prudencia se tornarem meras epístoles de ser, eu preciso de alguém que não acredite em uma unica palavra do que eu disser.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Talvez eu conheça alguém assim, mas talvez eu prefira deixar esse assunto para algum lugar indefinido, nessa nuvem invisivel chamada futuro, de preferencia com encefalo e fígado em melhores condições de trabalho. Por hoje eu só queria te desejar boa balada e, por experiencia própria, vá devagar com vodka.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bjos&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-6793175308842955599?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/6793175308842955599/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=6793175308842955599&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/6793175308842955599'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/6793175308842955599'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2010/05/eu-voce-e-vodka.html' title='Eu, você e a vodka'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-2616593710255264873</id><published>2010-05-19T13:05:00.001-03:00</published><updated>2010-05-19T13:09:14.197-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='chuvapaulistana'/><title type='text'>Non Dvcor Dvco (aos heróis da resistência)</title><content type='html'>&amp;nbsp;&amp;nbsp; A vida é hostil nas terras de padre Anchieta. Passar por ela relativamente impune requer tanta habilidade quanto a necessária a se conseguir uma mesa externa no Salve Jorge do centro em tarde de rodada dupla. É o tipo de coisa que envolve tempo livre, paciência, atenção e todo tipo de atividade eticamente condenável que vai de notas inseridas furtivamente em bolsos de avental, mentiras proferidas com honestidade e chantagem emocional. Mas aquele grupo conseguiu. Sobreviviam à cidade e tinham duas ótimas mesas ao ar livre numa tarde de excepcional beleza. Mereciam reverencia.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Discorriam sobre a superioridade da pizza paulistana em relação à carioca e rolou até um gráfico explicativo num guardanapo. Comparar São Paulo e Rio é o tipo de assunto que não enjoa nunca. A determinado momento, alguém comentou sobre a programação esportiva pro final de semana e apresentou-se a deixa perfeita para o segundo assunto mais comum da mesa: Falar mal de São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- Pro inferno com a Indy! Plena temporada de chuvas e o gênio me mete um circuito na Marginal?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- Tomara que alague aquela merda!&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- E pior! O mundo inteiro olhando! Não tinha nada mais feio pra mostrarem não?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- Mas é a maior reta do automobilismo!&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- Grande merda! É mais tempo com o Tietê aparecendo na televisão.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- Pois é...se era o caso de esculhambar a cidade, mostrassem logo aquela aberração do Borba Gato.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- Ou o Minhocão.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- Ou aquele prédio brega da Daslu.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- Podia rolar um semáforo né?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- É! Com um pivete fazendo malabares!&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- Ou motoboy fazendo corredor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Aquele do guardanapo já começava a desenhar um mapa do circuito quando a primeira gota molhou o papel e silenciou a mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;É necessário abrir um parentese aqui pra quem não é de São Paulo. A chuva por essas bandas cai de maneira, digamos, politicamente incorreta. Enquanto em outros lugares começa com uma fina garoa que eventualmente aumenta para um volume maior de água, em São Paulo caí uma unica gota. Uma unica sarcastica, mal educada e filha da puta de uma gotinha. É uma piada de mal gosto que se repete diariamente. Mal dá tempo de dizer "fodeu" e despenca sobre a cidade algo como o Oceano Atlântico passado numa peneira. Há um tempo médio de alguns segundos (que é quase uma constante matemática) em que todo mundo consegue encontrar o guarda chuva na bolsa ou uma área coberta. Esse tempo é conhecido popularmente como "tarde demais". Fecha parentese.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Mas enquanto as mesas ao lado esvaziavam, e as pessoas corriam desesperadamente para dentro do bar, aquele grupo permanecia impávido e até um pouco resiliente. O pequeno guarda sol sobre a mesa era insuficiente para proteger a todos. Por um segundo eles se olhavam, esperando a primeira reação. Alguém com as referencias certas, observando a cena a distância teria imaginado o &lt;a href="http://www.nga.gov/feature/artnation/verspronck/images/hals/banquet/halsbanquet.jpg"&gt;"Banquete" de "Frans Hals"&lt;/a&gt; (se no século 15 existisse tinta á prova dágua e no Louvre existisse um funcionário demente tentando lavar os quadros. É claro que uma pessoa capaz de imaginar tudo isso não o faria, pois também estaria fugindo da chuva).&lt;br /&gt;Até que um deles, enfim, se manifestou.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;-Eu não vou sair daqui! Eu to bebado eu to puto e eu não vou sair daqui!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Acontece que havia uma questão de coerência envolvida ali. São Paulo sempre foi apegado a tradições. A mesma prepotencia conservadora que em 32 transformou um bando de caipiras do café em veiradeiros Henry Fords na construção de barricadas, mantinha, de certa forma, as coisas em seu lugar, em detrimento do natural desenvolvimento da cidade. O que, se você parar pra pensar é uma estupidez, porque progresso se consegue justamente experimentando novas formas. Mas há mesmo alguma coisa no "orgulho paulistano" que é auto destrutivo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Fato é, que se você se orgulha de conseguir uma mesa num boteco disputado, diz adorar a cidade e tem um blog com nome de chuva, não pode simplesmente largar a cerveja e sair correndo igual mocinha. Acredito que era um pensamento parecido que justificava a imobilidade e silêncio do resto do grupo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Como que num gesto de aceitação da condição de banda do Titanic, o do guardanapo acenou para o garçon que, com um sorriso incrédulo, trouxe mais garrafas.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- Qual era o assunto mesmo?...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O sol em pequenos rompantes, começava a furar o bloqueio das nuvens já nem tão carregadas e a chuva diminuía e ameaçava desistir. Alguém fez uma piada sobre mulheres pilotando. Era uma piada realmente boa.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Que se dane a tempestade, ia ser uma tarde interessante, afinal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-2616593710255264873?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/2616593710255264873/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=2616593710255264873&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/2616593710255264873'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/2616593710255264873'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2010/05/non-dvcor-dvco-aos-herois-da.html' title='Non Dvcor Dvco (aos heróis da resistência)'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-1631313301488312234</id><published>2010-05-11T11:44:00.011-03:00</published><updated>2011-12-21T16:34:30.969-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cronicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='personagens'/><title type='text'>Domingo de missa</title><content type='html'>&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;Havia uma amiga do trabalho com quem ele teve um curto approach e ele tinha uma tendência inacreditável a aceitar os convites mais insólitos em situações assim. Daí que essa amiga inventou que uma missa na Sé era a experiência mais edificante e íntima que duas pessoas poderiam ter. Bem, nada contra experiências edificantes e íntimas. Experiências edificantes e íntimas são boas pra ele. O mundo provavelmente precisava de mais experiências edificantes e íntimas. Mas ele havia deixado perfeitamente claro que essa experiência edificante e íntima em específico, ela podia muito bem ter sozinha. Só que nunca soube dizer 'não' e ali estava.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Pra ele, igrejas tem algo errado: cera polidora para a parte de baixo, um incenso um tanto suspeito para a parte de cima. Agua meio anti-higienica na porta e o biscoito. O que é aquele biscoito gente? No fundo da poltrona de couro de sua alma ele sabe que, se Deus existe, fica constrangido com esse tipo de coisa.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Mas ele gosta de ver freiras, da mesma forma como gosta de ver o Exército da Salvação. Isso o faz sentir que esta tudo bem, sabe? Que as pessoas em algum lugar estão mantendo o mundo nos eixos. Elas não sentaram. Se dividiram em dois grupos e lotaram os corredores laterais. Passou um bom tempo analisando seus trejeitos, formas e rituais. Desviou o olhar arrependido quando notou que começava a achar as mais novas ligeiramente atraentes. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O padre falava sobre um outro sacerdote, de pé ao seu lado que acabava de voltar de uma missão no exterior. Não disse que tipo de missão mas possivelmente envolvia africanos violentos lutando contra outros africanos violentos e religiosos insuflando-os em vez de se preocuparem com atividades sacerdotais. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Na fileira da frente, uma menininha no colo da mãe estava visivelmente aborrecida.Ela começou a chorar. Não a culpava. ELE já estava quase chorando. Uma das freiras paradas nas laterais se aproximou rapidamente para tentar acalmar a criança, sem sucesso. O que parecia ser o pai da menina a tirou do colo da mãe e abraçou forte. Ela parou de chorar quase que imediatamente. As freiras, uma inclusive mais que as outras, olharam fuzilando para homem. Não viam motivo para que o pai se envolvesse nos procedimentos. Pensando bem, devaneou, elas provavelmente não viam motivo para que o pai se envolvesse em QUALQUER COISA.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Aquilo já estava sufocante e ficou refletindo sobre o que aconteceria se perguntasse à freira quanto tempo mais duraria a missa. Provavelmente o Papa lhe enviaria uma nota de reprimenda ou algo assim. Mudou de posição e deu uma olhadela no relógio. Havia passado um hora bem longa.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Estava perto da saída lateral onde havia uma espécie de pátio minusculo antes da rua e uma plaquinha na parede que sugeria que, para seu próprio conforto, ele não fumasse. Para seu próprio conforto, decidiu, iria fumar lá fora. Se houvesse um degrau discreto para seu próprio conforto ali, tanto melhor. Não foi nenhuma surpresa encontrar pequeno grupo que havia tido a mesma idéia. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Quando voltou, já se formava a fila do biscoitinho. Uma de suas cenas prediletas do cinema envolvia Monica Bellucci, em trajes de viúva, extendendo a lingua de maneira monicamente excitante para o padre e recebendo exuberante a hóstia.Nada podia ser mais mentiroso. A realidade tratava de duas dúzias de senhoras se acotovelando no corredor central para garantir um lugar melhor na fila. O importante é que o pesadelo havia, finalmente, acabado.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Mas daquele dia em diante sua vida mudou. Decidiu que nunca mais se permitiria alcançar um nível de carência que o levasse acreditar que uma experiência edificante e intima numa igreja era o caminho mais fácil pra comer alguém. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, salvo alguns eventuais tropeços, sua vida tem sido melhor desde então.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-1631313301488312234?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/1631313301488312234/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=1631313301488312234&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/1631313301488312234'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/1631313301488312234'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2010/05/domingo-de-missa.html' title='Domingo de missa'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-6876639620123833875</id><published>2010-05-03T11:37:00.000-03:00</published><updated>2010-05-03T11:37:26.629-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='personagens'/><title type='text'>Mala Suerte</title><content type='html'>&lt;b&gt;O cara do post não sou eu. Isto é um texto de ficção. &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagine um cara. Meio gordinho disfarçado, meio musculoso. Não se acha baixinho com 1,75, mas acredita que seria uma pessoa bem mais feliz se tivesse uns 2 metros. Ele mora em São Paulo, porque, em respeito ao título desse blog, meu personagem precisa ser paulistano. E ele, coincidentemente se chama Ricardo. Na verdade ele se chama Ricardo Siqueira, por uma dessas absolutas coincidencias da vida. Os amigos o chamam de Siqueira, ou Sica, porque um ex amigo babaca decidiu que existiam Ricardos demais no mundo. E era um babaca popular.&lt;br /&gt;E já que é um post de suposições, suponhamos que Deus exista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus não joga dados com a vida desse cara; Ele joga um jogo inefável de sua própria criação, que poderia ser comparado, da perspectiva de qualquer um dos outros jogadores, (todos os dois) a uma obscura e complexa versão de pôquer numa sala completamente escura, com cartas em branco, por apostas infinitas, com um crupiê que não lhe diz quais são as regras e sorri o tempo todo.&lt;br /&gt;E a vida dele varia entre lances errados e lances MUITO errados. &lt;br /&gt;Esse cara ontem descia a rua augusta, completamente bebado, com um amigo. No sentido contrario, vinha uma dessas indies, de cabelo desfiado e um vestido que definitivamente, não fora feito pra ela. Ela era meio desconjuntada, e parecia vestir um saco. Lembrou que a ex namorada tinha um parecido e resolveu mandar uma mensagem de texto pra ela. Sabia que ela estaria dormindo se ligasse, mas na mente etílica dele, era extremamente importante que ela soubesse que nem todas ficavam tão bem quanto ela naquele tipo de vestido e que isso era uma virtude, afinal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda tentava lembrar o que aconteceu depois quando um estrondoso barulho de sirene o trouxe de volta ao quarto. O telefone parecia ter tocado dentro da cabeça dele. Estava no modo de vibrar e era como estar deitado na cama de 'O Exorcista'.  Já passava das 3 da tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ahm.&lt;br /&gt;-Fala Sica...&lt;br /&gt;-Que é?&lt;br /&gt;-Tá com dor de cabeça?&lt;br /&gt;-Não, mas to tentando lembrar como cheguei aqui.&lt;br /&gt;-Eu te levei.&lt;br /&gt;-Valeu.&lt;br /&gt;-Brother...pega leve...você perdeu a noção ontem. Usou alguma coisa?&lt;br /&gt;-Não lembro nem de ter bebido...&lt;br /&gt;-Bixo...sem noção...sem noção.&lt;br /&gt;-To com medo de lembrar de ontem.&lt;br /&gt;-Bom..só liguei pra saber se tava vivo.&lt;br /&gt;-Brigado por me trazer em casa.&lt;br /&gt;-Tá...&lt;br /&gt;-Falou!&lt;br /&gt;-Falou...&lt;br /&gt;-Ah...outra coisa...&lt;br /&gt;-Que?&lt;br /&gt;-Sabe da L?&lt;br /&gt;-Tu se atracou com uma gordinha estranha lá bixo. Ela viu. Foi embora.&lt;br /&gt;-Até mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amigo desligou sem responder...&lt;br /&gt;Não tinha mandado a tal mensagem pra ex namorada. Mandou foi uma porção delas, algumas bem líricas, que ela respondeu de manhã, reclamando de ter sido acordada. Porque toda vez que ficava bebado ele se sentia o Pablo Neruda do SMS?&lt;br /&gt;E conforme a consciencia conseguia, a duras penas, retormar um mínimo de normalidade, algumas coisas começavam a fazer sentido.&lt;br /&gt;Nada daquilo havia acontecido. A tal cena da augusta e o tal sms, ele mandou meses antes e a resposta tinha a mesma idade. A conexão, ele notou, era ter revisto a mesma garota desconjuntada na noite anterior....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;ela usava o mesmo vestido, ou um parecido, tanto faz. E continuava parecendo sofrer de lordose cronica. Puxou assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Vestido bonito&lt;br /&gt;-Obrigada&lt;br /&gt;-Só elogiei O VESTIDO.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela e as amigas riram. ELAS RIRAM! Incrível a falta de respeito próprio dessas meninas da noite. E tinha uma amiga. Era bem gordinha e...ah não...NÃO!!!&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ligou pra L. Ninguém atendeu. Não era pra menos. Fosse com ele, também não atenderia. É realmente incomoda a forma como as regras do jogo mudam quando suas cartas já estão na mesa e é tarde demais pra recolhe-las. E ele até que era um bom jogador. Não tinha sorte...só isso. Lembrou dela lhe dando uma oportunidade única...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;-Não vamo entrar não. Vem pra casa comigo.&lt;br /&gt;-Mas eu prometi pro pessoal&lt;br /&gt;-Ah pára Siqueira. Acha que alguém vai sentir falta?&lt;br /&gt;-Olha só, a gente entra, fica duas horinhas e sai. Beleza?&lt;br /&gt;-Tá, né&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começou a escurecer...havia passado a tarde inteira olhando pro teto e desenvolvendo uma respeitável ressaca moral. Tinha sido um dia quente e úmido...a janela estava aberta quando começou a garoar.&lt;br /&gt;Era como uma versão incomodamente real daquele flamenco famoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Llovizna,&lt;br /&gt;Llovizna...&lt;br /&gt;a bañar mi mala suerte&lt;br /&gt;a bañar la surte &lt;br /&gt;mina &lt;br /&gt;Llovizna...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantou da cama de um salto procurando. O sentido da vida ou o telefone da pizzaria, o que viesse primeiro...veio o telefone ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo aquilo soava como uma piada divina. Mas a verdade é que até o conceito de divino soava como uma piada.&lt;br /&gt;Por que fazer as pessoas curiosas e depois colocar algum fruto proibido absolutamente visível, com um grande dedo de néon piscando e dizendo "É AQUI!"? Quero dizer, apontar para a Árvore e dizer "&lt;b&gt;Não Toque&lt;/b&gt;", em maiúsculas, não é lá muito sutil, sabe? Por que não colocá-la no alto de uma montanha ou num lugar bem distante? &lt;br /&gt;Não faz sentido, como nada em sua pregressa educação religiosa nunca fez e por isso, infelizmente a conclusão de que ele era, afinal, único e exclusivo responsável pelo que fazia a si e a outras pessoas. E no processo evolutivo, ele sabia, gente como ele seria fatalmente extinta. Uma pena, estava começando a gostar desse negócio de botar a culpa em alguém. &lt;br /&gt;Mas o fato é que havia sido divertido. E definitivamente ele não era o único a sorrir, em sua memória. Porque tudo era culpa dele afinal? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo aquilo o deixava clautrofóbico, vestiu a roupa da noite anterior (ainda jogada no chão com manchas que ele nem desconfiava a origem) e foi pra rua. &lt;br /&gt;Já era noite e algumas quadras à frente tinha um bar lotado. Nunca tinha entrado lá e as pessoas sentadas do lado de fora não o tornavam muito convidativo.&lt;br /&gt;"Foda-se", pensou, "é melhor que ficar em casa remoendo essa merda."&lt;br /&gt;E lá dentro a unica mesa livre ficava ao lado de uma cantora de cabelo maltratado, que desafinava em oito tons diferentes, acompanhada de um sósia do Roberto Leal que tocava Djavan no violino. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DJAVAN!!! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NO VIOLINO!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E no canto mais escuro do inferno, alguém sorria e anotava mais um ponto...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-6876639620123833875?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/6876639620123833875/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=6876639620123833875&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/6876639620123833875'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/6876639620123833875'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2010/05/mala-suerte.html' title='Mala Suerte'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-823853867245799214</id><published>2010-04-29T12:19:00.003-03:00</published><updated>2010-04-29T12:52:26.641-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pessoal'/><title type='text'>Abóbora</title><content type='html'>Para ler ouvindo &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=ykUJI1H-rWM"&gt;High Contrast - Music is Everything&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/-mRMIfr7c4o&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/-mRMIfr7c4o&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa talvez seja uma das melhores músicas que já escutei na vida. E é com certeza a mais frequente. Me impressiona a forma como ela faz tudo parecer mais...lírico.&lt;br /&gt;É como se ela resumisse de forma poética tudo que nunca teve nada a ver com poesia. Ela traz melodia a um monte de pedaços colados de diferentes épocas e talvez por isso me jogue em um monte de auto retratos misturados e dificilmente identificáveis(flashs de memória deveriam vir taggeados por data/local) de tudo que acontece quando saio à noite. Desde o tempo em que acreditava que tudo era válido "'cause music is my life".&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E, olha, tem sido divertido.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;De cabelo laranja na parada da paz ou completamente chapado num porão do Arouche. Levemente bebado no finado Lov.e, ou tentando sem sucesso ficar de pé na porta do Atari. Na cobertura do hotel Unique ou no banheiro da Lôca. Numa fazenda paradisíaca ou numa garagem decrépita.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Tem sido divertido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Eu também tenho preguiça de parte considerável do "povo da noite" e entendo perfeitamente quem não compartilha o mesmo amor por esse tipo de diversão. Em circunstâncias normais, não dividiria o mesmo kilometro quadrado com pessoas que costumo cumprimentar efusivamente na balada.&lt;br /&gt;Mas, o que eu posso fazer? É uma parte indissolúvel de mim e meio que dá significado a todo o resto.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O texto era pra falar da minha relação com a música que sugeri, mas acho que na verdade eu só fiz esse post pra me justificar e justificar este tema ser tão recorrente por aqui. Sabe, eu tinha quinze anos e a gente é meio influenciável nessa idade. E um cara do colégio me chamou para um club lá na Mooca em que ninguém pedia o RG. Ele contou sobre as luzes, sobre as danças, sobre as roupas e sobre as músicas dos K7's que ele gravava. Eu nunca tinha passado uma noite fora mas parecia empolgante. Eu fui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;E acho que nunca mais voltei pra casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-823853867245799214?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/823853867245799214/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=823853867245799214&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/823853867245799214'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/823853867245799214'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2010/04/para-ler-ouvindo-high-contrast-music-is.html' title='Abóbora'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-6660280974336415373</id><published>2010-04-26T11:59:00.003-03:00</published><updated>2010-08-09T19:54:00.303-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cronicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='geral'/><title type='text'>O caso do leite.</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/TGCG9XRZeCI/AAAAAAAAAHs/5yKDMPXfYKs/s1600/e-o-vencedor-da-SP-Indy-300-prontamente-entende-a-mensagem.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/TGCG9XRZeCI/AAAAAAAAAHs/5yKDMPXfYKs/s400/e-o-vencedor-da-SP-Indy-300-prontamente-entende-a-mensagem.jpg" width="325" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Eu não sou muito bom em história mas acho que foram os romanos que introduziram a idéia da "dominação cultural". É assim: Eu invado teu país, passo a faca&amp;nbsp;em todo mundo e pra tentar evitar animosidades, insiro meus próprios costumes e tradições &amp;nbsp;a quem sobrar. A idéia é que, se em determinado momento, você ficar parecido&amp;nbsp;comigo, talvez pare de me odiar, ou me odeie menos.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Deu tão certo, que ao longo da história isto tem se repetido à exaustão! E da-lhe guarani fazendo sinal da cruz, árabe falando francês e indiano jogando&amp;nbsp;criquet. É claro que costumavam fazer como se fazia tudo naqueles tempos: na base da porrada. Mas os Estados Unidos, que seu amigo no CA da USP adora odiar, &amp;nbsp;acharam um jeito bem mais interessante de efetuar a prática: Fazendo ela parecer tão interessante, que você vai querer PAGAR por ela.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Eu não sou nenhum anti-yankee ou coisa que o valha, muito pelo contrário, coca-cola e delivery estão pra mim entre as maiores conquistas da humanidade.&amp;nbsp;Acho até importante que se difundam certos conceitos, como civilidade e democracia. Mas não se pode negar que a idéia toda produza certas excrescências como&amp;nbsp;efeito colateral. Sabe aquela coisa mal copiada que você fica olhando e pensando "mas eles não entenderam nada"? Então. Assim de improviso, lembro de cheer&amp;nbsp;leaders em estádio de futebol, Dubai e hip hop francês*. Mas São Paulo mês passado inseriu mais uma abominação nesta lista e o nome dela é &lt;b&gt;SP300&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Em poucas palavras a coisa toda envolveu uma prova de fórmula Indy, um "circuito" de rua esburacado, Marginal Tietê em temporada de chuvas, Sambódromo,&amp;nbsp;Theo José e Adriane Galisteu. E se você ainda não está chocado o suficiente eu acrescento que a TV mostrava flashs do "camarote Band" com "celebridades"(ou&amp;nbsp;o que a Rede Bandeirantes de Televisão entende por "celebridade") destilando todo seu conhecimento esportivo/automotivo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Longe de mim fazer o tipo paranóico sabe, mas por muito menos rolou todo um golpe de estado um Honduras!&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Só que o ápice ainda estava por vir e aconteceu nos ultimos momentos da cerimônia de premiação. Não que, àquela altura eu me surpreendesse com qualquer&amp;nbsp;coisa(pra ser sincero, se surgisse um bolo no meio do pódio e Narcisa Tamborindeguy saísse de dentro dele dizendo "absuuurdo!" eu acharia até coerente) mas&amp;nbsp;eles se esforçaram: Ao invés do tradicional champagne, o vencedor tomou leite no pódio.&amp;nbsp;Leite, meu deus, LEITE! Aquele líquido branco que usam pra fazer queijo! L-E-I-T-E!&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Agora se você é metido a espertinho e já pensava em me chamar de ignorante e dizer que lá também é assim eu me antecipo, não tão caro leitor: O Estado de&amp;nbsp;Indiana é o maior produtor de leite dos EUA(lembro de ter lido em algum lugar que a proporção é de quase 8 ou 9 vacas por habitante). Logo, quando ocorrem&amp;nbsp;as 500 milhas de Indianápolis (e só nesta prova), como que para homenagear o Estado, o vencedor se acaba numa orgia láctea. É meio nojento, mas tem lá seu&amp;nbsp;fundo histórico.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Não que eu esperasse algo diferente, sabe? Indy é tipo a série B do automobilismo. Então, glamour pra tomar champagne eles também não tem. Nem São Paulo,&amp;nbsp;que me perdoem vocês aí no Iguatemi. Por outro lado o que poderia representar a cidade na cerimônia? Uma barra de concreto? Um pedaço de asfalto? Um&lt;br /&gt;vidrinho de fumaça? Ele poderia se banhar no Tietê, se aquela água fosse líquida. Eu não sei o que poderia ser, mas o que não deveria, em absoluto, &amp;nbsp;simbolizar esse pedacinho do inferno que eu tanto amo, eram o governador com seu &lt;a href="http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/files/2010/04/capa-serra1.jpg"&gt;sorrisinho cativante&lt;/a&gt;&amp;nbsp;entregando uma caixinha de longa&amp;nbsp;vida pro speed racer da vez.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Eu não sei quem é o responsável pelo evento mas adoraria perguntar onde, exatamente, ele buscou inspiração. Eu queria saber quando, desde Cabral, houve uma&amp;nbsp;tradição pauslitolaticinea. O mundo todo deve pensar agora que por aqui temos a capital nacional do leite. Fosse nos anos 70/80 ia ter gringo descendo em&amp;nbsp;Cumbica perguntando "donde están las vaquitas".**&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Eu lembrei dessa história porque existe um tipo de paulistano que tem ficado cada vez mais&amp;nbsp;frequente. É aquele sujeito meio reaça, meio nouveau riche que&amp;nbsp;adora imaginar a cidade como uma ilha de competencia e organização, no mar de caos e desgoverno do "resto" do país. Na próxima vez que conversar com um&amp;nbsp;exemplar do gênero, vou , com prazer, lembra-lo que um dos eventos mais importantes no calendário oficial da cidade é uma corrida de carros, no sambódromo,&amp;nbsp;onde todos disputam pra ver quem toma leitinho no final.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;É o tipo de argumento que encerra qualquer discussão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*tenho uma ex que incluiria aqui aqueles filmes de ação franceses. Olha, sinceramente acho que com um pouco de má vontade eu incluiria TODA a produção pop&amp;nbsp;da França, mas talvez me falte alguma pesquisa de campo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**que fique registrado, eu poderia ter colocado um trocadilho sexista e clichê aqui e não o fiz. Não que eu não tenha pensado em alguns...&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-6660280974336415373?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/6660280974336415373/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=6660280974336415373&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/6660280974336415373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/6660280974336415373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2010/04/o-caso-do-leite.html' title='O caso do leite.'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/TGCG9XRZeCI/AAAAAAAAAHs/5yKDMPXfYKs/s72-c/e-o-vencedor-da-SP-Indy-300-prontamente-entende-a-mensagem.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-2213353606194253419</id><published>2010-04-20T12:18:00.004-03:00</published><updated>2010-04-20T15:36:00.006-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pessoal'/><title type='text'>Fora do ninho (parte 2)</title><content type='html'>&lt;i&gt;uma noite estranha em BH...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://chuvapaulistana.blogspot.com/2010/04/fora-do-ninho-parte-1.html"&gt;Primeira parte aqui...&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Era pra ser só uma saída tranquila. Uma cerveja num boteco qualquer do Savassi com a &lt;a href="http://contandocanto.blogspot.com/"&gt;Larissa&lt;/a&gt;, amiga blogueira de uns bons anos, e voltar pra casa cedo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O bar era como qualquer pé sujo do Brasil. Mesas externas lotadas numa noite quente e um misto de gente feia e bonita, quase que invariavelmente mal vestida. Até ali tudo ia maravilhosamente bem. Notei que na esquina havia um Mc Donalds lotado, com gente aglomerada na porta. Fiz uma anotação mental para tornar o local uma opção viável para posteriormente. Se tem uma coisa que a gente aprende depois de um tempo andando só pela noite é de que, quando tudo der errado, tudo que se deve fazer é procurar o primeiro tumulto e deixar o acaso se encarregar do resto.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Eu não vou me prolongar nas pequenas&amp;nbsp;intempéries&amp;nbsp;que me levaram a ficar sozinho aquela noite. &amp;nbsp;E só pra aliviar a consciência da Lara, eu vou botar toda a culpa na absoluta falta de infra-estrutura da cidade e numa noite de azar além do comum.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Eu sei que, quando tomei consciência de que as coisas não iam acontecer como planejado, tratei logo de bolar um plano B, que consistia em voltar&amp;nbsp;àquele&amp;nbsp;que seria meu porto seguro (o bar onde a noite começou) e avaliar as opções(ou a falta delas).&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Mas aí o tal bar evaporou. E o Mc Donalds também, e todas as pessoas, feias e bonitas. E os taxis. E antes deles todos, o meu senso de direção, que, eu desconfio, nunca existiu. Era a primeira de muitas vezes em que haveria de me perder aquela noite.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Andei sem rumo pelas ruas do que teoricamente era o ponto mais movimentado da região. Era sábado á noite e no que chamavam de "o bairro mais bohêmio da cidade" o silêncio era tão absoluto que eu conseguia ouvir o cascalho sob meus pés a cada passo. Fina ironia mineira, é um prazer conhece-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Depois de um tempo encontrei uma espécie de fast food. Decoração espalhafatosa, um mezanino e muita gente. Parecia ser o único lugar habitado da região.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Mal sentei no balcão e uma falsa loira soltou distraidamente á minha frente um simpático cardápio em forma de sanduíche. Escolhi qualquer coisa aleatoria e me virei pra observar melhor o local. A equipe de atendimento tinha idênticos sorrisos reluzentes que nunca chegavam a atingir os olhos. E atrás do balcão um homem gordinho de meia-idade num uniforme, jogava fatias de hambúrguer na chapa, assoviando baixinho.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Aquilo era estado da arte. É como se eles tivessem feito questão de pegar todas as vantagens dos fast foods e removê-las cuidadosamente(a parte do FAST por exemplo, ou do FOOD); meu combo chegou depois de vinte minutos, à temperatura ambiente, e só consegui distinguir a carne do pão por causa da faixa de alface morna entre eles.&amp;nbsp;Pão de mentira, aliás. E bife de hambúrguer artificial(ou assim espero. Seria muito triste se alguém tivesse morrido para dar origem àquilo). E batatas fritas que nunca em sua vida sequer viram batatas. &amp;nbsp;O lugar estava realmente lotado e as pessoas comiam satisfeitas suas não-comidas. Se não davam evidências reais de prazer, pelo menos o nível de desgosto não era maior do que o que podia ser visto em qualquer outro fast food.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Terminei de comer e saí com uma certa culpa por ter perguntado onde ficava o Mc(e recebido uma educada resposta). Em todo caso não adiantou muito porque mesmo com a detalhada explicação da oxigenada no balcão, nunca mais o encontrei. Mas encontrei um bar, sujo, escuro e com pessoas de preto ouvindo classic rock.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Era a visão do paraíso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Pra quem está sozinho, mau alimentado e com o humor em queda livre, um boteco sujo numa rua escura, emana esperança. É como um sinal do destino de que nunca se deve desistir. De que as possibilidades são infinitas, de que a vida é bela. De que coisas boas acontecem o tempo todo e você só precisava estar preparado. E aquela noite poderia ser interessante, afinal...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Continua...&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-2213353606194253419?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/2213353606194253419/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=2213353606194253419&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/2213353606194253419'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/2213353606194253419'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2010/04/fora-do-ninho-parte-2.html' title='Fora do ninho (parte 2)'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-256749280374505453</id><published>2010-04-16T18:55:00.004-03:00</published><updated>2010-04-20T12:25:30.815-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pessoal'/><title type='text'>Fora do ninho (parte 1)</title><content type='html'>&lt;i&gt;Não gosto muito de sair à noite fora de SP. Há quem chame de bairrismo, talvez seja, mas quero dividir uma série de observações sobre uma epopéia noturna em Belo Horizonte e ao final talvez você concorde que alguns lugares, definitivamente, não foram feitos para quem perde mais que sapatos sapatos de cristal à meia noite. Alguns lugares, definitivamente, não são São Paulo...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu andei perguntando pra muita gente e posso dizer que &amp;nbsp;estatisticamente as primeiras 3 conclusões que pessoas costumam ter quanto a mim são: 1) que eu sou bebado, 2) que eu sou tímido e 3) que eu sou mais gay que uma jaula cheia de macacos com óxido nitroso na cabeça. As três impressões são completamente equivocadas. Eu não sou gay e evito conversas desnecessárias, o que dá uma falsa impressão de introspecção. Mas definitivamente, e isso é muito importante, eu não sou bebado. Na verdade valorizo MUITO a sobriedade. Estar sóbrio à noite é tão sagrado que eu escolho com absoluto cuidado as ocasiões em que isto acontece (pra não banalizar, sabe como é). Mas eu estava sozinho numa cidade estranha e aparentemente chata, à meia noite, sem nenhuma perspectiva de diversão a curto prazo, e completamente impossibilitado de voltar pra qualquer lugar que eu provisoriamente pudesse denominar casa. Sabe, talvez você não compartilhe de minha opinião, mas há certos momentos na vida em que é preciso admitir com sinceridade: Ou eu fico bebado AGORA ou ou começo a destruir patrimonio público! Não é vício, é necessidade fisiológica. &amp;nbsp;É sábado á noite, entende? Coisas precisam acontecer. Coisas aconteceram, afinal...&lt;br /&gt;Mas falo sobre elas outro dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://chuvapaulistana.blogspot.com/2010/04/fora-do-ninho-parte-2.html"&gt;Continua...&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-256749280374505453?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/256749280374505453/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=256749280374505453&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/256749280374505453'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/256749280374505453'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2010/04/fora-do-ninho-parte-1.html' title='Fora do ninho (parte 1)'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-2994829776531126785</id><published>2010-04-13T12:39:00.004-03:00</published><updated>2011-03-31T13:33:30.559-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='snapshots'/><title type='text'>O inferno de Nippon</title><content type='html'>&amp;nbsp;&amp;nbsp;A verdade é que hoje em dia não moram assim tantos japoneses na Liberdade. E os que ainda estão por aqui, concentram-se numa pequena área de umas oito ou nove quadras ao redor do largo da pólvora. Mas no bairro inteiro eu chuto que devam existir uns 50 ou mais restaurantes de comida oriental(incluindo aí uns chineses e coreanos).&lt;br /&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Este em específico é bem esnobe. Não tem o charme das portinhas de correr,mesinhas de bambu ou cavaletes com o cardápio do lado de fora. É só um salão imenso, pé direito duplo e decoração kistch.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ha uma árvore no meio do restaurante. Bem pequena, as folhas estão amarelas e a luz que recebe pelo vidro fumê é o tipo errado de luz. Provavelmente já lhe injetaram mais drogas que num atleta olímpico, tem alto-falantes na sua base, e enfeites japoneses pendurados em seus galhos. Mas ainda assim, é uma árvore. E se você entrecerrar os olhos e olhar para ela por sobre a cachoeira artificial, é quase possível imaginar um bonsai gigante e doente por entre uma neblina de lágrimas. Triste e lírico.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E está cheio. Quase todas as mesas são ocupadas por casais. Parece haver algo no consciente coletivo masculino que os faz acreditar que aquele tipo de lugar impressiona mulheres. Sinceramente tem de haver algo errado em mulheres que se impressionam com aquele tipo de lugar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O cardápio é dividido em nacional/importado. E na sessão de importados, com uma bandeirinha do Japão e um preço que só faria sentido se incluísse ações da Mitsubish, encontra-se uma certidão de crime ecológico: Atum.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O atum japonês é famoso por duas coisas específicas. Primeiro porque é ENORME e segundo porque está no irreversivel caminho da extinção. Algo como uma Arara Azul nipônica. A pesca com arpões foi proibida por lá , mas eu vi num documentário da NatGeo que para driblar a fiscalização, os barcos pesqueiros, se travestiam de &amp;nbsp;pesquisadores de biologia marítima.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&amp;nbsp;É um tanto cruel imaginar que naquele lugar eles transformam o futuro de uma espécie em sashimi.&amp;nbsp;Provavelmente, no exato instante em que alguém escolhe o prato mais caro do cardápio para impressionar a companhia, um barco "de pesquisa" chamado Katamaru ou coisa que o valha, está em algum lugar do pacífico sul pesquisando sobre a seguinte tese: quantos atums você pode matar em uma semana?&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&amp;nbsp;É algo obviamente insustentável. Em determinado momento, os atums vão simplesmente sumir da costa japonesa. E o capitão do Katamaru conduzirá seu próprio projeto de pesquisa para descobrir o que acontece a uma estatisticamente pequena amostra de capitães que voltam sem um barco cheio de material de pesquisa. Fico pensando no que fariam com eles. Talvez os tranquem numa sala com um lançador de arpões e esperem que se tome a atitude mais honorável.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;É um sample do fim do mundo. Sabem? Misseis nucleares, fome, poluição, O céu queimará, os quatro cavaleiros marcharão, os rios virarão sangue, o caos fará moradia e bilhões de jantares de sushi clamarão por vingança.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-2994829776531126785?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/2994829776531126785/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=2994829776531126785&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/2994829776531126785'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/2994829776531126785'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2010/04/o-inferno-de-nipon.html' title='O inferno de Nippon'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-7289906905531154492</id><published>2010-04-08T19:56:00.005-03:00</published><updated>2010-04-09T12:09:39.931-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cronicas'/><title type='text'>Wonder Years</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://drlill.files.wordpress.com/2009/02/wonder-years.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="274" src="http://drlill.files.wordpress.com/2009/02/wonder-years.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Se você tem menos de 20 e/ou nunca assistiu Anos Incriveis, não vai entender patavinas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ler ouvindo&amp;nbsp;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=nCrlyX6XbTU&amp;amp;feature=related"&gt;Joe Cocker - With a little help from my friends&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ultimo mês de março marcou o fim de minha adolescencia. Na verdade, se alguém leu as noticias de rodapé precisa ter ficado tão triste quanto eu. A sessão&amp;nbsp;de "celebridades" deu conta de que Winnie Cooper está grávida. Grávida, amigos, grávida. E não é de Kevin Arnold. Eu me senti como uma criança descobrindo &amp;nbsp;que Papai Noel não existe.&amp;nbsp;Se você é mulher, não vai entender a gravidade da notícia e talvez eu precise pedir um aparte aqui pra explicar o que acontece quando paramos de puxar os&amp;nbsp;seus cabelos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Lá pelos 12-14 anos nosso corpo produz mais testosterona em um dia do que provavelmente seria saudável por um ano inteiro para um ator porno. É uma bomba&amp;nbsp;hormonal de 15 megatons num sujeito que não faz sexo. Por isso qualquer moleque da quinta série, emocionalmente, tem todo o equilibrio de uma pirâmide de&amp;nbsp;ponta cabeça. É uma grande TPM de varios anos. E tem os pais, e todas as regras estúpidas que fazem ainda menos sentido quando é você quem tem de&amp;nbsp;cumpri-las. É um tempo de dificil adaptação a um mundo que definitivamente não foi feito pra nós.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; E aí vem vocês, insinuantes, com seus cabelos maltratados, sua maquiagem desastrosamente errada, seu jeito desajeitado de andar de quem ainda se descobre&amp;nbsp;feminina, carregando seus cadernos abraçados junto ao peito, seu descontrole do volume de voz e seus gritos terrivelmente agudos. Vocês faziam tudo errado,&lt;br /&gt;mas pra quem tinha mais hormônios que um caminhão cheio de gado reprodutor, eram a perfeição encarnada. Ainda que todas fossem terrivelmente cruéis(como Winnie) e nos obrigassem a&amp;nbsp;terríveis&amp;nbsp;situações(ou à situação mais&amp;nbsp;terrível&amp;nbsp;que alguém poderia chegar naquela idade).&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; E pra mim, havia essa menina, o anjo da 5ª-C. Era apaixonado, faria(e fiz) tudo por ela, e quando ela desfilava pelo pátio era mesmo como se o mundo&amp;nbsp;passasse em camera lenta. Passava noites inteiras imaginando incriveis histórias de amor (que quase sempre terminavam numa bela cena sob chuva, reflitam) e &amp;nbsp;escrevia pequenas frases idiotas, só pra faze-la sorrir, aquele sorriso metálico de aparelho. Mas poucos anos depois ela se mudou com a familia e saiu da&amp;nbsp;escola. Para aumentar a dramaticidade a gente não se falava na época, provavelmente por alguma estupidez que disse/fiz, nem lembro mais.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Durante um tempo&amp;nbsp;depois (os 10 anos seguintes, pra ser mais exato(até mês passado, pra ser mais exato)) eu sempre imaginei que reencontra-la era só uma questão de tempo. Na&amp;nbsp;fila do supermercado, ou no ponto de ônibus, na fileira da frente no teatro ou na mesa ao lado na hora do almoço, não importa. Importa que tinhamos um&amp;nbsp;assunto pendente e histórias como aquela simplesmente precisam de um desfecho. Era uma esperança real, sabe? Terminar o último episódio. Aquela conversa&amp;nbsp;batida e, se nada acontecesse, eu teria pelo menos a oportunidade de apresentar alguém relativamente menos idiota que o cara da sétima série. Até me&amp;nbsp;imaginei fingindo espanto e dizendo "você está linda!" ainda que não estivesse.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Talvez por isso nos identifiquemos tanto com Kevin em sua odisséia através dos anos, vivendo tudo que nós também viviamos, descobrindo da dor de um &amp;nbsp;amor&amp;nbsp;quase platônico e ainda precisando lidar com todo o peso dessa dificil e interminável puberdade.&amp;nbsp;&amp;nbsp;Porque era injusto que amássemos com uma intensidade tão maior, justamente quando sequer sabíamos o que era sentir. O mais triste é saber, hoje, que tudo&amp;nbsp;que obviamente deu errado e se perdeu, aconteceu tão somente porque não havia(nunca houve) preparação. E quando acaba a adolescência, isso fica tão mais&amp;nbsp;claro, que não conheci absolutamente ninguém que não alimentasse as mesmas esperanças que eu.&amp;nbsp;É como se todos nós vivêssemos esse "sonho coletivo". Carregamos desde sempre o medo da frustração de nossas histórias de amor mal resolvidas, e talvez&amp;nbsp;todos nos sintamos ligados á adolescência por um fio de lembrança do episódio nunca escrito. Somos todos Kevin Arnolds com a idéia fixa de um dia&amp;nbsp;reencontramos nossas Winnie Coopers e vivermos, enfim, o derradeiro hollywood ending.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Mas o episódio, agora, terminou. Assassinaram nosso Papai Noel. Um item na lista hard news e talvez uma foto ilustrativa em baixa resolução e fim. Vão-se&amp;nbsp;os bilhetes, as dedicatórias as noites em claro e a certeza ingênua de tempos mais felizes no futuro. Não existe mais Winnie Cooper, nem a melancolia e&amp;nbsp;esperança daqueles dias.&amp;nbsp;O que sobrou é uma realidade feia e cinza; ainda mais triste que a vida aos 13 anos. O que há agora é a necessidade urgente de romper com as amarras&amp;nbsp;psicológicas e seguir em frente, sem memória. Abandonandos à propria sorte, precisamos esquecer tudo o que foi, tudo o que queríamos que fosse, mas&amp;nbsp;principalmente, e essa é a parte mais dolorosa, tudo o que poderia ter sido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo é um lugar muito, muito cruel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-7289906905531154492?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/7289906905531154492/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=7289906905531154492&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/7289906905531154492'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/7289906905531154492'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2010/04/wonder-years.html' title='Wonder Years'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-5211118516566844360</id><published>2010-03-30T10:55:00.003-03:00</published><updated>2010-03-30T12:22:52.895-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pessoal'/><title type='text'>Vinte e Cinco</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O chato de trabalhar escrevendo programas é que, em determinado momento, sua vida se torna um. Em loop infinito.&amp;nbsp;Acordar-trabalhar-estudar-beber-beber-beber-beber-dormir. No começo parece interessante, mas a falta de perspectivas começa a te deixar assustado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Eu já entendi que os grandes sucessos e os primorosos fracassos da humanidade acontecem não por pessoas serem essencialmente talentosas ou essencialmente&amp;nbsp;ruins, mas por elas serem, essencialmente, pessoas. Deve ser da natureza humana essa necessidade de fazer algo, se não grande, ao menos diferente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Até evito comparar o que sou hoje com o que poderia ser. Um merdinha qualquer de 18 anos na Polonia criou um portal que vale 9 milhões de Euros. Um outro&amp;nbsp;pivete começou pixando uns muros aqui do bairro e hoje vende quadros de 57 mil dólares...aos 20! E aos 25 eu mal consigo terminar um texto(obrigado a todos&amp;nbsp;os genes envolvidos). É assustador. É desesperador. A falta de qualquer coisa acontecendo e a sensação do tempo passando, te leva a pensar as maiores&amp;nbsp;insanidades. É necessário fazer alguma coisa. QUALQUER coisa. Não conseguiria contar quantas vezes eu cheguei muito perto de largar tudo e ir, sei lá, ser&amp;nbsp;roomie de uma prostituta marroquina em Madrid. Ou estudar francês na universidade de Beirute. Ou escrever um livro do tipo "tequila for dummies" no México, ou uma merda assim. Qualquer coisa que não envolvesse esse ciclo de procrastinação e leniência a que me submeto diariamente.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp;Veja bem, a expectativa de vida de um homem em nossos dias é de, sei lá, uns 90 anos, com sorte. Digamos que o álcool me tome uns 5 e outras substâncias&amp;nbsp;mais uns 5. Significa que hoje você pode me desejar felizes 31%, &amp;nbsp;que não renderiam sequer uma frasezinha pra por na lápide. Pensar que gastei 31%&amp;nbsp;de todo meu tempo disponível numa porranenhumice absoluta, vinha me levando a crises de pânico nos últimos meses...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Dai numa noite dessas, eu conheci um cara, um produtor musical, que tinha acabado de chegar de uma temporada de alguns anos na Alemanha. Ele contou que&amp;nbsp;Berlim vivia uma fase de efevercência cultural incrivel e que artistas do mundo inteiro, tanto da velha escola como de vanguarda, haviam se reunido lá e o&amp;nbsp;lugar tinha virado praticamente a hollywood do techno, mais ou menos como foi Londres nos anos 90. E enquanto ele falava eu pensava porque diabos eu estava&amp;nbsp;tão perto de fazer 25 e ainda morava na jecalópole e convivia com aquele monte de gente brega que se achava hype. Eu amo techno, meu sonho é um dia viver de&amp;nbsp;música e estava ali ouvindo sobre pessoas do outro lado do oceano que faziam história. Mas quando ele se virou pro balcão eu percebi que no alto de sua nuca&amp;nbsp;começava a nascer um pequeno vazio capilar que provavelmente aumentará rapidamente nos próximos anos. E conclui que eu ainda tinha algum tempo antes de&amp;nbsp;começar a ficar careca e que portanto não precisava sair dali correndo e procurar alguém que aceitasse um rim por um passaporte comunitário. E provavelmente&amp;nbsp;aquele cara, aos 25, ainda construía um caminho que o levaria ao lugar certo na hora certa e provavelmente com a idade e o conjunto de experiencias certos&amp;nbsp;pra entender o que acontecia por lá.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;Pode rir, mas é verdade. Eu encontrei o significado de duas décadas e meia de existência no couro cabeludo de um sujeito que conheci na balada.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;Por hora é consolador, sabe? Imaginar que talvez eu esteja apenas apenas passando por um curso de longa duração para o que há de vir.&amp;nbsp;Terry Pratchett, por exemplo, vendeu a primeira história aos 13 anos mas só publicou o primeiro livro aos 47 anos de idade. Antes disso, conseguiu evitar todos os trabalhos realmente interessantes que os escritores costumam ter para parecerem legais nas biografias de contra-capa. Terry Pratchett é um dos escritores mais lidos do Reino Unido. Terry Pratchett é meu herói.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E eu?&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Bom, á 1 da manhã dos proximos sabe-se lá quantos sábados, vou estar novamente a caminho de qualquer lugar escuro e insalubre. Talvez no carro de um amigo&amp;nbsp;que reclama que tenho "cheiro de perfume barato", ou no táxi de um motorista alcoolatra que acha que é meu amigo(e talvez tenha razão), ou no ultimo vagão do&amp;nbsp;ultimo trêm da linha verde fazendo piadas mentais sobre a &amp;nbsp;hipster gordinha sentada á minha frente. O importante é que terei a certeza absoluta de que a&amp;nbsp;noite que vai começar faz parte de um todo ainda invisível, que vai transfomar as coisas no momento certo. E que, quando acontecer, vou olhar pra trás e descobrir&amp;nbsp;que tudo que vivi foi uma preparação. Eu não sei o que vai ser, nem de que forma virá, mas sei que vou estar pronto. E, pelo menos por hora, essa é minha&amp;nbsp;única certeza sobre o futuro.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas quer saber? É a única que importa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Feliz aniversário Sica!&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-5211118516566844360?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/5211118516566844360/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=5211118516566844360&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/5211118516566844360'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/5211118516566844360'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2010/03/vinte-e-cinco.html' title='Vinte e Cinco'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-2051969055714630741</id><published>2010-03-27T20:00:00.004-03:00</published><updated>2010-08-25T20:12:07.969-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='geral'/><title type='text'>Vem pra cá negada!</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: separate;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;O Lula me convenceu! Cheguei á conclusão de que o Brasil tem condições sim de resolver o problema Israelo-Palestino. Saca só , vamos dar a&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ilha_do_Bananal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Ilha do Bananal&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt; pra eles todos!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: separate;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&amp;nbsp;Não mude de canal! Presta atenção! A ilha tem 20.000 km2 e é do tamanho de Israel.&amp;nbsp;A gente não tá fazendo nada com ela mesmo. Metade dela fica pros Palestinos, metade pros Israelenses. Traz todos os refugiados pra cá. Tem água e comida a vontade lá. A gente ergue uma mesquita de um lado da ilha e uma sinagoga de outro. Pra não dar briga, decide no palitinho qual lado será o palestino e qual será o israelense. A defesa fica por conta da FAB,&amp;nbsp;dos jacarés, e da malária. Não tem erro. Faz um aeroporto com linha direta pra Nova Iorque (com escala em Porto Seguro que todo mundo merece uma água de côco). A CEF financia a pizzaria. O Lula entra com a Dilma e o MST pra dar um pouco de emoção&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;Não vai dar pra fazer&amp;nbsp;túnel&amp;nbsp;porque debaixo da água tem mais água. Também não tem deserto. Pra matar as saudades, a gente pode tentar simular um deserto provocando um pequeno desastre ecológico (metade na parte palestina e metade na parte israelense que é pra não dar briga). Não vamos deixar ninguém fazer muro separando as duas metades.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Com sorte um desses Avigdor Liebermman ou Khaled Meshal da vida se apaixona por uma mulata chamada Tereza e larga desse papo blasé de exterminar a raça alheia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;A CBF vai implantar um campeonato de futebol pra garantir as pazes. É claro que as torcidas da Mafia Macabbi e dos Gaviões da Intifada se pegarão de pau na saída dos jogos, mas isso a gente contorna levando aqueles policiais de Pernambuco, que são de uma delicadeza a toda prova. Os dois estádios serão obviamente enormes, imensos, gigantescos, com capacidade para 300.000 fanáticos torcedores cada um, financiados com dinheiro do BNDES e construídos pela Odebrecht. Vai dar pra ver da lua.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Vai ser legal!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-2051969055714630741?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/2051969055714630741/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=2051969055714630741&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/2051969055714630741'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/2051969055714630741'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2010/03/vem-pra-ca-negada.html' title='Vem pra cá negada!'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-9105764315204154562</id><published>2010-03-23T11:43:00.010-03:00</published><updated>2010-03-24T19:03:55.466-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pessoal'/><title type='text'>Sobre escolhas...</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;"&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Dos habituais comportamentos contemporâneos, optar é deles o mais desumano&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;" (Fernanda Porto)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;- A questão é...a questão é... a questão é.... - disse ele tentando se concentrar em mim enquanto virava outro shot de tequila.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&amp;nbsp;- A questão é - repetiu, tentando pensar numa questão - é que ninguém é feliz profizi...provoson... ninguém é feliz no trabalho porque não fez o que queria&amp;nbsp;ser quando moleque.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&amp;nbsp;- Não fala merda - respondi- eu queria ser ninja quando era criança. Você conhece algum ninja profissionalmente realizado?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&amp;nbsp;- Não eu não to falando de criança! Falo de quando a&lt;/span&gt; gente tá no colégio, sabe? Todo mundo tem certeza de alguma coisa no futuro mas ninguém acaba seguindo&amp;nbsp;aquilo. Foco...sabe? Foco... - e fez uma careta&amp;nbsp;ridícula&amp;nbsp;que envolvia olhos cerrados, biquinho de Paris Hilton,e dois dedos apontando pro nada (o nada em questão estava em outra mesa e achou que falávamos dele. Por um momento eu também achei, na verdade).&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&amp;nbsp;- Desenvolva...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&amp;nbsp;- Tipo...tipo....tipo...quan&lt;/span&gt;ta gente desiste da faculdade no meio, saca? Ou se forma em duas coisas. Ou nem se forma.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;- Sei...&lt;br /&gt;&amp;nbsp;- Tipo...tinha um sonho...e desistiu...sacou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Eu o teria mandando pro inferno (aproveitando sua provável amnésia etílica do dia seguinte) se não estivesse incomodado com o sujeto da outra mesa (aquele do&amp;nbsp;"foco") que agora olhava com um certo desdén pra nós.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Não é que eu não gostasse do que ele dizia. É só que eu não precisava ouvir aquilo. Não a uma semana do meu aniversário, não durante uma leve crise&amp;nbsp;existencial.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Penso que só existem duas opções profissionais na vida. Aquilo que você nasceu para fazer e te faz feliz, e aquilo que, definitivamente, não é divertivo, mas te ajuda a comprar felicidade nas horas vagas. O fato de eu passar tanto tempo twittando durante o horário comercial exemplifica bem qual foi a minha&amp;nbsp;escolha.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;E foi no twitter que eu conheci aquilo que na ciência chamam de&lt;i&gt; Quod Erat Demonstratum&lt;/i&gt;, só que da outra opção disponível. Uma jovem(e genial) escritora que disse "eu não poderia fazer outra&amp;nbsp;coisa que não escrever". Ela tem os problemas dela, claro, eu também tenho e você, leitor, espero que tenha. Toda escolha tem seus encargos. Mas já conheci outras&amp;nbsp;pessoas assim. São aqueles individuos tão bons no que fazem que você é incapaz de imagina-los fazendo outra coisa.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Isso me leva a uma terceira opção que talvez seja o motivo desse texto. O sujeito que definitivamente não foi feito para algo, mas insiste naquilo mesmo&amp;nbsp;sofrendo todos os efeitos colaterais de tal "erro". Eu não consigo imaginar por exemplo porque, deus, existem escritores ruins, artistas ruins, músicos ruins. Me é&amp;nbsp;incompreensível&amp;nbsp;porque alguém se dedicaria a algo sujeito a tantas&amp;nbsp;intempéries&amp;nbsp;sem o dom pra coisa.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Aliás, olhando por esse prisma, a opinião do meu parceiro de mesa até fazia sentido. Eu, nos primórdios, achava que seria engenheiro elétrico ou qualquer&amp;nbsp;coisa assim. Nutria um certo desejo e uma paixão totalmente não correspondida por coisas elétricas e estudei bastante o assunto (alguns anos de Senai e técnico, pra ser mais preciso). Lembro com muito carinho de um projeto de instalação não autorizado para a feira de ciências do terceiro ano. O professor&amp;nbsp;avisou que aquilo não podia funcionar, mas eu acreditava tanto na idéia que ignorei a proibição e liguei quando ninguém estava olhando, o que culminou num&amp;nbsp;rápido blecaute, alguns fios torrados e a psicóloga do colégio aparecendo pra "ter uma palavrinha" com minha mãe. Eu tava no caminho. Tenho certeza&amp;nbsp;que me lembraria disso com orgulho quando ficasse mais velho e me tornasse um sujeito bem sucedido na área.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Mas antes de adquirir o conhecimento necessário para manter fusíveis intactos eu, simplesmente, abandonei a coisa toda. Acontece que talvez eu não tivesse&amp;nbsp;mesmo talento pra isso, e minha paixão se resumisse a um hobby a ser praticado em tempos menos turbulentos. Optei pelo pragmatismo já citado aí em cima e me&amp;nbsp;tornei um programador. Já trabalhava nisso quando entrei para Ciência da Computação. Achava que o futuro estava nos computadores e, quando acontecesse, eu&amp;nbsp;seria pleno e feliz. O futuro, obviamente, tinha suas próprias idéias a esse respeito. E hoje, depois de tanto tempo trabalhando em horários insanos e&amp;nbsp;convivendo com versões menos inteligentes do &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=fX0FXhWicEI"&gt;Sheldon de "The Big Bang Theory"&lt;/a&gt;, eu apenas entendi que isso aqui não é felicidade mas é plenamente aceitável,&amp;nbsp;desde que pague a conta do bar e aquela eurotrip nas férias. Não quer dizer que eu não tenha meus objetivos, claro, mas nenhum deles envolve a idéia antiga,&amp;nbsp;dos tempos de colegial. Eu não tenho coragem, nem quero ter, de abandonar independencia e relativa estabilidade, pra me meter numa aventura incerta e começar&amp;nbsp;tudo do zero novamente.&lt;br /&gt;Pragmatismo...adoro essa palavra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;i&gt;Tipo...tinha um sonho...e desistiu...sacou?&lt;/i&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saquei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-9105764315204154562?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/9105764315204154562/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=9105764315204154562&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/9105764315204154562'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/9105764315204154562'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2010/03/sobre-escolhas.html' title='Sobre escolhas...'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-7831521561117169237</id><published>2010-03-16T12:21:00.002-03:00</published><updated>2010-03-24T19:40:47.788-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pessoal'/><title type='text'>Viva com moderação</title><content type='html'>&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Helvetica Neue', Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Dedicado a todas as coisas que não funcionam, mesmo depois de você dar um chute nelas.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;É só outra dessas histórias de academia. Ou era pra ser. Eu ligo a esteira na velocidade que faz meus pés doerem e depois de uns 40 minutos todo o corpo dói. É minha segunda droga predileta. A dinamica, aliás, é bem parecida com a de um psicotrópico qualquer. É uma batalha interna, pra saber o quanto daquilo você é capaz de aguentar, mas levada ao limite, de forma que a dor aumente exponencialmente até o momemnto que você se acha frágil demais pra suportar tudo aquilo e quando pensa que vai finalmente sucumbir, começa a sentir os efeitos e atinge o ápice...e depois não sente mais nada...tudo é subconsciencia, leveza, silêncio e serotonina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Mas não foi bem assim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Eu mal tinha começado quando, num anticlimax de coito interrompido, uma mensagem aparece no visor da esteira: "MODERE SEU RITMO!" E de repente, sem pedir permissão, num ato de arrogância tecnológica digna de corretores ortográficos, o computador altera a velocidade pra alguma rotina do tipo &lt;a href="http://www.google.com.br/url?q=http://www.youtube.com/watch%3Fv%3Dh5gapRu1bbU&amp;amp;ei=FKGfS8LSEsSyuAfBoOXDDQ&amp;amp;sa=X&amp;amp;oi=nshc&amp;amp;resnum=1&amp;amp;ct=result&amp;amp;cd=2&amp;amp;ved=0CAkQzgQoAQ&amp;amp;usg=AFQjCNFHPCGNi6ne4yZgHQPoXu6nI6vfpQ"&gt;Gabrielle Andersen&lt;/a&gt; Mode. Tudo em nome da moderação veja você. MODERAÇÃO!&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Eu estou a 3 semanas de completar um quarto de século de uma, no mínimo, sabática existencia, sem a menor convicção sobre a utilidade desse tempo e absolutamente nenhuma idéia otimista de futuro. E ainda tenho de aturar um chip de merda que tem a soberba de bancar o CVV pra cima de mim.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Como poderia ele entender que pra fingir que minha vida não é uma antítese motivacional, eu preciso estar nos excessos? Que eu quero viver esses limites pra sentir que tenho comigo qualquer coisa além de sono e tédio?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Quero trabalhar até 2 da manhã e ganhar um tapinha nas costas. Quero correr até meu peito explodir e levantar coisas mais pesadas que (tentando não desmaiar no processo). Quando alguém me disser pra ter mais cuidado com a saúde, quero responder "bom é quando faz mal", mesmo sabendo o quanto isso é clichê e imaturo. Quero me humilhar por ex namoradas, e jurar amor eterno a desconhecidas da noite passada. Quero acordar em cama alheia e beber o suficiente pra me arrepender de tudo que puder lembrar. Eu quero ressacas morais porque elas vão virar histórias interessantes no futuro. Eu PRECISO de histórias interessantes porque se amanhã (ou daqui 5 minutos) o pior acontecer, eu quero ter tempo de pensar que, se não foi uma vida feliz, eu ao menos tentei, e alguém um dia há de reconhecer. Mas se tudo correr bem e eu envelhecer, quero ter um senso de auto preservação mais desenvolvido e saudade de um tempo em que tive coragem(ou vontade) de cortar os cabos de freio.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Eu quero esquecer que a passagem por aqui é curta, sem direito a coin 2, e que eu já desperdicei uma parte considerável dela esperando que aconteça alguma coisa que lhe dê sentido, alguma coisa menos ordinária, só pra variar. Talvez o significado esteja mesmo nas extremidades e eu preciso estar sempre lá pra descobrir. Tempo é uma coisa que eu não tenho e reflexão já não é um luxo palpável. Eu sei que uma hora ou outra as coisas vão se explicar naturalmente, mas a peça que falta, definitivamente não é um display de esteira ergométrica.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Moderação é o caralho, máquina estúpida!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-7831521561117169237?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/7831521561117169237/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=7831521561117169237&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/7831521561117169237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/7831521561117169237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2010/03/viva-com-moderacao.html' title='Viva com moderação'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-3152682160918473603</id><published>2010-03-12T12:11:00.003-03:00</published><updated>2010-03-16T12:21:51.082-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pessoal'/><title type='text'>Você, Foucault e Reich</title><content type='html'>&lt;i&gt;Você é tão Paris&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Eu sou um Zé qualquer&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Insisto em desistir&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Você só quer vencer&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Se tudo correr bem&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Vamos nos odiar&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;(Moptop - Paris)&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não li Foucault, eu não aturei terminar um unico Reich e Francis Bacon pra mim só aquele do Burger King. Não eu não sou intelectual e, posso te contar um segredo? Você também não é! Talvez você seja só uma patricinha que vai passar o resto dos dias gastando o dinheiro do papai na faculdade e fingindo ser classe média, porque não é cool ser rica e porque não tem e nunca vai ter culhões pra enfrentar a vida aqui fora.&lt;br /&gt;Sim, minhas referencias são absolutamente hollywoodianas e sim eu acho Tarantino genial e Godard um pé no saco.(ah, e Win Wenders pra mim é tão farsante quanto você). Marx? Pudera! Só se for o Groucho (e só pra ter alguma coisa a ver com Woody Allen). Você frequenta cafés filosóficos e eu discuto Nietzsche com o supino da academia. Você se preocupa com a revolução de classes, eu me preocupo se meu IPTU vai aumentar. Eu não sou sofisticado baby, eu posso tomar teu vinho toscano pra te acompanhar, mas prefiro entornar vodka até esquecer seu nome. Se te levei àquele bistrô, me acabo no torresmo de boteco quando você não olha. Falo por ti também. Talvez no futuro você me achasse tão repetitivo e chato quanto acha o tech house que eu ouço. Talvez no futuro você entendesse que aqueles teatros da praça Roosevelt dizem muito mais a mim que a você.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Eu nunca disse que podia ser quem você vislumbrava e se eu te "enganei" e te fiz acreditar em qualquer coisa além disso, foi porque você é bonita e simpática e eu tenho testosterona. Ou talvez eu visse em você algo DELA. Mas ELA conhecia o que estava falando, ELA sabia das coisas, ELA tinha coragem de caminhar sozinha e, veja você, ELA nunca tentou ser maior por isso. ELA é tudo que você gostaria de ser, mesmo sem conhece-LA. E se hoje eu posso me retirar com dignidade (antes que isso fique maior que nós dois) foi porque ELA ria comigo de gente como você.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Talvez eu seja mesmo esse ogro, esse poço de clichês e futilidades que você diz me definir, mas com todo respeito? Eu ADORO quem sou. Passei minha curta vida tentando me tornar pragmático e eficiente, coisa que você e sua ideologia romântica nunca serão.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Meu bem, me desculpe, mas acho que enjoei de ti. Quando você me confessou seus receios quanto a mim, me senti um ostrogodo, mas quando o choque passou, eu percebi que é você quem está um degrau abaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu queria lhe ter dito tudo isso ontem, mas tinha jogo do São Paulo. E a Libertadores é mais importante que você, Foucault e Reich juntos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-3152682160918473603?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/3152682160918473603/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=3152682160918473603&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/3152682160918473603'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/3152682160918473603'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2010/03/voce-foucault-e-reich.html' title='Você, Foucault e Reich'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-4206621213865180859</id><published>2010-03-09T11:02:00.002-03:00</published><updated>2010-03-09T12:26:18.570-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='alheios'/><title type='text'>Uma vela para um velho...safado.</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://msp233.photobucket.com/albums/ee55/seppuku79/Bukowski.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://msp233.photobucket.com/albums/ee55/seppuku79/Bukowski.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Francine virou-se para ele e ele passou o braço em torno dela. Os bebados das 3 da manhã em todos os Estados Unidos fitavam as paredes, depois de terem finalmente desistido. Não era preciso ser um bebado para se machucar, para cair nas garras de uma mulher, mas você poderia se machucar E se tornar um bebado. Você podia pensar por algum tempo, sobre quando era jovem, que estava com sorte, e muitas vezes estava mesmo. Mas havia todo tipo de médias, estatísticas e leis em ação das quais você nada sabia, mesmo quando achava que tudo ia bem. Uma noite, uma quente noite veranil de quinta feira VOCÊ se tornava o bebado, e VOCÊ estava lá fora sozinho num quarto de hotel barato, e por mais que tivesse visto isso antes, não adiantava porque VOCÊ tinha pensado que não teria de enfrentar aquilo. A única coisa que se podia fazer era acender mais um cigarro, servir outra bebida e examinar as paredes descascadas em busca de olhos e lábios. O que homens e mulheres se faziam uns aos outros estava além da compreensão.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Tony puxou Francine para mais perto, comprimiu tranquilamente o corpo contra o dela e ficou ouvindo-a respirar. Era horrivel ter de ser sério sobre uma merda daquelas novamente.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Los Angeles era muito estranha. Ele ouvia. Os pássaros já estavam acordados, cantando, mas ainda estava escuro como breu. Logo as pessoas estariam se dirigindo para as auto-estradas. A gente ouviria elas zumbirem e outros carros serem ligados pela rua. Enquanto isso, os bebados das 3 da manhã estariam deitados em suas camas, tentando em vão dormir, e merecendo esse repouso...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;...se pudessem encontra-lo.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Trecho de 'Bebado Interubano' de Charles Bukowski, falecido em 9 de março de 1994.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia desses me perguntaram com quem eu gostaria de conversar se tivesse a chance. Respondi Bukowski, mas a ele eu provavelmente só teria uma coisa a dizer: Obrigado por ter existido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-4206621213865180859?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/4206621213865180859/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=4206621213865180859&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/4206621213865180859'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/4206621213865180859'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2010/03/uma-vela-para-um-velhosafado.html' title='Uma vela para um velho...safado.'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-8024414964872550960</id><published>2010-03-04T11:19:00.006-03:00</published><updated>2011-09-20T23:38:10.873-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='geral'/><title type='text'>Das tardes em que celebramos a paz mundial.</title><content type='html'>&amp;nbsp;&amp;nbsp;Todo ultimo sabado do mês eu passo algumas horas sentado numa mesa qualquer de bar discutindo sobre coisas que normalmente gente da minha idade não costuma se interessar. É meio estranho explicar, mas é basicamente o grupo de leitores &lt;a href="http://blogs.estadao.com.br/gustavo-chacra/"&gt;deste blog sobre Oriente Médio e Geopolitica&lt;/a&gt; que há muitos anos troca e-mails o dia inteiro e acaba por resolver as pendengas pessoalmente.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Antes era só sobre uma namorada libanesa e uma busca desesperada por entender tudo aquilo que eu não &amp;nbsp;sabia sobre ela. Depois vieram&amp;nbsp;os amigos e toda aquela maluquice de cerveja, bar e misseis iranianos.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;É claro que, juntar um monte de árabes, judeus e todos aqueles esquerdões malucos do CA da FFLCH numa mesa de bar não é tão simples mas parto do pressuposo de que diálogo, &amp;nbsp;ontologicamente e como palavra, é sempre melhor do que qualquer outra opção&amp;nbsp;mais violenta, como (por exemplo) cerveja esquentando.&lt;br /&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp;Para tudo que exista além do noticiário, claro, porque , assim superficialmente, tudo se resume a retórica, preconceito e discussão sobre a veracidade do que aconteceu ha milhares de anos. E a coisa toda se transforma num enorme Fla-Flu étnico.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O dia em que confirmarem a hipótese de que a vida na Terra surgiu de aminoácidos trazidos por asteróides, começará uma outra intensa discussão sobre se esse aminoácido era judeu ou árabe. E uma vez dito isso, irão rastrear a porra do asteróide até sua origem. E lá começará outra guerra pela posse do planeta. É triste mas, o que se pode fazer?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Do lado de cá a vida também acontece. A gente não sabe construir um país decente e temos uma porção de problemas gravíssimos. Mas sempre que volto desses encontros, a impressão que me fica é que o brasileiro é mestre em derrubar barreiras pessoais. Além do que, coisas como etinia ou religião dizem muito pouco por estas bandas. Por mais que muitos discordem, vivemos os tempos mais democráticos da História e num país em que as possibilidades de&amp;nbsp;ascensão&amp;nbsp;social estão entre as maiores do mundo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Fica ridículo apreciar esse joguinho sujo da política e da diplomacia mundial nesse contexto. Eu sei, o mundo é o mundo, regido por interesses, há um monte de variáveis em jogo, tudo tem uma razão de ser...mas...honestamente...eu cago pra tudo isso.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Existem pessoas que prestam e pessoas que não prestam. Me dou com as primeiras e me afasto das segundas. É só isso que me importa na vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-8024414964872550960?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/8024414964872550960/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=8024414964872550960&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/8024414964872550960'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/8024414964872550960'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2010/03/das-tardes-em-que-celebramos-paz.html' title='Das tardes em que celebramos a paz mundial.'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-3288801454177858327</id><published>2010-02-25T13:41:00.000-03:00</published><updated>2010-02-25T13:41:16.558-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='chuvapaulistana'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='snapshots'/><title type='text'>Ele</title><content type='html'>&amp;nbsp;&amp;nbsp;O sombrio horizonte de um final de tarde chuvoso era colorido por um um homem e um cachorro. A luz amarela das lampadas de tungstênio no centro da cidade se refletia nas enormes poças de água e nas paredes de prédios antigos. A rua inteira brilhava como um enorme refletor cuja única finalidade parecia ser a iluminação do que agora era o palco da dupla. A rua São Bento se transformara no Teatro Municipal e a pequena multidão que se acotovelava embaixo de precárias calhas parecia hipnotizada pela graciosa apresentação desta inusitada companhia de dança.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;A coreografia era perfeita e a sincronicidade dos dois só poderia ser fruto de anos de exaustiva preparação. Quando ele se abaixava, o cão saltava sobre ele e os dois circulavam um hidrante ou um poste como se tudo já estivesse previamente preparado para o espetáculo. Em determinado momento o cão, ofegante, se retirou do palco para uma área coberta e homem agora encenava um espetáculo solo. Sem nenhuma cerimonia, rolava pelo chão molhado para completar um movimento e levantava de um salto e parava subitamente, soltando gargalhadas tão altas que podiam ser ouvidas mesmo com o estrondoso volume do pandemonio fluvial que São Pedro, o contra-regras, proporcionava.&lt;br /&gt;A chuva já virara uma tempestade torrencial, como a preparar o gran finale e ele não parecia se incomodar. Era impermeável, era incansável, era versatil, era elástico, era estonteante, era risonho, era feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um mendigo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-3288801454177858327?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/3288801454177858327/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=3288801454177858327&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/3288801454177858327'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/3288801454177858327'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2010/02/ele.html' title='Ele'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-6977817692766138066</id><published>2010-02-22T10:51:00.001-03:00</published><updated>2010-03-30T12:24:00.211-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='chuvapaulistana'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cronicas'/><title type='text'>Do lado de dentro</title><content type='html'>&amp;nbsp;&amp;nbsp; Não sou exatamente religioso mas confesso que me agrada a idéia da existencia de uma mente maligna por trás de todo o mal. Só isso explicaria os serviços&amp;nbsp;de call center, as psicólogas de RH e pizza para microondas.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Falo isso porque tenho absoluta certeza de que foi esta mente que criou monstruosidades como a Av. Do Estado e as Marginais Tietê/Pinheiros. Mais que&amp;nbsp;maligna, esta entidade foi de um sarcasmo genial ao colocar todas as entradas e saídas da cidade justamente nestas duas faixas fétidas de ódio e desalento.&amp;nbsp;Acredito inclusive que ela nutre um especial orgulho pela saída para a Dutra, á beira do Tietê.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E São Paulo é isso. Quando você sai, é como se ela fizesse questão que você não sinta nenhum remorso ou saudade. E o retorno é um tapa na cara. De&amp;nbsp;realidade, de "bem vindo de volta, otário", de "foda-se, ninguém te obrigou a morar aqui". A impressão que se tem ao deixar a rodovia e entrar em área&amp;nbsp;urbana é de se estar chegando em má hora, uma visita indesejada a uma casa desarrumada. Mas não há boa hora para se estar aqui. O ar fica pesado, o barulho&amp;nbsp;aumenta exponencialmente, o transito para quase que imediatamente, o céu fica mais escuro e a paisagem, bem, a paisagem não existe. O que existe é aquilo e&amp;nbsp;não há outra verdade, mais bonita ou suportável. Ou você aceita ou pega o próximo retorno.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Mas esse Darth Vader supremo que projetou os portais da cidade cometeu um erro grave ao ignorar a natureza humana. Porque apesar de tudo o que se tem é&amp;nbsp;uma sensação de conforto, de segurança, de esperança e, pasmem, felicidade. Ele foi incapaz de prever que, a despeito de tudo de ruim que a cidade representa, as pessoas se sentem bem em estar por aqui e, pior, elas tem ORGULHO de voltar áquele gigantesco amontoado de concreto, fumaça, dor e desilusão. Não é aceitação, é necessidade. O paulistano não passa um unico dia sem reclamar da cidade mas simplesmente não conseguiria viver sem essa "dura poesia concreta".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Se você não mora aqui talvez nunca entenda mas, acredite, é bom estar em casa novamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-6977817692766138066?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/6977817692766138066/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=6977817692766138066&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/6977817692766138066'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/6977817692766138066'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2010/02/do-lado-de-dentro.html' title='Do lado de dentro'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-5387038656506100189</id><published>2010-02-02T22:41:00.012-02:00</published><updated>2010-02-20T17:12:01.404-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cronicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='personagens'/><title type='text'>Capachianas (Parte 3) - O Vizinho do 67</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #555555; font-family: 'Trebuchet MS',Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px; line-height: 16px;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;a href="http://chuvapaulistana.blogspot.com/2010/01/capachices-parte-1-o-capacho.html"&gt;PRIMEIRA PARTE AQUI&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;a href="http://chuvapaulistana.blogspot.com/2010/01/capachianas-parte-2-dona-neide.html"&gt;SEGUNDA PARTE AQUI&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="margin: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #555555; font-family: 'Trebuchet MS',Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: 13px; line-height: 16px;"&gt;&lt;i&gt;Os contrastes são berrantes&lt;br /&gt;na multidão dos sozinhos&lt;br /&gt;Quem não viu nao acredita&lt;br /&gt;Chega até ser bonita&lt;br /&gt;a demanda dos caminhos&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #555555; font-family: 'Trebuchet MS',Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: 13px; line-height: 16px;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;i&gt;(...)&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #555555; font-family: 'Trebuchet MS',Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: 13px; line-height: 16px;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;i&gt;Mas nada disso importa&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #555555; font-family: 'Trebuchet MS',Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: 13px; line-height: 16px;"&gt;&lt;i&gt;O importante é chegar&lt;br /&gt;Quando se tem na chegada&lt;br /&gt;um motivo pra sorrir&lt;br /&gt;Triste é andar por andar&lt;br /&gt;Ver tanta gente passar&lt;br /&gt;E ter que continuar&lt;br /&gt;Sem saber pra onde ir.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #555555; font-family: 'Trebuchet MS',Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: 13px; line-height: 16px;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black; font-family: Arial; font-style: normal; line-height: normal;"&gt;(José Domingos - São Paulo Fim Do Dia)&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ia ser épico. Eu pensei até no que escreveria depois. Seria um texto brilhante, tão brilhante como teria sido minha atuação. Uma mistura de inteligência,&amp;nbsp;sarcasmo e educação. Eu levaria o meliante do 67 à humilhação derradeira. Eu narraria aqui depois como levei o bandido do condomínio ás lágrimas e como ele&amp;nbsp;de joelhos imploraria perdão por todas aquelas semanas de incomodo. Eu narraria como coloquei um pária social em seu devido lugar. Eu evocaria Casablanca e&amp;nbsp;seria Clark Gable enquanto ele seria o figurante marroquino que olha pra câmera no minuto 112.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Consideradas as possibilidades que eu tinha, há de se concordar que minha idéia, de inicio, parecia interessante. O momento, eu narrei nos primeiros&amp;nbsp;parágrafos do primeiro post desta história. Depois de várias semanas aturando aquela atitude do inimigo na porta ao lado, senti que precisava dar um basta,&amp;nbsp;antes que uma onda de roubos de capacho levasse a cidade á guerra civil.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Reagir à violencia psicológica praticada pelo Darth Vader do 67 com violência física ou ofensas à sua progenitora seguindo a &lt;a href="http://chuvapaulistana.blogspot.com/2009/11/o-chileno.html"&gt;escola rojiana de sociologia&lt;/a&gt;, me&amp;nbsp;colocaria obviamente no mesmo nível que ele. Então, repetindo mantras para manter a calma(que aprendi na biografia do Shyama Charan porque convenhamos, Yoga&amp;nbsp;é coisa de bixo grilo e eu sou um menino da metrópole), recolhi meu tapetinho da porta do bastardo e voltei pra rua. Procurei uma papelaria, comprei a&amp;nbsp;melhor caixa para presentes em forma de cubo e coloquei meu amigo enrolado lá. Até mandei passar uma fita em volta e escrevi no cartão:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;Ao co-irmão de condomínio, colega do 67.&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt;&lt;i&gt; &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;Algo que muito prezas. Um presente e uma mão amiga sempre disposta a ajudar.&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt;&lt;i&gt; &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;Rogo-lhe que peças da próxima vez, caro vizinho.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;i&gt;Abraços Fraternais.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ricardo Siqueira.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Abraços fraternais foi meio drama king, o balconista também achou exagero, mas a idéia geral parecia caminhar para um gran finale.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; As coisas começaram a sair de controle logo que o elevador se abriu no sexto andar. O 67 estava sendo destrancado. Eu estava prestes a perder o elemento&amp;nbsp;surpresa. Corri rapidamente pra a frente da porta segurando meu cubo (que era um tanto caricatural, parecia um diploma gigante) fazendo pose de quem ia&amp;nbsp;apertar a campainha. Quando a porta abriu, exibi um sorriso hipócrita e fingi surpresa. E eis que, depois de 6 meses no novo&amp;nbsp;apartamento e semanas de batalha psicológica, eu finalmente encarava os olhos de meu oponente. O vizinho do 67 postava-se á minha frente, vestindo uma&amp;nbsp;bermuda de pijama e camiseta "Fluzão eu acredito - Libertadores 2008", pronto pra jogar o lixo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&amp;nbsp;Se o tivesse visto antes, provavelmente não teria os ímpetos violentos que narrei aqui semanas atrás. Os leitores assiduos do blog(vocês dois)&amp;nbsp;provavelmente vão se lembrar que eu fico &lt;a href="http://chuvapaulistana.blogspot.com/2009/11/academia-fim-do-dia.html"&gt;profundamente intimidado por pessoas maiores que eu&lt;/a&gt;&amp;nbsp;(o que, com 1.75, &amp;nbsp;sejamos sinceros, abarca boa parte da humanidade). Mas o problema não era simplesmente o tamanho dele. O cabelo raspado, os olhos terrivelmente verdes, o queixo simetricamente quadrado e&amp;nbsp;um nariz que provavelmente já foi deslocado mais vezes que que o joelho do Ronaldo, formavam o perfeito estereótipo do psicopata. Até hoje, quando vejo&amp;nbsp;aqueles cartazes de assaltantes no metrô ou um retrato falado no notíciário, tenho a impressão de que vou reconhecer meu vizinho. Fora a expressão, que&amp;nbsp;era uma mistura de hooligan inglês e fuzileiro naval americano, e tinha o olhar do &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=wkh6if8TL2U"&gt;Javier Barden em "Onde Os Fracos Não tem Vez".&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Devo admitir que o conjunto da obra era bastante intimidador. Tudo isso associado á minha completa inabilidade em de improvisação em situações não&amp;nbsp;planejadas, provavelmente me fez parecer um tanto ridículo de início.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;-Isso é pra mim?; disse ele, sem sorrir.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;-É, eu anh, oi. Tudo bom?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;-Você é daí né.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;-Do 65, sim.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;-É seu tapete né?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;-Capacho, é...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;-Quero não, valeu.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;-Como assim?! (ora veja você, agora ele desdenhava! Meu tapetinho não é bom o suficiente pra você? seu cretino cleptomaniaco!)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;-Ah então, tu mora aí tem quanto tempo? Uns 2 meses né?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;-Por aí. (se você olhar com atenção a foto ao lado percebe que eu não faço exatamente o tipo notável. Não me foi nenhuma surpresa ter minha presença ignorada&amp;nbsp;por 4 meses)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;-Pois é, nunca veio nem dar um oi. Daí eu pegava pra ver se tu vinha falar comigo. Paulista é tudo estranho mesmo, parece que só se coça se mexe em alguma&amp;nbsp;coisa de valor.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;Ao dizer isso passou por mim e foi depositar o lixo no dispensador do hall.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;De costas pra ele, ainda balbuciei impotente "Não era bem questão do valor".&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;-Boa. Quer entrar?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;-Não eu ah...é ...então...tá.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;-Já é.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&amp;nbsp;E o segui enquanto retirava e escondia o cartão. Não é porque deu tudo errado que eu abriria mão de um mínimo de auto-estima, certo?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ele abriu um borboun e eu odeio wisky, mas me senti honrado pelo gesto e ainda estava me recuperando da indigna apresentação então só consenti com a&amp;nbsp;cabeça e aceitei o copo extendido. Não vi o quarto mas a sala tinh a pouca coisa além de um sofá-cama e algumas caixas de papelão, que ele aparentemente&amp;nbsp;lacrava antes de eu chegar. Tomou o cuidado de forrar uma delas antes de me oferecer como mesa.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Bandolinista de Macaé, estava de mudança pra Portugal, se não me engano Coimbra, onde ganhou uma bolsa de estudos na universidade local que - eu espero - lhe garantirá o suficiente&amp;nbsp;para não precisar roubar o capacho dos vizinhos.(e com sorte comprar um pijama decente).&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ele não sorria. Foi o que aprendi sobre ele de cara. Tinha umas tiradas geniais sobre qualquer coisa, mas não ria delas. Falava das coisas de maneira&amp;nbsp;empolgada e pegando nas pessoas (fato que não me deixava muito confortável uma vez que o conheci com um saco de lixo na mão), mas, céus, o cara não ria! Detalhe dispensável, claro, porque eu tentava desesperadamente memorizar as histórias dele e as grandes sacadas, pra depois escrever aqui e tomar&amp;nbsp;como minhas. Aplacaria minha&amp;nbsp;consciência&amp;nbsp;lembrando que dei meu capacho por elas.(um objeto de valor sentimental inestimável por umas boas idéias pra&amp;nbsp;escrever, eu sei, eu sou uma puta literária)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&amp;nbsp; Me explicou do jeito dele que em 8 meses morando em São Paulo não fez muitos amigos fora da orquestra da faculdade e do conservatório. E ficava&amp;nbsp;estupefato com o egoísmo das pessoas daqui. O grande símbolo, na sua visão era a ausência do segundo beijo nos cumprimentos.&amp;nbsp;Figura interessante, o vizinho do 67. Um orador brilhante que tomava uma pequena diferença cultural como um monumento á individualidade paulistana e o&amp;nbsp;motivo de seu primoroso fracasso em estabelecer relacionamentos saudáveis fora do trabalho. E acredite, eu já concordava ANTES de ele encher meu terceiro copo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Tentei argumentar que éramos vítimas de nós mesmos. Vivíamos numa cidade de proporção geografica muito além do aceitável e gravíssimos problemas de&amp;nbsp;locomoção, sobretudo na época das chuvas. E isso associado ao excesso de trabalho deixava todo mundo sempre sem tempo. Por isso, até por uma questão de&amp;nbsp;adaptação para sobrevivencia (valeu Darwin!) desenvolviamos um certo pragmatismo, que nos privava de determinadas convenções sociais. Eu disse que fazer&amp;nbsp;amigos em São Paulo era muito mais fácil do que parecia. Bastava entender o caráter individualista e objetivo da coisa e simplesmente pular algumas etapas.&amp;nbsp;E assim voltamos ao assunto do capacho e eu sabia que tinha poucos minutos pra encontrar uma explicação racional e sucinta antes de estar bebado demais para&amp;nbsp;soar convincente. Arrisquei.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;-Na verdade, acho que tudo aqui é tão caótico que as pessoas precisam de pequenas certezas que lhes deem a ilusão de que estão no controle. A certeza de&amp;nbsp;encontrar o capacho na porta de casa dá a sensação de saber tudo o que vai acontecer depois e que portanto, nada vai dar errado. Porque se você tem certeza da segurança do lar, todo o resto é aceitável, entende?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;-Entendi que você é demente e devia procurar ajuda.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;-Como assim?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;-Sei lá, você fala de um tapete como se fosse coisa viva. Isso é bizarro. Acho que você tá trabalhando&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;demais, tá ficando meio freak bixo. Paulista&amp;nbsp;é tudo freak mesmo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;-Paulistano. Com a palavra o senhor "roubo capachos para fazer amigos".&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;-Funcionou não funcionou? Acho que você se leva muito a sério.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;-Não me levo a sério, só acho que ou você tá bebado ou é disléxico, porque eu quase te dei uma tese de mestrado aqui.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;-Pode crer! Essa rolemã na tua orelha é super academica né!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;-Não. Academico é o skinhead do bandolin.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;Não sei se efeito do wiskey ou da minha primeira boa sacada mas ele finalmente sorriu com a última.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;Daí tudo ficou muito mais simples e sobra pouco a contar aqui, exceto a impressão de que mais alguém bebia conosco, dada a velocidade com que a garrafa&amp;nbsp;esvaziava. Riamos de qualquer coisa, e ele contava que os pratos dele se mexiam quando eu &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=ere1sAHNGJA"&gt;ouvia dubstep&lt;/a&gt; e eu balbuciei alguma coisa sobre meu sub woofer ser o paultergeist ou babaquice etílica do tipo. Desnecessário dizer que áquela altura eu já tinha até mostrado o tal cartão vergonhoso que acompanhava o&amp;nbsp;presente e esqueci todas as tiradas incriveis do começo da noite.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;Já passava das 3 da manhã quando me arrastei de volta pro meu ap. Fiquei de voltar antes que ele se mude. Dessa vez ao invés do capacho, eu levo os cigarros e aquele arak que um amigo trouxe do Líbano. Ele entra com os copos(e o sofá, se eu desmaiar).&amp;nbsp;Na verdade a gente até combinou de comprar um capacho igual pra celebrar noite tão histórica e se&amp;nbsp;você achou isso estranho, precisa começar a beber mais (meia garrafa de borboun é comprovadamente quantidade adequada).&amp;nbsp;Prometeu nunca&amp;nbsp;reclamar do barulho e nunca mais tocar em meu tapetinho. Por mim parecia um ótimo acordo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;É boa gente, o vizinho do 67.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-5387038656506100189?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/5387038656506100189/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=5387038656506100189&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/5387038656506100189'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/5387038656506100189'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2010/02/capachices-parte-3-o-vizinho-do-67.html' title='Capachianas (Parte 3) - O Vizinho do 67'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-8480068192406681250</id><published>2010-02-02T15:18:00.006-02:00</published><updated>2010-03-16T12:22:12.918-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pessoal'/><title type='text'>Porque eu adoro o twitter...</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: 'Lucida Grande', sans-serif; font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 14px; line-height: 16px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black; font-family: 'Times New Roman';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium; line-height: normal;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: 'Lucida Grande', sans-serif; font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black; font-family: 'Times New Roman';"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: 'Lucida Grande', sans-serif; font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black; font-family: 'Times New Roman';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: 'Lucida Grande', sans-serif; font-size: 14px; line-height: 16px;"&gt;Tweet 1&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: 'Lucida Grande', sans-serif; font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black; font-family: 'Times New Roman';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: 'Lucida Grande', sans-serif; font-size: 14px; line-height: 16px;"&gt;Acabei de encontrar meu high school sweetheart na rua. Seu nome é Jeovah,ele estava de nike shox e disse que eu sempre fui "revolucionaria".&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: 'Lucida Grande', sans-serif; font-size: 14px; line-height: 16px;"&gt;&lt;span class="entry-content" style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;"&gt; &lt;br /&gt;Tweet 2&lt;br /&gt;Eu perguntei o porquê. Ele disse que era porque eu GOSTAVA DE LER e FALAVA UMAS COISAS ESTRANHAS. E que disse isso porque eu estava tatuada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tweet 3&lt;br /&gt;8 anos depois e tudo o que meu high school sweetheart tinha para me dizer é que eu era meio "revolucionária" Obrigada, Jeovah.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resultado tá no&amp;nbsp;&lt;a href="http://umbigodepaula.blogspot.com/2010/02/joguinho.html"&gt;Umbigo de Paula&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-8480068192406681250?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/8480068192406681250/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=8480068192406681250&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/8480068192406681250'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/8480068192406681250'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2010/02/porque-eu-adoro-o-twitter.html' title='Porque eu adoro o twitter...'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-1028500120270450754</id><published>2010-01-22T14:11:00.014-02:00</published><updated>2010-11-22T20:13:21.677-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cronicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='personagens'/><title type='text'>Capachianas (Parte 2) - Dona Neide</title><content type='html'>.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://chuvapaulistana.blogspot.com/2010/01/capachices-parte-1-o-capacho.html"&gt;PRIMEIRA PARTE AQUI&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Muito bonito o seu tapetinho viu?&lt;br /&gt;-Meu tapete?&lt;br /&gt;-Da porta! Muito bonito viu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela sempre me arrancava um sorriso quando dizia isso. Talvez por isso o dissesse com tanta frequencia. Não se pergunta a idade de uma dama mas posteriormente eu soube: 83. Baixinha, coisa de 1,50 cabelos curtinhos e enormes óculos de armação grossa que, a julgar pelo que enxergava, eram meramente decorativos. Morava com a uma outra senhora, provavelmente mais velha que ela e intelectualmente nula que estava sempre com um olhar perdido, uma expressão distante. Era sua irmã que eu mentalmente sempre conheci como "o pinheiro"(muito alta, muito fina e, obviamente, um vegetal). &amp;nbsp;Eu constantemente cruzava com as duas, inseparáveis e a cena bem poderia ter saído de um livro do Terry Pratchett: Uma velhinha pequena e falante arrastando pela rua uma espécie de mancebo vivo de cabelo branco.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Elas tinham uma au pair que me acordava aos berros todas as manhãs de segunda a sexta. Embora sempre me assustasse a gritaria no apartamento vizinho, eu descobri sozinho que era estritamenta necessária, uma vez que Dona Neide não tinha mais os ouvidos de outrora. Depois de quatro meses testando os limites sonoros do condomínio(musica sempre alta sobretudo de madrugada, montagens no domingo e furadeira ás 3 da manhã) nos encontramos no hall do elevador e ela me saiu com:&lt;br /&gt;&amp;nbsp;-Mas é você que mora aí é? Eu achei que esse apartamento tava vazio. Você é tão quietinho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A surdez de Dona Neide e a indiferença patologica da irmã já seriam o suficiente pra criar em mim simpatia instantânea pelas duas. Talvez justamente por não ouvir muito bem, ela tenha se dedicado com tanto empenho á atividade que lhe restava: falar. Intermitantemente. Não havia qualquer separação entre frases e provavelmente se achava velha demais para entender o que era uma virgula. Sempre foi um mistério pra mim como ela respirava. Ouvi-la era como ler Saramago.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Mas Dona Neide tinha uma certa sensibilidade, ela sabia como me agradavam os elogios ao capacho, e quando me via sabia exatamente como ganhar minha atenção. Sua figura, acompanhada do pinheiro, no hall do elevador me era sempre simpática mas era o capacho que nos unia. Depois de ouvir um elogio, eu sempre acabava dedicando algum tempo a ouvi-la.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Não era fácil acompanhar o raciocinio de Dona Neide. Ela costurava pelos assuntos com a agressividade e velocidade irresponsável de um motoboy na marginal. E igualmente também costumava acabar em choques violentos. Quase todos eram dirigidos ao Doutor Filho da Puta(maiúscula sim, porque Dona Neide tinha tanto cuidado em pronunciar 'Doutor' antes de cada insulto dirigido ao seu ex geriatra que muitas vezes parecia que aquele era mesmo seu nome). Segundo ela, sempre que reclamava da súbita perda de visão e eventuais dores de cabeça ouvia do médico que "aquilo era normal, coisas da idade". Descobriu que tinha glaucoma tarde demais para evitar a perda de 100% da visão do olho esquerdo e boa parte do olho direito. Nunca ouviu um pedido de desculpas do médico e sempre que tropeçava ou esbarrava em algo, homenageava a mãe do doutor. Eu mesmo vi a cena diversas vezes e era tragicômico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;-Meu filho ia processar ele mas o desgraçado ainda fez o favor de morrer, doutor filho da puta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Nunca soube como terminou a história pois ela ainda andava ás voltas com a ouvidoria do convênio médico quando a irmã faleceu. Aquilo a transformou completamente. Esquecia nomes, números, recontava o que havia contado 10 minutos antes, enxergava cada vez menos, já não falava tanto. Me interfonava só pra ir até lá confirmar se não havia esquecido nenhuma torneira aberta. Ás vezes havia. Eu estava quase de mudança e, num arroubo sentimentalista, prometi deixar meu capacho pra ela quando fosse. Na verdade, quando chegou a hora, contei com sua memória claudicante pra descumprir a promessa.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Talvez por isso que ver meu tapete na porta do 67 me deixava tão transtornado. Não por ela, mas pela idéia de que aquele objeto em específico era capaz de portar lembranças e guardar com ele cada época e cada momento de cada fase vivida nos ultimos anos. E ficava imaginando quanto mais ele ainda poderia presenciar. Como um daqueles vasos enterrados, em que arqueólogos encontram rastros de uma civilização inteira, aquele pedaço de pano era cada amigo, inimigo, conhecido, romance. Era a Giovanna, o Renato, a Carol, a Carla, o Guilherme. E era Dona Neide. Roubando meu capacho, o vizinho roubava também uma parte da minha história e um pouco do significado de quem eu era.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu decidi escrever essa história no dia em que soube que apenas algumas semanas após me mudar, a mãe do doutor foi poupada. Dona Neide não acordou. Mas ao invés de uma senhora cansada que perdeu a unica companheira e morreu de solidão, prefiro a imagem da velhinha meio cega, meio surda e totalmente irritada que, cansada de brigar com o plano de saúde, foi pessoalmente tirar satisfações com um médico filho da puta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://chuvapaulistana.blogspot.com/2010/02/capachices-parte-3-o-vizinho-do-67.html"&gt;&lt;b&gt;Continua(clique aqui)...&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-1028500120270450754?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/1028500120270450754/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=1028500120270450754&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/1028500120270450754'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/1028500120270450754'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2010/01/capachianas-parte-2-dona-neide.html' title='Capachianas (Parte 2) - Dona Neide'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-1611285634027581881</id><published>2010-01-19T09:55:00.003-02:00</published><updated>2010-01-26T18:42:56.444-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='snapshots'/><title type='text'>Life as usual...</title><content type='html'>De pé, estático, numa esquina da Avenida Consolação. O coração disparado e respiração ofegante. Tentava entender o que o havia deixado em pânico. Tirou os fones apressadamente e mirou rua abaixo com cuidado. A não ser por um grupo de adolescentes subindo na direção contrária e um policial se escondendo da chuva, a rua estava vazia, como deveria estar, alta madrugada que era, em plena segunda feira. Deu meia volta e fitou com atenção o que acontecia atrás de si. Olhou os carros estacionados, as vitrines apagas, o semáforo que abria para ninguém. Buscava, na memória recente o que poderia ter perdido. Um som, uma sombra, um detalhe; qualquer coisa que tivesse acontecido naquele exato instante que o levou a congelar, assustado. Olhou novamente o policial, os adolescentes, os luminosos. Nada diferente. Então lhe ocorreu que o que havia lhe amedrontado não era o que havia mudado. Absolutamente nada se alterara nos últimos segundos. Na verdade nada se alterara nos ultimos meses, talvez anos. Na esquina e nele, tudo continuava exatamente como o fora desde quando podia se lembrar.&lt;br /&gt;E isso era assustador...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-1611285634027581881?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/1611285634027581881/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=1611285634027581881&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/1611285634027581881'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/1611285634027581881'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2010/01/life-as-usual.html' title='Life as usual...'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-3830903139747546257</id><published>2010-01-16T20:23:00.000-02:00</published><updated>2010-01-16T20:23:28.746-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='futebol'/><title type='text'>Pernas Tortas</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.oleole.com/media/main/images/member_photos/group1/subgrp5/garrincha_106268.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://www.oleole.com/media/main/images/member_photos/group1/subgrp5/garrincha_106268.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;i&gt;Se há um deus que regula o futebol, esse deus é sobretudo irônico e farsante, e Garrincha foi um de seus delegados incumbidos de zombar de tudo e de todos, nos estádios. Mas, como é também um deus cruel, tirou do estonteante Garrincha a faculdade de perceber sua condição de agente divino. Foi um pobre e pequeno mortal que ajudou um país inteiro a sublimar suas tristezas. O pior é que as tristezas voltam, e não há outro Garrincha disponível. Precisa-se de um novo, que nos alimente o sonho.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;(Carlos Drummond de Andrade, sobre Garrincha, falecido há exatos 27 anos)&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-3830903139747546257?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/3830903139747546257/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=3830903139747546257&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/3830903139747546257'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/3830903139747546257'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2010/01/pernas-tortas.html' title='Pernas Tortas'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-6851467375463624834</id><published>2010-01-07T11:55:00.006-02:00</published><updated>2010-11-22T20:13:01.553-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cronicas'/><title type='text'>Capachianas (Parte 1) - O Capacho</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: 13px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: 13px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: 13px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: 13px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: 13px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: 13px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: 13px;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span id="goog_1264180323680"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span id="goog_1264180323681"&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/"&gt;&lt;/a&gt;Primeira parte de um texto de 3 posts sobre um companheiro fiel, feito de feltro, borracha e muita personalidade...&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: 13px;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: 13px;"&gt;&lt;a href="http://misshalliday.files.wordpress.com/2009/06/capacho.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="172" src="http://misshalliday.files.wordpress.com/2009/06/capacho.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: 13px;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: 13px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: 13px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: 13px;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;Eu não podia acreditar no que via. Não podia suportar tamanho disparate! Parafraseando o deputado carioca, o vizinho do 67 despertava em mim os sentidos&amp;nbsp;mais primitivos. Eu já podia prever as manchetes no Diario Popular ou no Agora: "Homem descontrolado mata vizinho a beliscão" ou "Esquartejou vizinho com&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: 13px;"&gt;faca de passar manteiga". Eu me imaginava invadindo o apartamento 67 com um pé na porta e uma .50, bem ao estilo Al Pacino em Scarface, "Say hello to my&amp;nbsp;little friend!" e pa pa pa pa pa...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: 13px;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;No começo parecia só uma brincadeira ou um mal entendido. Mas a cena começou a se repetir dia após dia por semanas a fio: Eu chegava do trabalho e lá&amp;nbsp;estava, meu capacho, um pedaço da minha identidade, uma continuação de mim, repousando criminosamente sob a porta do apartamento 67. Maldizendo toda a&amp;nbsp;árvore genealógica do larápio por trás daquela porta(que eu imaginava soltando maléficas gargalhadas me observando impune pelo olho mágico) recolhia meu&amp;nbsp;pequeno eu de volta á seu habitat natural, bufando e resmungando até o onde minha educação permitia demonstrar contrariedade.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: 13px;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;Não se toca no capacho de um homem, isso é coisa séria! No caos minimamente organizado de uma cidade que vive 24 horas no limite da sanidade, o que seria se&amp;nbsp;homens de bem de repente não encontrassem mais seus respectivos capachos instalados em suas portas? Veja bem, nós temos os enchentes, as filas na marginal,&amp;nbsp;a confusão nos coletivos, a criminalidade que intimida, a pressão diária por resultados profissionais utópicos e o constante clima de estresse de uma enorme&amp;nbsp;massa trabalhadora flagelada pela dura competição do mercado e pela responsabilidade imputida no auto denominado posto de "locomotiva do Brasil".&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: 13px;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;Mas se você for capaz de sobreviver a isso, depois do mamute diário vai sempre poder contar com a desejada tranquilidade do conhecido e da segurança&amp;nbsp;simbolizada por um simpático "bem vindo" como a sorrir recompensadoramente no chão da porta. Ou quase sempre, porque o monstro do 67 estava determinado a&amp;nbsp;desmoralizar esta emborrachada instituição!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: 13px;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;Percebe a gravidade do assunto? O fim da certeza do capacho seria o fim da era da razão! A anarquia! O armagedon social! Uma reação em cadeia fatalmente&amp;nbsp;extinguiria todas as práticas básicas de convivência e o modelo de sociedade ocidental que conhecemos ruiria por completo. Restaria apenas o grande nada da&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: 13px;"&gt;incerteza sobre o qual desfaleceriam os escombros dos valores fundamentais. Aquele sacripanta, aquele gênio do mal, estava disposto a destruir o mundo como&amp;nbsp;conhecemos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: 13px;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;Veja bem caro leitor, antes de dizer "&lt;i&gt;esse retardado tá falando de um tapetinho?&lt;/i&gt;" eu gostaria que pensasse a fundo sobre isto.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: 13px;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;O capacho é mais que um pedaço de borracha e pano. Ele é a roupa de um apartamento, é a identidade do morador, a forma como ele pretende que o mundo o&amp;nbsp;veja. Nada pode ser mais determinante da personalidade de qualquer personagem metropolitano que a decoração de sua fronteira com o mundo externo. É como a&amp;nbsp;bandeira nos portões da muralha. Eu passaria horas observando as pessoas na rua e imaginando que tipo de capacho elas teriam em suas portas. O gigante da&amp;nbsp;academia, o chileno da banca, o taxista bebado do Clash ou o entregador que sempre traz o troco errado. Todos eles teriam capachos condizentes com a&amp;nbsp;respectiva imagem que eu faria deles.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: 13px;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;Vou além. Muito me admira o mais célebre apartment dweller do mundo, Woody Allen, fazer tantos filmes com mães judias e reservar aos capachos apenas&amp;nbsp;uma ponta como figurante esconde-chaves. Na real, se existissem edificios residenciais em 1899 a obra máxima de Freud seria "A análise dos capachos". &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: 13px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: 13px;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;E o meu é exatamente como eu. E ele também tinha uma história. Há 2 anos, quando saí da casa de meus pais, levei mais tempo para encontra-lo que para&amp;nbsp;mobiliar o apê. Vou poupar os detalhes mais intimos sobre o dia em que nos conhecemos mas resumindo foi algo como uma criança num canil, evitando os olhares&amp;nbsp;de pena dos candidatos a se insinuarem prevendo seu fim num shinbu coreano.&amp;nbsp;Eu havia andado o dia inteiro e estava a perto desistir quando troquei olhares com o eleito, the choosen one, o Neo dos capachos, O messias das camadas&amp;nbsp;duplas de feltro.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: 13px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: 13px;"&gt;Começava a nossa história...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: 13px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: 13px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: 13px;"&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://chuvapaulistana.blogspot.com/2010/01/capachianas-parte-2-dona-neide.html"&gt;Continua(clique aqui)...&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: 13px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-6851467375463624834?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/6851467375463624834/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=6851467375463624834&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/6851467375463624834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/6851467375463624834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2010/01/capachices-parte-1-o-capacho.html' title='Capachianas (Parte 1) - O Capacho'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-1714063633740981061</id><published>2009-12-30T16:55:00.003-02:00</published><updated>2010-03-16T12:22:31.785-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='geral'/><title type='text'>E o salário ó...</title><content type='html'>Ronaldo briou muito no curintia. Roberto Carlos depilou os peitos por tras do terno azul. Caê arrumou encrenca até com o ditador cubano. O ditador cubano deu pra virar blogueiro. Suzana Vieira interpretou ela mesma (sem o bombeiro) na TV. Dick Cheney(aquele da "segurança nacional") iniciou um movimento pra provar que Obama não é americano. O filme novo do Guy Ritchie é igual ao anterior, que já era igual ao primeiro. Tudo isso somado ao cd novo da Gal Costa mostra que o "e o salário ó" de Chico Anysio ontem apenas fechou com chave de ouro um ano em que ninguém soube a hora certa de parar. Paul Samuelson grande entusiasta da aposentadoria compulsória e falecido dias atrás, mal teve tempo de se acomodar ao caixão e já deve ter dado um twist carpado ontem ao ver o sexagenário professor Raimundo.&lt;br /&gt;E que 2009 acabe logo, antes que mais alguém resolva voltar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-1714063633740981061?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/1714063633740981061/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=1714063633740981061&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/1714063633740981061'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/1714063633740981061'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2009/12/e-o-salario-o.html' title='E o salário ó...'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-329688704171153284</id><published>2009-12-21T10:29:00.004-02:00</published><updated>2009-12-21T17:10:49.220-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cronicas'/><title type='text'>Natalinas.</title><content type='html'>São Paulo, sexta feira 20h. Avenida Brasil, Brigadeiro Luiz Antonio e 23 de Maio completamente paradas porque há um monumento über kistch piscando ensandecidamente em frente o Ibirapuera. E a Avenida Paulista após as 19h vira um estacionamento porque 150 anos depois de Thomas Edson ainda tem gente maravilhada em ver uma lâmpada piscando! Nada contra o espirito natalino sabe? Eu adoro ver as pessoas passeado pelas luzes da Oscar Freire se imaginando na Times Square. Tem apple houses, tem gadgets on sale, tem até winter cookies na starbucks! Dia desses ainda neva nos Jardins! &lt;br /&gt;Mas não é justo levar meia hora a mais pra voltar do trabalho porque você quer ver o Papai Noel pendurado na árvore. &lt;br /&gt;Mas tudo tem seu lado positivo e é aí que entro no motivo deste post: Nobutoshi Kihara. Há 31 anos este nobre engenheiro da sony inventava o que deveria ser o grande lançamento da empresa para as vendas de Natal nos Estados Unidos: Uma caixinha de música portátil, então chamada de walkman. Infelizmente o projeto chegou atrasado para emplacar na black friday americana mas saiu a tempo de colocar o nome deste senhor nipônico na história, na minha vida, e no meu blog.&lt;br /&gt;Quem diz que o cão é o melhor amigo do homem nunca teve um walkman. Fato. O walkman é uma dessas grandes idéias que faz coisas como a cura da tuberculose ou a sonda em marte parecerem futilidades cientificas, piada nerd. &lt;br /&gt;Imagine-se no coletivo parado no transito de deslumbrados natalinos. O que pode ser mais coerente que voz aveludada de Laura Marling no ouvido lhe dizendo pra "&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=ZWXF1W_KaWg"&gt;step away from my light, i need shine&lt;/a&gt;"? &lt;br /&gt;É claro que você, leitor clichê que é, embuído do espirito festivo de dezembro, vai falar do fator anti-social desta pequena caixinha de felicidade. Mas John Legend contra ataca: "&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=MNddM12irDI"&gt;we just don't care!&lt;/a&gt;". Convenhamos isso aqui é São Paulo. Ninguém quer conhecer, ninguém quer ser conhecido. Você não vai fazer amizade com a tia gorda sentada no banco ao lado. Sua futura cara metade não esta neste momento acotovelando-se com um vendedor de chocolate na catraca. E se o tal fator anti-social faz parte da própria natureza da cidade, só a música pode transformar esse caos sufocante numa grande experiência sonora/cultural.&lt;br /&gt;O que me lembra outra grande idéia do natal: Os bancos da paulista, travestidos de bons moços e exalando harmonia amor e paz na terra aos homens de bem, colocam pequenas caixas de som nas calçadas com uma brilhante seleção de músicas de elevador. &lt;br /&gt;E foi ali, na porta do HSBC, ouvindo os versos rasgados de Ella Fitzgerald em &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=2XggjVo3j-o"&gt;Cry Me a River&lt;/a&gt; que eu pensei, porque não? Porque não, uma rádio comunitária na paulista inteira, o ano inteiro? A rádio paulista a acalmar os neuróticos engravatados na hora do almoço.&lt;br /&gt;Vou além! Porque não uma Rádio Rio Pinheiros® para colorir aquela paisagem monocromática deprimente? Imagine dois avenidões horrorosos separados uma faixa fétida de água poluída rumo ao nada infinito e cercado por favelas que divivem espaço com enormes monstros amorfos de concreto e arquitetura de gosto duvidoso. O que pode ser mais eficiente para aplainar cenário tão desolador que Mike Skinner explicando que isso é só "&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=mykCYNNhZs0"&gt;a hardest way to make an easy living&lt;/a&gt;"?&lt;br /&gt;E aí o Muse no meu fone avisa que "&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=1TpV7k6TFBE"&gt;our hopes and expectations, black holes and revelations&lt;/a&gt;" e eu caio na real e lembro porque isso nunca poderia dar certo. É que pra ser um sucesso, além de iniciativa privada bancando a idéia, a seleção musical precisaria ficar a cargo do gosto popular. Acontece que é dificil ter de admitir e mais dificil ainda faze-lo sem parecer pretensioso, mas a verdade é que o gosto popular vai de mal a pior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volto ao walkman...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-329688704171153284?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/329688704171153284/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=329688704171153284&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/329688704171153284'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/329688704171153284'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2009/12/natalinas.html' title='Natalinas.'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-1289408811457679468</id><published>2009-12-08T14:32:00.002-02:00</published><updated>2010-03-16T12:22:43.341-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pessoal'/><title type='text'>Listas...</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;&lt;div&gt;Absolutamente parcial(como toda lista) discutível(na verdade indiscutível porque não to a fim de explicar a minha opinião) e incompleta. Até o fim do ano subo as musicas e boto uns trailers dos filmes.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Albuns do Ano:&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;1 &amp;nbsp;Dj Hell - Teufelswerk&lt;/div&gt;&lt;div&gt;2 &amp;nbsp;Dusty Kid - A Raver's Diary&lt;/div&gt;&lt;div&gt;3 &amp;nbsp;Anthony And The Johnsons - The Crying Light&lt;/div&gt;&lt;div&gt;4 &amp;nbsp;Vitalic - FlashMob&lt;/div&gt;&lt;div&gt;5 &amp;nbsp;Kasabian - The West Ryder Pauper Lunatic Asylum&lt;/div&gt;&lt;div&gt;6 &amp;nbsp;Dinosaur Jr - Farm&lt;/div&gt;&lt;div&gt;7 &amp;nbsp;Decemberistis - Hazards of Love&lt;/div&gt;&lt;div&gt;8 &amp;nbsp;Beirut - Live at the Music Hall of Williamsburg&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;9 &amp;nbsp;Basement Jaxx - Scars&lt;/div&gt;&lt;div&gt;10 Miss Kittin &amp;amp; The Hacker - Two&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Músicas do Ano:&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;1 Kasabian - Ladies and Gentlemen (roll the dice)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;2 Oliver Huntemamn &amp;amp; Dubfire - Diablo&lt;/div&gt;&lt;div&gt;3 Dj Hell &amp;amp; Brian Ferry - U Can Dance&lt;/div&gt;&lt;div&gt;4 Anthony &amp;amp; The Johnsons - Another World&lt;/div&gt;&lt;div&gt;5 Dusty Kid - America&lt;/div&gt;&lt;div&gt;6 Beirut - La Llorona&lt;/div&gt;&lt;div&gt;7 Venegas &amp;amp; Allendes - Lovizna&lt;/div&gt;&lt;div&gt;8 Anthony Rother - Big Boys&lt;/div&gt;&lt;div&gt;9 The Decemberists - The Hazards of Love IV (The Drowned)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;10 Manu Chao - Rumba de Barcelona (live at Baionarena)&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Filmes do Ano:&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;1 Bastardos Inglórios (Inglourious Bestards - EUA)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;2 Ninguém liga para os gatos persas (No one knows about persian cats - Irã)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;3 Lebanon (Lebanon - Israel)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;4 Todo dia é feriado (Chaque Jour est une Fête - Líbano)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;5 Aconteceu em Woodstock (Taking Woodstock - EUA)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;6 Coco (Coco Avant Chanel - França)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;7 Watchmen (Watchmen - EUA)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;8 Caramelo (Sukkar banat - Líbano)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;9 Abraços Partidos(Los Abrazos Rotos - Espanha)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;10 Valsa com Bashir (Waltz with Bashir - Israel)&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-1289408811457679468?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/1289408811457679468/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=1289408811457679468&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/1289408811457679468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/1289408811457679468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2009/12/listas.html' title='Listas...'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-7066294957871522955</id><published>2009-12-07T15:24:00.005-02:00</published><updated>2009-12-07T15:26:33.302-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='futebol'/><title type='text'>Acabou...</title><content type='html'>&lt;p class="mobile-photo"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/Sx06UVN6kCI/AAAAAAAAAD4/JqpgzlDJCCw/s1600-h/fla-773576.jpg"&gt;&lt;img src="http://3.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/Sx06UVN6kCI/AAAAAAAAAD4/JqpgzlDJCCw/s320/fla-773576.jpg"  border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5412546448136507426" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;Esse delirio que por aí vai pelo futebol tem seus fundamentos na própria natureza humana. O espetáculo da luta sempre foi o maior encanto do homem. O prazer da vitória, pessoal ou do partido, foi, é e será a ambrosia dos deuses manipulada na terra. Admiramos hoje os grandes filósofos gregos, Platão, Sócrates, Aristóteles. Seus coevos, porém admiravam muito mais os atletas que venciam no estado.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;Milon de Crotona, campeão na arte de torcer pescoços a touros, só para nós tem menos importância que seu mestre Pitágoras. Para os gregos, para a massa popular grega, seria inconcebível a idéia de que o filósofo pudesse no futuro ofuscar a glória do lutador.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt; ...Entre nós há o exemplo recente de Friedenreich, um pé de boa pontaria pelo qual nossos meninos são capazes de sacrificar a vida. &lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;E os delírios provocados pelo combate de dois campeões em campo? Impossível assistir-se a espetáculo mais revelador da alma humana que os jogos de futebol em que disputam a primazia paulistanos e italianos em São Paulo.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;Não é mais esporte, é guerra. Não se batem duas equipes, mas dois povos, duas nações, duas raças inimigas. Durante todo o tempo da luta, de quarenta a cinquenta mil pessoas deliram em transe, extáticas, na ponta dos pés, coração aos pulos e nervos tensos como cordas de viola. Conforme corre o jogo, há pausas de silêncio absoluto na multidão suspensa, ou deflagrações violentíssimas de entusiasmo,que só a palavra delírio classifica. E gente pacífica, bondosa, incapaz de sentimentos exaltados, sai fora de si, torna-se capaz de cometer os mais horrorosos desatinos.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;A luta de vinte e duas feras no campo transforma em feras os cinquenta mil espectadores, possibilitando um enfraquecimento mútuo, num conflito horrendo, caso um incidente qualquer funda em corisco as eletricidades psiquicas acumuladas em cada indivíduo.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Monteiro Lobato em 1921. Trecho publicado recentemente no ótimo &amp;#39;&lt;a href="http://www.travessa.com.br/O_FUTEBOL_EXPLICA_O_BRASIL_UMA_HISTORIA_DA_MAIOR_EXPRESSAO_POPULAR_DO_PAIS/artigo/85007995-e2e7-4e9b-866e-faa1a90b22da"&gt;O Futebol Explica o Brasil&lt;/a&gt;&amp;#39;.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-7066294957871522955?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/7066294957871522955/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=7066294957871522955&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/7066294957871522955'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/7066294957871522955'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2009/12/acabou_07.html' title='Acabou...'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/Sx06UVN6kCI/AAAAAAAAAD4/JqpgzlDJCCw/s72-c/fla-773576.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-5997442889099242162</id><published>2009-12-01T20:27:00.003-02:00</published><updated>2009-12-29T15:35:19.346-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='futebol'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='alheios'/><title type='text'>Cousas do Football</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://i2.r7.com/data/files/2C92/94A3/250A/21CC/0125/0A3F/E906/4C0C/fluminense-cerro-porteno-briga-450.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://i2.r7.com/data/files/2C92/94A3/250A/21CC/0125/0A3F/E906/4C0C/fluminense-cerro-porteno-briga-450.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: 'Trebuchet MS',Arial,sans-serif; font-size: 13px; line-height: 17px;"&gt;&lt;i&gt;Si procederdes cavalheiramente para com vosso adversário, para com os assistentes, e acatando todas as decisões dos dirigentes da pugna, tendes demonstrado possuir uma alevantada educação e, com isso, não restará a menor dúvida de que o transcurso do match será infalivelmente prenhe de lances belíssimos. Tão pronto tenhaes maguado um vosso leal adversário, atingindo-o casualmente com o pé, numa rebatida falsa, não vos demoreis em solicitar-lhe desculpas pelo incidente, pois ele, cavalheiro que é, não se lastimará por certo em reconhecer a involuntariedade da falta&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: 'Trebuchet MS',Arial,sans-serif; font-size: 13px; line-height: 17px;"&gt;&lt;i&gt;(&lt;span style="font-style: normal;"&gt;Odilon Penteado do Amaral no livro Cousas do Football, de 1920&lt;/span&gt;)&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: 'Trebuchet MS',Arial,sans-serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 17px;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: 'Trebuchet MS',Arial,sans-serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 17px;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-5997442889099242162?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/5997442889099242162/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=5997442889099242162&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/5997442889099242162'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/5997442889099242162'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2009/12/cousas-do-football.html' title='Cousas do Football'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-574692153960196416</id><published>2009-11-30T13:17:00.000-02:00</published><updated>2009-11-30T13:17:45.227-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='snapshots'/><title type='text'>Send</title><content type='html'>Precisava responder. Devia explicações. E precisava caber nos 160 caracteres de um sms. Durante quase 40 minutos mediu as virgulas, os porquês, os portantos, os ses e os agoras. Ainda colocou um "do sempre seu" no final mas prudentemente apagou antes de enviar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-574692153960196416?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/574692153960196416/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=574692153960196416&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/574692153960196416'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/574692153960196416'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2009/11/send.html' title='Send'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-8497700435139695747</id><published>2009-11-26T21:33:00.005-02:00</published><updated>2010-02-20T17:12:45.371-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cronicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='personagens'/><title type='text'>O chileno</title><content type='html'>&lt;i&gt;Já falei dele aqui.No ex aqui. No que era aqui antes de o aqui virar o aqui de agora. Mas vá lá...&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem a mesma banca na esquina da praça roosevelt desde sempre. E desde sempre as pessoas colocam todo tipo de publicação gratuita/alternativa/ruim na armação onde bancas convencionais colocam o jornal do dia. É só chegar dar um oi e colocar. Percebi que recentemente as pessoas colocam folders de peças em cartaz e alguma propaganda poluidora também. Mas ele não reclama. Ele nunca olha feio pra ninguém.(pelo menos eu acho, quero dizer, ele É terrivelmente feio então seria técnicamente impossivel que ele olhasse bonito para alguém, mas nunca detectei agressividade). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade ele costuma sorrir e chamar as pessoas no diminutivo, perguntando como vai a vida. Um sorriso que aliás é a maior antítese autocontida desde o ice coffee de maracujá. Explico: A expressão dele parece ser composta de todas as piores coisas que a vida pode fazer com uma pessoa, mas que, quando ele as reagrupa rapidamente naquela ordem específica em seu rosto, faz que você sinta que "ah, bom, então está tudo bem".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu "frequentei" o lugar uns anos atrás. Toda quinta tinha nas supracitadas armações um negócio chamado Sampa Zine que era uma pequena coletanea de contos e crônicas de escritores amadores. Fazia sentido na época, e eu não lembro bem porque mas fazia sentido também o fato de ele saber meu nome, usa-lo no diminutivo e perguntar como ia a vida. Eu sempre respondia "bem, bem", pegava o tal zine e saía fingindo pressa. Foi mais de um ano assim e nunca perguntei seu nome ou respondi outra coisa que não "bem, bem" embora ele estivesse sempre testando novas variações de "como vai a vida". Não que eu tenha algo contra os compatriotas de Neruda. É só que eu não gosto das pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois dia desses era meu caminho, redescobri o lugar. Ainda estavam lá os folders de peças em cartaz, uns 3 meses de edições do guia off e até alguns &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;panfletos de mães de arbitros de futebol a oferecer maneiras bem pouco ortodoxas de livrar os homens desse grande mal de nosso tempo, a solidão.&lt;br /&gt;Só não havia o Sampa Zine, esse realmente já deixou de existir, conforme me explicou o sorridente andino. Fato é que lembrar da finada publicação me deixou por um momento despido de minha habitual misantropia. Até me deu vontade de conversar com o homem. O sobrenome dele era Rojas, o mesmo daquele goleiro pivô da fraude do &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Fogueteira_do_Maracan%C3%A3"&gt;foguetório no maracanã&lt;/a&gt;, que acabou por ser banido do futebol. Banido foi também da lista de honra de outro Rojas, o seu Rojas. Este ultimo aliás se dizia envergonhado pela má reputação que seu chará havia conferido á época ao país andino. Deu inclusive uma alternativa ao banimento, alternativa muito mais realista (um realismo Tarantiniano, é bem verdade, mas ainda assim realista).&lt;br /&gt;Acontece que o ódio contido de Seu Rojas não se restringia ao invulgar chará. Ele começou a falar dos fiscais do rapa que viviam inventando irregularidades na banquinha pra ganhar um "cafézinho". Pra esse problema ele também teria uma hipotética solução. Envolvia uma praça pública, uma árvore e uma corda. Foi aí que o chileno se empolgou.&lt;br /&gt;Durante mais ou menos uns quinze minutos seu Rojas confessou-me todos os seus desafetos. E invariavelmente, em sua idealização de mundo, eles teriam destinos igualmente terriveis ou piores que os os anteriores.&lt;br /&gt;A certa altura eu devo ter me desconcentrado pois quando voltei a escutá-lo o dialogo estava mais ou menos nesse nível:&lt;br /&gt;-Ai eu fui lá e falei, "vai se foder!"&lt;br /&gt;-E aí?&lt;br /&gt;-E aí o que?&lt;br /&gt;-Falou o que depois?&lt;br /&gt;-Não, isso, falei "vai se foder".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ofensa para seu Rojas era um fim, em si. E, admita-se, o homem era genial! No que tocava á arte do insulto a criatividade de seu Rojas não conhecia limites. Pensei, porque não? O cara não parava de sorrir, alguma razão ele precisava ter. Acontece que no mundo de Rojas todos seriam felizes porque tratariam seus desafetos com alternativas que variavam entre escoriações, perfuraçoes, decapitações e exploração de orificios. E graças a isso é que estariam sempre sorridentes, leves e desimpedidos para se chamarem por diminutivos, e perguntar como ia a vida.  Que invariavelmente iria bem, elimidados que seriam os indesejaveis, ao melhor estilo chinese democracy.&lt;br /&gt;Não se engane, seu Rojas não é um psicopata. Seu Rojas é o Oscar Niemeyer da arquitetura social. Fosse em outras circunstâncias ele escreveria best sellers de auto ajuda, cases de teoria política e roteiros de 'Jogos Mortais'.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja bem, todo dia a gente engole pequenos sapos cotidianos de alguém que não merece sequer dividir o mesmo planeta. E a sensação de impotência diante de tamanho despautério se traduz em igual reação a outrem, que nada tem a ver e que vai respectivamente propagar seus  próprios impropérios, como uma imensa corrente do mal. E a cidade vai se brutalizando com o passar dos anos. Ah mas não no mundo de seu Rojas! Bastaria um engraçadinho disposto a prejudicar seu humor, e ele desenterraria todos aqueles relatos da inquisição espanhola e testaria no infeliz, um de cada vez...e depois todos ao mesmo tempo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque seu Rojas era um cara que sabia das coisas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-8497700435139695747?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/8497700435139695747/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=8497700435139695747&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/8497700435139695747'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/8497700435139695747'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2009/11/o-chileno.html' title='O chileno'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-3547234078000275953</id><published>2009-11-18T10:12:00.003-02:00</published><updated>2009-11-18T10:17:42.816-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cronicas'/><title type='text'>Vai Vai Vai!!!</title><content type='html'>Eu não sou corajoso. Definitivamente não. Coragem é a mais perigosa das virtudes. E não sou dado a virtudes, muito menos ao perigo. Também nunca fui um sujeito brigão justamente porque logo cedo, na escola, eu já havia constatado que não tinha, digamos, o talento necessário á atividade. As poucas experiências nesse sentido foram desastrosas. Eu desferia poderosos socos e pontapés que massacravam todo o ar em volta de meu oponente e já cheguei a acertar uma pobre espectadora desavisada. O final eu já conhecia: o asfalto. Fosse por falta de ar devido a uma joelhada na boca do estomago ou por tontura causada pelo unico soco desferido do outro lado. Houve até um tempo em que eu, cansado de dizer em casa que o olho roxo era conta de alguma queda de bicicleta ou bolada no futebol, entrei para o Tae Kwon Do. Migrei para a natação um ano depois, quando comecei a apanhar dos iniciantes de faixa branca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí que por uma dessas inexplicáveis ironias da vida, em 10 anos passeando a pé pelo centro de São Paulo eu nunca havia sido importunado por algum moleque de rua a fim de me destituir de uns poucos trocados e algum objeto vendável. E olha que já passei por todo tipo de buraco em todos os horários e estados psiquicos possiveis. O que eu não tive foi azar e eles, senso de oportunidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí que a redenção, se posso chamar assim, veio ás 11 e pouco da noite na Rua Direita,  materializada num individuo magrelo um pouco mais alto que eu, sem nada a perder e com uma relativamente ameaçadora faca de mão apertada contra minha barriga(desnecessária no meu caso....valorizo a ausência de hematomas tanto quanto a integridade de meus orgãos internos).&lt;br /&gt;Eu sempre imaginei como seria se acontecesse comigo. Me imaginava heróicamente esbofeteando o sujeito rua adentro, ou intimidando-o, ou mesmo ignorando com um olhar que o atormentaria em sonhos. No final sempre chegava á conclusão que, dado meu histórico de heroismo e agressividade, eu provavelmente sairia correndo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a verdade é que quando de fato acontece é tudo tão rápido que não dá tempo de PENSAR na reação. E aí, quando a gente é obrigado a agir instintivamente, 2 milhões de anos de luta pela sobrevivência geram reaçoes totalmente inesperadas. Eis que, veja você, meus ancestrais, que um dia resolveram descer das arvores e se filiar ao movimento da seleção natural, me deixaram de brinde uma pequena noção de violência fisica eficiente e até então desconhecida. Algo como um botão de emergência embutido no DNA. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu me virei e, com toda força(que não é muita), acertei o queixo do sujeito com o que tinha na mão (A Espiã de Bagdá, de Corine Souza- 2004 - Edição revisada....muito bom, a propósito).&lt;br /&gt;Contra todas as possibilidades, invertendo completamente o senso de lógica universal e renegando um histórico de quase 25 anos de vida semi-gandhiana o mais impensável, inusitado e improvável aconteceu: Ele caiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não to dizendo que eu nocauteei meu oponente, longe de mim caro leitor, insinuar tamanha incoerencia com minha biografia. Mas ele, tão surpreso quanto eu, caiu sentado já em posição de levantar-se. É claro que eu não tinha a menor ilusão de que meu tão preservado crânio seria poupado quando ele levantasse. Daí que, ainda imbuído de meu mais novo espirito minotauro eu acertei um chute a la &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=FD93d2Blkhc"&gt;Martin Palermo&lt;/a&gt; no meu pretenso algoz a fim de evitar que ele levantasse. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A reação seguinte mais óbvia era correr até a base móvel da PM no meio da praça da Sé, uns 50 metros dali mas Darwin daria saltos ornamentais no túmulo e eu morreria de vergonha de mim mesmo.&lt;br /&gt;Então, mais pelo social que pela prudência, eu saí caminhando sem olhar pra tras. Pra dentro do metrô é claro, e bem rápido, porque eu já tinha voltado a ser eu mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-3547234078000275953?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/3547234078000275953/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=3547234078000275953&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/3547234078000275953'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/3547234078000275953'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2009/11/eu-nao-sou-corajoso.html' title='Vai Vai Vai!!!'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-5051819143603446776</id><published>2009-11-12T10:57:00.003-02:00</published><updated>2009-11-18T12:09:45.788-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='geral'/><title type='text'>Falando de R.I. (ou Porque eu não entendo o mundo)</title><content type='html'>Ok, todo mundo sabe que Nova York tem a maior comunidade judaica do mundo, certo? Todos sabem também que boa parte da prosperidade e riqueza dessa região se deve aos judeus que ali chegaram no século 19. O que você não sabe é que eles eram portugueses (um dos fundadores da Bolsa de Valores de NY foi Benjamin Mendes Seixasm, ora pois) e vieram de...acredite...PERNAMBUCO!!!&lt;br /&gt;Percebe como isso enrola tudo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recife --&gt; Manhatan --&gt; EUA --&gt; Logo Israel deveria demonstrar mais boa vontade com os pernambucanos... porém a coisa complica pois o Lula é pernambucano, a quem Manhatan deve, logo deve também ao Lula, e se os EUA devem a Manhatan, que por seu turno deve a Israel, ambos devem ao Lula, que por sua vez troca idéias com o xaropeta de Teerã, que despreza o Holocausto e provoca a ira do judeus a quem os EUA devem sua existência, mas apesar disso tudo o cara que ganhou o Nobel é norte-americano e também quer falar com o xaropeta de Teerã que é super amigo do bozó de Caracas, que estatizou tudo menos a Misses Universo, que não são judias, nunca foram a Recife, nem tampouco sabem onde fica Teerã ou Israel. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entendeu?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-5051819143603446776?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/5051819143603446776/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=5051819143603446776&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/5051819143603446776'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/5051819143603446776'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2009/11/falando-de-ri-ou-porque-eu-nao-entendo.html' title='Falando de R.I. (ou Porque eu não entendo o mundo)'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-4722906583361789005</id><published>2009-11-09T11:08:00.004-02:00</published><updated>2009-11-18T12:09:07.702-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='geral'/><title type='text'>20 Anos</title><content type='html'>&lt;p class="mobile-photo"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SvgUQVU7hYI/AAAAAAAAADo/9lvxeVe0hog/s1600-h/G_MD008b-797672.jpg"&gt;&lt;img src="http://3.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SvgUQVU7hYI/AAAAAAAAADo/9lvxeVe0hog/s320/G_MD008b-797672.jpg"  border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5402090023866303874" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;A História se desdobra com suavidade, como uma blusa velha. Já foi muitas vezes cerzida e remendada, remodelada para se ajustar a pessoas diversas, metida em caixas embaixo da escada da censura para ser criticada pelos espanadores da propaganda, e ainda assim sempre acaba conseguindo voltar á antiga forma. A História tem o costume de mudar as pessoas que pensam estar mudando-a. Ela sempre tem uns truques na manga. Não é tão facil assim engana-la. A história não nasceu ontem, se é que você me entende. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Update:&lt;/b&gt;&lt;i&gt;Exatamente vinte anos atrás, um acessor de imprensa desastrado disse que não existiriam mais barreiras entre as duas Alemanhas. A população da então república soviética entendeu que ele falava do muro e uma multidão com marretas levou pouco mais de quatro horas para derrubar 140 quilômetros de concreto e encerrar extra-oficialmente a guerra fria. Bonito, não?&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-4722906583361789005?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/4722906583361789005/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=4722906583361789005&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/4722906583361789005'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/4722906583361789005'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2009/11/20-anos.html' title='20 Anos'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SvgUQVU7hYI/AAAAAAAAADo/9lvxeVe0hog/s72-c/G_MD008b-797672.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-1846641743708840986</id><published>2009-11-05T17:43:00.003-02:00</published><updated>2009-11-05T21:13:05.000-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cronicas'/><title type='text'>QI vs IMC</title><content type='html'>Academia, fim do dia...ele tava no aparelho ao lado e exibia aquele sorrisão efusivo que todo rato de academia exibe. Essa gente em um dia normal produz sozinha serotonina suficiente pra acabar com a depressão na Lituânia.&lt;br /&gt;Eu poderia falar sobre a futilidade destes seres que se embrenham por máquinas de tortura medievais todos os dias levantando pesos que nenhum ser humano deveria ser obrigado a levantar desde 1888. Mas a verdade é teria de me colocar no bolo, uma vez que todo dia eu saio dali sem conseguir levantar os braços e prometo nunca mais voltar...e todo dia volto.&lt;br /&gt;Mas voltando ao assunto, o sujeito ao lado não chamava atençao só pelo sorrisão de comercial de pasta de dente dispensado a quem o olhasse por mais de dois segundos. Não, definitivamente você ainda ia levar um tempo pra chegar no sorriso. O fato é que ele era GRANDE. Não do tipo grande desses que tomam albumina e tiram foto em frente o espelho. Não...aquele sujeito era GRANDE de verdade, daqueles tipos que rebocam aviões na TV. Ele era a personificação da hipertrofia, o Juggernaut, o Zangief, o Conan (sem a parafina no cabelo). O infeliz devia ter nascido com uns 15 kilos. A mãe precisou de uma cirurgia de reconstituição, pobre coitada.&lt;br /&gt;E tudo passava despercebido por mim(que estava embaixo de um supino, profundamente concentrado em não desmaiar) se o Nefilin em questão não resolvesse ser simpático e puxar assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Iaeow!(manifestação de efusividade. Sem onomatopéia adequada por hora). E essa tatoo aí eim!&lt;br /&gt;-È..(ou pelo menos algo parecido com um "é". Na prática, foi qualquer coisa entre um gemido e uma vogal)&lt;br /&gt;-Legal ela!&lt;br /&gt;-È...(idem)&lt;br /&gt;-Não to conseguindo ler! Que lingua é essa?&lt;br /&gt;-Latin.&lt;br /&gt;-Legal! Você é descendente é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na hora eu pensei que havia sido alguma alucinação causada pela falta de ar ou de força. Não teria sido a primeira vez. Normalmente a cena seguinte seria alguém tirando o supino de cima de mim e me salvando de uma morte no mínimo constrangedora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Desculpa...o que?&lt;br /&gt;-Tua tatuagem, é latim né? Você é descendente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como as sinopses de Haile Selassia "Tanto a dizer, e tão pouco tempo".Eu queria dizer que o tamanho do trícepis dele era inversamente proporcional ao tamanho do cérebro. Que pessoas como ele deviam ser esterilizadas ao nascer pra poupar as gerações futuras. Eu queria perguntar qual a ultima vez que ele leu algo que não tivesse um raio e um homem musculoso na capa. Queria perguntar se ele realmente sabia ler ou se aquelas revistas de suplemento alimentar (que ele folheava como uma dona de casa com um catálogo da avon) ele só entendia pelas figuras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu me perguntava o quanto o excesso de serotonina suportaria minha opinião a seu respeito. De meus modestos 75 kilos talvez o método de tentativa e erro não seria uma maneira mais aconselhavel de descobrir. Uma última olhada pro tamanho braço dele e um rápido prospecto de minha resistência óssea me demoveu completamente da idéia de uma confrontação mais direta.&lt;br /&gt;Pensei em um país tipo a Latínia ou a Latinolândia...eu poderia ser filho bastardo de um padre porque não? Em tempos de Fernando Lugo, não seria impossivel. Quero dizer, nas circunstâncias certas, a pergunta dele faria todo sentido. E no final, não eramos todos descendentes? E diabos, com aquele tamanho todo ele adquirira o direito de fazer a pergunta que quisesse e receber uma resposta educada. Mas eu não tinha muito tempo. Ele já tava começando a formar aquele maldito sorriso de outdoor de plano odontológico, que me deixava tentado a partir pra cima dele com um haltere bem pesado na mão(obviamente, se eu conseguisse levantar um haltere bem pesado).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Err...ahm...sou?&lt;br /&gt;-Legal!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parecia suficiente pra ele...e saiu caminhando feliz e sorridente pra debaixo de uma coluna de pesos que pretendia levantar(praticamente uma geladeira), se sentindo agora um pouco mais informado. Parecia uma criança que acaba de descobrir de onde vem os bebês(claro, se crianças tivessem dois metros de altura e uns 120 kilos).&lt;br /&gt;Eu só sorri de volta e procurei o próximo aparelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que eu tivesse alternativa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-1846641743708840986?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/1846641743708840986/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=1846641743708840986&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/1846641743708840986'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/1846641743708840986'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2009/11/academia-fim-do-dia.html' title='QI vs IMC'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-246986884212443572</id><published>2009-11-02T17:27:00.002-02:00</published><updated>2010-03-16T12:23:14.152-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='snapshots'/><title type='text'>Parafraseando Vinicius</title><content type='html'>Bebamos!&lt;br /&gt;Bebamos acima&lt;br /&gt;Bebamos além, bebamos&lt;br /&gt;Acima do além, Bebamos!&lt;br /&gt;Com a posse física dos copos&lt;br /&gt;Inelutavelmente sorveremos&lt;br /&gt;O grande mar de lúpulo&lt;br /&gt;Através de saideiras sem fim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-246986884212443572?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/246986884212443572/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=246986884212443572&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/246986884212443572'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/246986884212443572'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2009/11/parafraseando-vinicius.html' title='Parafraseando Vinicius'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22115159.post-2426157073053401309</id><published>2009-10-30T17:25:00.001-02:00</published><updated>2010-03-16T12:23:39.243-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pessoal'/><title type='text'>Novas</title><content type='html'>Quatro anos depois, tomado finalmente por um senso de auto-critica (e noção do ridículo) deletei todas as postagens deste blog. A partir do mês que vem algumas vão voltar recauchutadas.&lt;br /&gt;Até lá, &lt;a href="http://twitter.com/ricardosica"&gt;Tuíte-me&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;See yah!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22115159-2426157073053401309?l=chuvapaulistana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/feeds/2426157073053401309/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22115159&amp;postID=2426157073053401309&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/2426157073053401309'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22115159/posts/default/2426157073053401309'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chuvapaulistana.blogspot.com/2009/10/novas.html' title='Novas'/><author><name>Ricardo Siqueira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11364726241387659204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lFY0c4mUmc0/SPfNp_hkT1I/AAAAAAAAACY/QTraY1SUgU0/S220/sampachuva2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
